segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Texto para refletir: "Parada do Orgulho: diversidade na diversidade"

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As paradas do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexo se tornaram, ao longo do tempo, as maiores manifestações populares e de afirmações de direitos dos últimos tempos no Brasil. Em mais de duas décadas de existência, desde primeira que aconteceu em 1995, no Rio de Janeiro, as Paradas se expandiram e hoje acontecem de norte a sul, nas principais cidades do país. 

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O Brasil realiza o maior número de eventos prol-LGBT e a Parada de São Paulo é a maior do planeta. No dia 14 de julho de 2019, aconteceu a 22ª Parada do Orgulho LGBTI de Belo Horizonte, sendo que na primeira contou com cerca de 50 pessoas, e teve à frente Soraya Menezes; militante, mulher, lésbica, negra e sindicalista. Já na 21ª edição, teve uma mobilização excepcional, com mais de 250 mil manifestantes que andaram, dançaram e coloriram as principais ruas da capital mineira. 

Além de BH, cerca de 20 paradas acontecem em várias cidades de Minas Gerais, e Contagem também tem sua manifestação LGBTI. A Parada de Contagem nasceu em 2005, numa eleição pra prefeito, em que um setor homofóbico espalhou pela cidade um panfleto agredindo a então candidata, Marilia Campos (PT) por defender a nossa população, no entanto, ela não recuou e venceu a eleição. Em resposta aos ataques homofóbicos, o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual-CELLOS/Contagem, tendo à frente o militante Anderson Cunha, organizaram a primeira Parada do Orgulho LGBTI de Contagem, que foi um grande sucesso e de muita adesão dos contagenses.  

Mas nem tudo é só gliter. Por muito tempo, pela sua diversidade e seus elementos artísticos, festivos e simbólicos, as Paradas não eram compreendidas. Pasmem, setores progressistas e de esquerda nos chamaram de despolitizados e que nossa manifestação não passava de um carnaval fora de época. Mas resistimos. Não nos intimidamos e avançamos.  Hoje é quase um consenso que as Paradas do Orgulho do LGBTI são manifestações populares, democráticas e, essencialmente, políticas. Elas têm sido uma das principais ações de mobilização do movimento social LGBTI brasileiro, produzindo efeitos positivos e ampliando a visibilidade da temática.

 Independente do objetivo de quem comparece à manifestação, a ocupação do espaço público por milhares de LGBTI potencializa a ampliação ou rompimento das fronteiras dos guetos pela ocupação do espaço público e dá visibilidade às bandeiras de luta do movimento LGBTI. O seu caráter plural, possibilita que vários movimentos sociais, coletivos, instituições participam e dão visibilidades para suas reivindicações especificas, ampliando arena politica, criando redes de solidariedades e lutas. Desse modo todos ganham; os movimentos sociais,  a cidade e sociedade que fica mais democrática. 

Outro aspecto que deve ser evidenciado é sobre a continuidade da manifestação.  Garantir a existência desta atividade grandiosa, de caráter popular e gratuito, exige dos militantes uma grande dedicação e habilidade politica para estabelecer parcerias. No entanto, não se deve perder a autonomia e independência, seja para o poder público e/ ou mercado. O movimento social LGBTI deve ter a nítida centralidade da luta por direitos, efetivação da cidadania e combate a LGBTIFOBIA, pois, a Parada é muito potente e é um patrimônio nosso.  Cada vez mais os grupos de defesa dos direitos LGBTI têm se empoderados e utilizado a Parada como forma de pressão politica juntos ao Estado e a sociedade.
   
E a parada também é festa. As peformaces, draq Queen, transformistas, DJs, fantasias, os cartazes, bandeiras, beijaços, corpos, gliter, a pinta, músicas, danças, a troca de afetos são manifestações que contribuem para difusão da ideia da diferença como valor e possibilita, de maneira criativa e bem humorada, a divulgação e visibilidade das reivindicações do movimento LGBT, refirmando a diversidade da sexualidade humana. A Parada anuncia pra todos e todas que um mundo mais divertido é possível. 

A 15ª Parada do Orgulho LGBTI de Contagem foi, certamente, um dia de alegria. E para nós militantes, teremos momentos de confraternização, reencontros, solidariedade e celebração das nossas vitórias, são 15 anos de lutas e conquistas. No último domingo, Contagem foi palco de um espetáculo politico e cultural que une tribos diferentes, representantes do plural que formam a sociedade e que merece espaço e respeito, independente de qualquer diferença.

Por Carlos Magno - Diretor da ABGLT e Fundador do CELLOS-MG.   

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