terça-feira, 7 de julho de 2020

ExcluZivo: entrevista com o cartunista Batista

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Recentemente, o Muza teve conhecimento do trabalho do cartunista Batista, que em seus desenhos também aborda a temática LGBT com humor e ironia. Gostei tanto do que vi, que fui atrás dele para saber mais e divulgar para vocês.

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No fim, realizei uma entrevista ExcluZiva que merece ser lida na íntegra. Abaixo, você poderá conhecer um pouco mais do do homem por trás da obra e da obra em si: "Humor pra mim é pra confundir", afirma Batista. Confira!

MUZA - Seu nome é Batista mesmo? Você é daqui de Belo Horizonte. 
BATISTA - Meu nome não é bem Batista, mas acabou pegando, e deixemos assim mesmo. Tenho 36 anos e não sou de Belo Horizonte, sou de Juiz de Fora, mas vivo aqui a tempo suficiente para não poder me considerar de outro lugar.

Há quanto tempo faz cartoons?
Comecei a me interessar por desenho de humor desde criança, mas comecei a tentar fazer em 2007, então lá se vão 13 anos. Puxa...

Você não faz desenhos somente de conteúdo LGBT, mas é uma pauta recorrente na sua obra. Qual a inspiração em também utilizar essa temática?
Sou gay, e a inspiração vem da minha tentativa de colocar sentido nas coisas. A primeira vez que me liguei que podia adentrar esse espaço LGBT e fazer humor foi quando desenhei uma cena de sexo, e não conseguia desenhar uma mulher direito, daí eu pensei "foda-se, vou desenhar dois homens transando", e assim como Deus, vi que isso era bom. E rapidamente incorporei o mundo gay no meu trabalho. 


Além de cartunista, você possui outros trabalhos? 
aço mil coisas, sou músico nas bandas Fodastic Brenfers e Madame Rrose Sèlavy, escrevo roteiro para quadrinhos, vendo livros, edito revistas e trabalho com restaurantes. Cartum é a única que sinto abstinência quando deixo de fazer.

Você tem algum objetivo ou mesmo alguma expectativa do público com seus desenhos?
Meu objetivo é despejar minha raiva no mundo. Eu tento é irritar as pessoas, mas no caminho, tento fazer elas rirem. Não tenho expectativa do público, principalmente por trabalhar majoritariamente na internet, que é um meio que retém pouca atenção e espírito reflexivo.  


Você já recebeu comentários ou feedback LGBTfóbicos em razão as charges com temática LGBT? Com alguma charge específica talvez...
Uma vez, na greve de caminhoneiros de 2018 fiz, um cartum com caminhoneiros transando, e me acusaram de desrespeito. Perguntei (raramente respondo comentários) onde estava o desrespeito, e ninguém foi bobo de responder, pois teria que dizer que o desrespeito era retratá-los como gays. 

Você possui alguma charge, com temática LGBT, que é uma das suas queridinhas e se sim, por qual motivo?
Esse é um exemplo de cartum que amo, pois fode com a cabeça das pessoas. Todo mundo apoiando uma causa, e eu vou lá e - respeitosamente - aponto que tem algo que dar para rir nela, e o público, quando se manifesta, não sabe bem se estou sendo batendo ou assoprando. 

Meus trampos favoritos sobre o tema têm a violência como elemento comum. O universo que nos forçam a viver como LGBTs diz para termos cuidado, discrição, vergonha e respeito com o mundo que não é gay, se não ele pode reagir de forma legítima contra nossa existência. Então gosto de pensar nessa violência e usar ela para fazer rir. 

Humor pra mim é pra confundir. 




Como está sua produção nesta quarentena? Está se sentindo mais inspirado, menos..? Afinal, muita coisa está acontecendo no mundo. 
A produção da quarentena tá aí, normal. Eu desenho quase todo dia, e se não desenho, estou pensando em piadas para desenhar, independente de estar de férias, em viagem, de quarentena ou trabalhando. O que muda é que agora penso em piadas com Tinder e Scruff pós-pandêmico, e o futuro das saunas e de seus frequentadores.

Você pode acompanhar o trabalho do Batista pelo Twitter e Instagram


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