quinta-feira, 18 de julho de 2019

Pesquisa revela perfil do público da Parada do Orgulho LGBT de BH

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Foto: Catarina Paulino

A cada edição que passa, o público da parada LGBT de Belo Horizonte só aumenta. Segundo dados da organização, a edição deste ano, cujo tema foi “Não aos retrocessos: Revivendo Stonewall”, atraiu cerca de 250 mil pessoas. Mas que público é esse?

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Para tentar responder a essa pergunta, o coletivo #VoteLGBT aplicou um questionário durante o evento. O grupo é formado por ativistas de áreas diversas, como direito, comunicação, economia e demografia. O mesmo questionário foi aplicado na parada de São Paulo. “É importante mapearmos o perfil da população LGBT, pois no Brasil há uma carência generalizada de dados. Essas informações podem ser úteis inclusive na formulação de políticas públicas”, avalia o demógrafo Samuel Silva, um dos integrantes do coletivo.

Ao todo, 611 pessoas foram entrevistadas. Elas foram questionadas sobre seu perfil étnico, social e econômico. Perguntas sobre a situação atual dos direitos da população LGBT também foram feitas, bem como questionamentos sobre a situação política brasileira atual.

A pesquisa apontou que a frequência média da parada LGBT da capital é de um público jovem. A idade média apresentada foi de 26 anos. A maioria dos frequentadores disse que não possui nenhuma religião (33,7%), enquanto os católicos contabilizaram 24%.

As causas defendidas pela militância durante a manifestação política precisam ter sua mensagem ampliada, segundo apontou o levantamento, já que 56% não sabiam o tema da parada deste ano.

O mapeamento identificou que um parte relevante dos frequentadores do evento é formada por heterosexuais (15,55%) - mulheres, em sua maioria.

Como o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo, temas de segurança pública foram abordados. Os entrevistados demonstraram que os casos de violência que têm como alvo essa população continuam constantes: 58,5% deles relataram ter sido vítima de agressões cometidas na rua (44,5%), na escola (34,2%), no trabalho (19,4%) e até mesmo dentro de casa (24%). Mesmo diante desse cenário violento, os LGBTs entendem que liberar o porte de armas não é um bom caminho - 90% são contrários à proposta, e 63,9% conhecem alguém que morreu por causa de arma de fogo.

Questionados sobre qual avaliação do governo Bolsonaro, a maioria dos entrevistados deu nota baixa à gestão: 78,2% péssimo, 8,8% ruim, 5,5% regular, 1,3% bom e 0,9% ótimo. Sobre a atuação do ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro, 59,7% deu nota zero ao chefe da pasta da Justiça.

Alguns dados da Pesquisa:

RAÇA/COR:

branca - 33,3%
preta - 32,9%
parda - 29,13%

RELIGIÃO

nenhuma - 33,7%
católica - 24,22%
evangélica - 9,9%
espírita - 8,1%
umbanda - 4,9%
candomblé - 3,1%

ORIENTAÇÃO SEXUAL

gay - 33%
lésbica - 19,3%
bissexual - 18,3%
heterossexual - 15,5%


É FAVORÁVEL AO PORTE DE ARMAS?

não - 90,3%
sim - 7,3%


JÁ SOFREU LGBTFOBIA?

sim - 58,5%
não - 24,2%


SE SOFREU, ONDE ACONTECEU?

44,5% - na rua
34,2% - na escola
24% - em casa
19,4% - no trabalho

CAUSAS MAIS IMPORTANTES

escolas ensinarem respeito aos LGBTs- 48,7%
cotas de emprego para transexuais - 46,6%

QUAL O TEMA DA PARADA LGBT DESTE ANO?

não sabe/não lembra - 56,1%

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO

péssimo - 78,2%
ruim - 8,8%
regular - 5,5%
bom - 1,3%
ótimo - 0,9%

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