terça-feira, 30 de junho de 2020

Pesquisa revela índice de vulnerabilidade dos LGBTs durante a pandemia

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A partir da aplicação de pesquisa online, com participação de dez mil pessoas em todos os estados brasileiros, o coletivo #VoteLGBT, em parceria com a Box1824, desenvolveu um índice inédito que consegue medir a vulnerabilidade LGBT à Covid19.

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Como a pandemia de coronavírus pode impactar as vidas das pessoas LGBT+ de formas múltiplas e cumulativas, os pesquisadores conseguiram traçar marcadores que envolvem cruzamento de dados sobre acesso à saúde, trabalho, renda e exposição ao risco de infecção ao coronavírus. Analisados em conjunto, esses fatores contribuem no entendimento sobre a capacidade das pessoas em se sustentar e se manter em isolamento social.

Avaliadas em conjunto, todas essas características possibilitaram o desenvolvimento do índice de Vulnerabilidade de LGBT+ ao COVID-19 (o VLC), que nos informa as diferenças de risco e impactos do coronavírus entre pessoas LGBT+, utilizando da mesma metodologia do índice de vulnerabilidade social do IPEA

Os resultados encontrados no índice apontam que a população LGBT+ se encontra em um nível de vulnerabilidade alta, segundo as dimensões de renda e trabalho, exposição ao risco de Covid19 e saúde.

Três grupos aparecem na faixa considerada grave. São eles os das pessoas trans, das bissexuais e das pretas, pardas ou indígenas. Se avaliado somente o critério que relaciona a exposição ao risco, todos os grupos apresentam alta vulnerabilidade.

O índice de vulnerabilidade consegue materializar e alinhavar as diversas desigualdades que marcam as vivências da população LGBT+ em toda sua diversidade, algo que sempre foi defendido pelos movimentos sociais. Os diferenciais de identidade de gênero, raça/cor e identidade sexual aprofundam a condição de vulnerabilidade, que já é alta entre o grupo. 

Alguns apontamentos e conclusões alcançados pela pesquisa

➔ Pessoas acima dos 55 anos apresentaram 80% mais de chance de reportar solidão como o maior problema quando comparados com as pessoas de 15 a 24 anos.
➔ A falta de dinheiro também foi um problema que aumentou sua relevância com o aumento da idade. Entre as pessoas com 45 a 54 anos, a chance de indicar essa como a maior dificuldade da quarentena foi 70% maior em relação às pessoas com entre 15 e 24 anos;
➔ Pretos, pardos e indígenas possuem 22% mais chance de indicar a falta de dinheiro como a maior dificuldade da quarentena do que Brancos e Asiáticos
➔ 4 em cada 10 pessoas das pessoas LGBT+ e metade das pessoas trans (53%) não conseguem sobreviver sem renda por mais de 1 mês caso percam sua fonte de renda;
➔ Quase metade (44,3%) das pessoas tiveram tiveram suas atividades escolares totalmente paralisadas durante o isolamento;
➔ A taxa de desemprego padronizada entre os LGBT+ foi de 21,6%, quase o dobro do registrado pelo IBGE no restante da população;
➔ 3 em cada 10 dos desempregados estão sem trabalho há 1 ano ou mais;
➔ 1 em cada 4 (24%) perderam emprego em razão da Covid19;
➔ Durante a quarentena, 7 em cada 10 pessoas (68,42%) só saem de casa quando inevitável;
➔ 8 em cada 10 pessoas perceberam uma alteração de humor durante a quarentena;
➔ 28% das pessoas já haviam recebido diagnóstico prévio de depressão, número quatro vezes maior do registrado no restante da população, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde.
➔ 47% foram classificadas com o risco depressão no nível mais severo

Você pode acessar a pesquisa completa e sua metodologia clicando aqui

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