sábado, 9 de novembro de 2019

Entrevista excluZiva com a Dido

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O que mais marcou nessa entrevista com a cantora Dido - que se apresentou em Belo Horizonte, no último domingo, 3 de novembro, com a turnê de seu mais recente disco "Still On My Mind", lançado em março de 2019 - sem dúvida foi a simplicidade e simpatia, tanto dela quanto da equipe. Nem parecia estar diante de uma mulher que já vendeu mais de 20 milhões de discos no mundo, com indicações ao Grammy e ao Oscar e que alguns já disseram que ela chegou a ser uma espécie de Adele no início dos anos 2000, já que ambas são inglesas e alcançaram sucesso mundial cantando, sobretudo, os sabores e dissabores do amor. 

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A simplicidade e simpatia de Dido com nós aqui do Muza - tanto comigo jornalista quanto com a fotógrafa, também se fez recorrente com os outros veículos ali presentes para entrevistá-la e com os fãs, sortudos, que conseguiram ficar de frente com seu ídolo (alguns deles chegaram às 17h no Km  de Vantagens Hall, local do show que estava marcado para 20h). No mínimo, inspirador, mas, sobretudo, uma lição para demais artistas e produção de artistas nacionais e internacionais. 

Dido e Adele são bem diferentes, sobretudo musicalmente, já que Dido adora uma pegada eletrônica em suas canções. Sem dúvida, algo que ela conheceu no início da carreira quando cantava com o irmão, Rollo Armstrong, em meados dos anos 90 no grupo de música eletrônica Faithless. Rollo inclusive, ainda é parceiro de Dido em muitas composições e produções.  

Na conversa excluZiva do Muza com a Dido, ela falou sobre sua composição, sobre exemplo de mulher que apoia mulher no mundo da música e até sobre Miley Cyrus.  Confira tudo isso e mais abaixo! 

Dido ao vivo em BH (Foto: Catarina Paulino)

Muza: Somos um site voltado ao público LGBT na cidade. Você sabe que tem vários fãs LGBT? Gostaria de mandar uma mensagem para eles? 
Dido: Sim! Eu os amo muito. Eles fazem os shows serem incríveis. 

Eu tenho que me controlar aqui, porque sou realmente fã do seu trabalho. Você já parou para pensar sobre essa conexão global da sua música? Uma mulher inglesa tocar pessoas de outras partes do mundo, como o Brasil.

É um loucura. Na última noite (show em São Paulo)... sabe, é uma loucura, porque eu faço as minhas músicas na minha casa, na minha mente… e agora eu estou aqui no Brasil, que eu nunca estive e ver as pessoas cantando as canções… realmente me emociona. 

Sua música, sua voz… transmitem uma sensação de tranquilidade, paz, calmaria… e eu gostaria de saber se você geralmente é uma pessoa mais tranquila e calma mesmo ou até o que faz você perder a paciência ou sentir raiva.

Eu sou uma pessoa tranquila Craig? (Dido vira e direciona sua pergunta para um homem da sua equipe, que começa a dizer algo com “bem…” e uma mulher de sua equipe se apressa em dizer “sim, você é” e todos começam a rir. Eu brinco dizendo que foi só uma pergunta e todos rimos juntos. Aí, Craig, responde: “Bem, digamos que ela tem seus momentos” e voltamos todos a rir novamente).

É, eu sou uma pessoalmente relativamente calma. O que geralmente me deixa com raiva é quando eu vejo outra pessoa sendo magoada  de alguma forma em especial, idosos, crianças ou alguém que vem aos meus shows… isso me deixa com bastante raiva. 

Dido durante show em BH (Foto: Catarina Paulino)

Sobre o processo de composição de sua música, alguma delas nos levam para um outro universo. É nítido o efeito eletrônico, mas como é esse processo até chegar o resultado final?
É sempre diferente. Às vezes com a letra, uma batida, um som, uma melodia na minha mente, às vezes um amigo me envia algo...é sempre diferente, nunca é de um mesmo jeito… às vezes são várias versões (até chegar à final) e a música sempre acaba achando o seu caminho.

Estamos vivendo em um momento de empoderamento feminino. no qual mulheres apoiar mulheres está em voga também. Você costuma ouvir outras cantoras também?
Eu ouço muitas cantoras. Eu vou te dizer uma mulher que me ajudou muito e também ajudou outras cantoras: Sarah McLachlan (cantora e compositora canadense que nos anos 90 e início dos anos 2000 realizou o festival Lilith Fair, nos Estados Unidos, somente com cantoras e compositoras no line up, dentre elas além da própria Sarah, nomes como Sheryl Crow, Jewel e Tracy Chapman também participaram). Foi meu primeiro grande show e ela foi muito generosa comigo e com outras tantas artistas. Foi incrível, uma experiência maravilhosa.  

Falando em cantoras. Já tem um tempo, mas eu gostaria de saber: você chegou a ouvir a versão da Miley Cyrus para “No Freedom” (divulgada pela ex-Hannah Montana em seu canal no YouTube em 2015)? O que você achou?
Sim. Eu adorei. Eu gostei mesmo.Eu gostei do jeito como ela e interpretou a música.  Bem lento… gostei. 



Estamos vivendo em um mundo que está ficando diferente e passando por alguns momentos delicados, mais conservador e valores tradicionais ganhando destaque. A questão de imigrantes na Europa, racismo, questões LGBT… como isso tem afetado você como artista ou ser humano?
Para mim o que importa é que as pessoas possam ser quem elas são e sejam respeitadas por isso. E eu estou criando meu filho (Dido é mãe de Stanley que tem 8 anos) para ser  quem ele quiser ser, e isso é o mais importante. 

Quer saber como foi o show da Dido em BH? Clique aqui e leia nosso relato excluZivo. Abaixo, você tem um gostinho.

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