quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Espetáculo sobre pessoas com deficiência visual, que são LGBT, estreia nova temporada em BH

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Foto: Allan Calisto

A Funarte MG recebe de 8 a 10 de novembro o espetáculo “Glauco”, primeira criação da Pigmentar Companhia de Teatro, em Belo Horizonte. A montagem parte da obra do poeta marginal Glauco Mattoso, para trazer à tona o grito da invisibilidade das pessoas com deficiência visual e LGBTQIA+. 

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Em cena, Dudu Melo e Vinicius Guedes dão corpo e voz a 14 sonetos do escritor paulistano, construindo uma dramaturgia sensível, que busca ampliar as possibilidades de ser das pessoas cegas, revelando suas experiências com o desejo, o sexo, o afeto, a violência e a solidão. Deixando de lado o vitimismo geralmente atribuído às pessoas com deficiência visual, a peça mostra a autonomia do corpo cego, que também possui prazeres, sentimentos, sonhos, contradições, e diferentes gêneros e orientações sexuais, como toda pessoa.

Durante o processo de criação, que teve início em junho de 2018, nas salas de ensaio do Galpão Cine Horto, foram selecionados poemas de Glauco Mattoso que abordam temas como cegueira, invisibilidade social, sexualidade, gênero, fetiche, entre outros. Os escritos se alinham às experiências vividas pelo artista deficiente visual Dudu Melo e pelo também ator Vinicius Guedes, juntamente a uma pesquisa coreográfica proposta pelo bailarino Samuel Samways, que assina a coreografia e preparação corporal do trabalho, trazendo elementos do contato-improvisação e da dança contemporânea queer à cena.

No palco, o público tem contato com dois corpos masculinos. Um corpo cego e um corpo negro. Dois corpos gays. E é dessa relação, em diálogo com o estudo de linguagens de um contexto urbano, marginal, de um teatro marginal, levantado pelo diretor Allan Calisto como pesquisa para cena, que se instaura uma experiência compartilhada com a plateia. 

Um espetáculo que a partir da sinestesia, do toque, do tato, do cheiro, da música, e dos diversos sentidos, se anuncia como um ritual e também como um manifesto político-poético. A trilha sonora é assinada pelo grupo mineiro Confeitaria, sendo mais um elemento dramatúrgico respirando com os corpos em cena, e a iluminação é do diretor Allan Calisto, que acrescenta uma nova camada plástica e visual à encenação.

“Glauco” estreia no dia 8 de novembro, sexta-feira, e segue em cartaz até o dia 11. Sexta e sábado às 20h, domingo às 19h. Os ingressos custam R$30 reais (inteira) e R$15 (meia). A montagem teve estreia na cidade de São Paulo, com a presença do próprio escritor Glauco Mattoso, um dos interlocutores do processo de criação.

Foto: Allan Calisto

Ficha Técnica
Elenco: Dudu Melo e Vinicius Guedes
Texto em sonetos: Glauco Mattoso
Argumento: Dudu Melo e Allan Calisto
Dramaturgia e direção: Allan Calisto 
Coreografia e preparação corporal: Samuel Samways
Trilha sonora original: Gabriel Murilo e Lucas Mortimer - Confeitaria
Figurino: Clarice Rena
Assistente de produção: Elisa de Jesus
Cenário: Helvécio Izabel
Assessoria de imprensa: Bremmer Guimarães
Produção executiva: Dudu Melo e Allan Calisto
Realização: Pigmentar Companhia
Apoio: Galpão Cine Horto
Projeto contemplado com o 1º Prêmio Arte Inclusão - 2018

Sinopse
Uma pessoa deficiente visual entra em um estabelecimento. Seu jeito chama a atenção de um jovem negro que trabalha neste espaço. Entre um jogo de corpos e toques, uma relação se constrói, revelando seus conflitos e desejos.

Serviço
Espetáculo teatral "Glauco"
Datas: de 8 a 10 de novembro (sexta-feira, sábado e domingo)
Horários: Sexta e sábado às 20h, domingo às 19h
Local: Funarte MG (Rua Januária, 68 - Centro) 
Entrada: R$30 (inteira) / R$15 (meia)
Duração: 50 minutos
Classificação: 16 anos

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