sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Coluna: 1 ano da festa Horny que celebra música, arte e liberdade sexual

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O Muza divulgou aqui que a festa Horny está comemorando 1 ano. A festa é conhecida por misturar música, arte e liberdade sexual. Muitos podem ver a festa apenas pelo viés sexual, mas para refletir sobre a festa em si e mostrar que ela vai muito além do comportamento sexual das pessoas, o poeta, perfomer e educador Hugo Lima fez um texto reflexivo sobre a Horny, festa que ele acompanhou ao longo dos últimos 12 meses. 

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UM ANO DE HORNY!

Há um ano, estreava, em Belo Horizonte, uma das festas mais ousadas dos últimos anos: Horny! A capital, ainda hoje, muito provinciana em vários aspectos, passou a ter, em seu calendário, uma noite em que a liberdade é a palavra de ordem. O sexo, misturado às artes e à música, envolve os participantes e os convida a estarem à vontade consigo mesmos e com o outro.

Idealizada e produzida por Thales Albuquerque, a festa, que acontece uma vez por mês e é dedicada especialmente ao público gay, conta com duas pistas de dança: uma pop, outra techno; com a projeção de vídeos artísticos (de estética superpotente, por sinal!), que apresentam atores em situações sexualmente inusitadas; além das performances sexuais ao vivo. O próprio produtor esclarece que a Horny estimula a libido e se propõe a confrontar regras e pensamentos mais conservadores sobre a liberdade, abordando questões como o corpo, o sexo, e permitindo ao público ser quem se é ou quem quiser ser sem medo e sem culpa.

Outro aspecto que merece destaque são as parcerias feitas com outras festas, como a POPPORN e a Carlos Capslock, de SP, e a HOLE, do RJ. Essas “fusões”, além de proporcionarem outras experiências ao público e trazerem à BH um pouco do que acontece (há bastante tempo, aliás) em outras cidades do país e do mundo, tornam cada festa única, com sonoridade e performances exclusivas.

Todas as edições, praticamente, aconteceram na Amnésia Bar, localizada no Funcionários, com exceção das edições de maio e junho de 2018, que foram realizadas no EMME Lounge, no mesmo bairro.

O que se percebe é que a Horny vem ganhando cada vez mais visibilidade, chamando a atenção de um público maior e diverso, o que exige um cuidado intensivo por parte da produção do evento, uma vez que esse aumento no número de frequentadores reflete nas filas incômodas da chapelaria e dos bares. Além disso, é preciso estar atento à temperatura do ambiente, mantendo ventiladores e ares-condicionados sempre ligados. Permanecer nos darkrooms por muito tempo, por mais prazeroso que possa ser, é um sacrifício!

E, para quem pensa que ambientes assim acabam contribuindo para o aumento das estatísticas de Infecções Sexualmente Transmissíveis, é importante salientar que, em todas as edições, a produção deixa disponível uma porção de preservativos, além de fazer diversas recomendações para que o público faça sexo seguro. A partir daí, o livre-arbítrio faz com que a festa siga sem censura.

É dessa liberdade que precisamos para resistir ao retrocesso que a atual política, com suas estratégias conservadoras, vem propondo. A oportunidade de nos sentirmos acolhidos e à vontade com pessoas que compartilham dos mesmos desejos e objetivos, sem tantos pudores ou preconceitos (porque ele é quase invisível, mas ainda existe), partilhando experiências que promovem um novo olhar sobre a corporeidade é, sem dúvida, um diferencial nestes tempos sombrios.

Estive lá, acompanhado do meu namorado, em quase todas as edições, e posso dizer que é, de fato, um deleite poder ver todas aquelas pessoas “se jogando” sem medo de serem felizes. Umas mais tímidas, outras mais descaradas, algumas ainda vestidas, outras desfilando suas jockstraps coloridas ou, simplesmente, dançando nuas pela pista. Melhor ainda é não ter presenciado uma briga sequer ou qualquer situação constrangedora. A Horny tem sido o espaço da diversidade, da liberdade e, sobretudo, do respeito.

Chegando aos doze meses de festa, isto é, ao completar um ano, nada mais justo do que uma pernoite no motel. Esta é a grande surpresa que a produção do evento vem preparando para a edição especial de aniversário: um motel foi fechado exclusivamente para a realização da Horny. Desta vez, haverá apenas uma pista, montada no pátio do motel, com nova iluminação e uma cama à disposição do público. Ademais, três suítes serão transformadas em darkrooms e algumas garagens estarão liberadas para quem quiser “se divertir”. A produção também preparou quatro performances para a noite. Como vai ser e o que pode (ou não) acontecer, só estando lá pra saber.  

Ao produtor e a toda a equipe da Horny, que, atualmente, chega a 25 pessoas por noite, da pista aos bastidores, o meu muito obrigado pela iniciativa e pela persistência (afinal, não é nada fácil manter uma festa desse nível, principalmente com todas as dificuldades que se encontra hoje, por parte do locador do espaço, dos alvarás de funcionamento, dos fornecedores, dos funcionários e até mesmo do público, que tem poder tanto de elevar um evento como de derrubá-lo). Os meus votos de muito SUCESSO e o meu desejo de que essa festa continue sendo um “fervo” por muito tempo! Que a nossa presença represente a nossa resistência e que a nossa união seja a nossa força!

Agora, chega de blábláblá e #partiu #horny1anonomotel!   

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