terça-feira, 26 de novembro de 2019

Duo português Fado Bicha se apresenta em BH neste sábado

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No próximo sábado, 30 de novembro, Belo Horizonte terá um conexão forte e LGBT com Portugal. Se apresentará na cidade o duo Fado Bixa. Patrimônio da música portuguesa eternizado pela voz de Amália Rodrigues, o Fado ganha nova interpretação pop e política com o Fado Bicha. 

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A dupla composta por Lila Fadista e João Caçador arrebatou a cena musical portuguesa e projetou-se internacionalmente ao debater questões de gênero, intolerância e racismo em suas letras.No vídeo da dupla,  "Namorico de André", consta os dizeres: "Para todos os poetas, intérpretes e músicos LGBTI da história do Fado que não puderam criar e retratar livremente as duas identidades e experiências na sua obra".

Artista parceiro da MIL Lisboa, uma das mais importantes convenções de música de Portugal, o Fado Bicha vem ao Brasil para se apresentar na SIM São Paulo, e prepara uma homenagem à Elza Soares, voz que eternizou a canção A Mulher do Fim do Mundo, presente em todas as performances do Fado Bicha e regravada pela dupla. Além do evento, realizado no Centro Cultural São Paulo entre 4 e 8 de dezembro, a dupla prepara uma série de atividades no Brasil entre 26 de novembro e 17 de dezembro. 

Fado LGBTQI+

Foi fora da terra natal que Tiago Lila encontrou a sua voz no fado. "Entre 2014 e 2016, morei na Grécia. Trabalhava numa ONG em Atenas e, num encontro, pediram-nos para mostrarmos alguma coisa dos nossos países, das nossas culturas. Eu disse ‘sou português, posso cantar um fado’. Foi assim a primeira vez. Cantei o ‘Barco Negro’ e foi incrível”. Popularizada na voz de Amália Rodrigues, esse fado é fruto de uma canção escrita por Caco Velho, um compositor brasileiro. 

De volta a Portugal, Lila buscou uma escola de fado, e percebeu que “não cabia por inteiro” naquela música. Numa das duas aulas a que foi, cantou ‘Ai Mouraria’, em um questionamento direto a um professor que lhe disse que não podia cantar “um fado de mulher”. Foi fora da escola formal que o Fado Bicha ganhou vida: em uma casa noturna de Lisboa, Tiago Lila virou Lila Fadista, e a sua apresentação solo foi vista por João Caçador, que lhe perguntou se queria um guitarrista. 

"O fado sempre teve poetas, fadistas e músicos homossexuais, só que, infelizmente, nunca se puderam expressar, ou escolheram não o fazer, de forma explícita", analisa João Caçador, guitarrista da dupla. Ao colocar um olhar LGBTQI+ no Fado, a intérprete e letrista Lila Fadista e o guitarrista João Caçador reinterpretam canções clássicas do estilo, como O Namorico da Rita. O Chico, que é pescador, nesta versão, se envolve com André, o peixeiro. Disponível em abril de 2019, O Namorico do André foi a primeira música lançada oficialmente pelo Fado Bicha. 


Elza Soares e o Brasil 

No lançamento mais recente, uma versão da canção A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares, a dupla apresenta uma narrativa conceitual sobre História, lugares de invisibilidade e opressão. A faixa começa com "Banzo", um texto sobre escravização e o sistema colonial português no Brasil, retirado do livro "Deus-Dará", de Alexandra Lucas Coelho, escritora e jornalista portuguesa que viveu vários anos no Rio de Janeiro. 

Filmado pela diretora Raquel Freire no Salão Nobre da Prefeitura de Lisboa, o vídeo conta com a participação da DJ brasileira Cigarra, responsável pelos beats, e quatro bailarinas provenientes de Angola, Guiné-Bissau, Portugal e Brasil. Simultâneamente, Irina Leite Velho, Maria Emília Ferreira, Joana d’Água e Tita Maravilha invadem e ocupam o salão, de decoração imperial, dançam livremente e expressam a humanidade e a dignidade muitas vezes negadas a si e às suas ancestrais. Os músicos do Fado Bicha interpretam a canção de olhos vendados e a narrativa termina com uma revelação simbólica. 

O vídeo e a música partem de uma crítica sobre a forma como se continua a encarar, em Portugal, o período colonial da história portuguesa. Para o Fado Bicha, ainda não foi feita uma reflexão coletiva sobre esse período, terminado oficialmente há apenas 45 anos. A violência que o império português infligiu nas comunidades ameríndias e africanas colonizadas e escravizadas tem relação com as desigualdades que se verificam até hoje. Segundo eles, cabe também aos artistas brancos portugueses estimular essa reparação histórica por meio da arte. 

Serviço 
Fado Bicha - Show 
Data: 30 de novembro (sábado)
Horário: 22h30
Local: Gruta (Rua Pitangui 3613,Horto, Belo Horizonte)
Entrada: $15 até meia-noite, após $20 

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Aviso: o vídeo abaixo contêm cenas de nudez e sexo



Trabalho inspirado em Elza Soares