sábado, 27 de outubro de 2018

Jovem gay de BH é ameaçado com arma por suposto eleitor de Bolsonaro ao marcar encontro em aplicativo

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Quando a gente diz que o candidato Bolsonaro tem legitimado e estimulado o preconceito, o ódio e a violência muitos dizem que é mi mi mi. Quando a gente diz que a população LGBT já está sofrendo represália e está mais vulnerável em razão a esse discurso de ódio muitos eleitores do Bolsonaro também dizem que é mi mi mi. Quando dizemos que as vítimas dessa violência podem estar mais próximas do que imaginamos muitos eleitores do Bolsonaro também dizem que é mi mi mi. Mas fato é, e nada de mi mi mi, pelo contrário, que supostos eleitores do Bolsonaro, ou seja pessoas da população brasileira, estão agredindo LGBTs em nome dele. Duvida? Mi mi mi? Então, leia o que aconteceu com um jovem em Belo Horizonte há uma semana. Sim, em BH:

No último sábado, 20 de outubro, o jovem Luíz*, de 19 anos e estudante de Relações Internacionais, marcou um encontro com outro jovem (branco, de 24 anos) por meio do Grindr (aplicativo de encontros voltado ao público gay/LGBT). O encontro foi próximo à sua casa, no bairro Candelária, região da Norte de Belo Horizonte. Até aí, nada demais. Porém, ao encontrá-lo e entrar em seu carro, Luíz foi surpreendido com uma arma apontada em sua direção e a seguinte fala: "você tem cinco segundos para correr ou eu vou atirar".

Sim. Luíz teve sua vida ameaçada. "Assim que eu entrei no carro, ele apontou a arma pra mim", contou a vítima. Ao sair do carro, ele correu para um supermercado próximo e ao olhar seu telefone havia mensagens do então agressor. O conteúdo das mensagens? "Gostou da Surpresa?" "É Bolsonaro 17", "Bolsonaro Presidente", "Vai ser um viado a menos". Além das mensagens de conteúdo político, ainda aconteceu mais tortura e violência psicológica: "Pare de se movimentar, eu estou tentando te acertar". 

Luíz entrou para dentro do supermercado e ligou para seu pai para buscá-lo. Luíz deu uma desculpa e não contou o real motivo ao seu pai. Mais tarde, com a ajuda de um amigo, Luíz foi à uma delegacia e fez um Boletim de Ocorrência e deu entrada à uma investigação. Como esperado, após o ocorrido, o perfil do jovem agressor não existia mais no aplicaitvo, assim como, as mensagens.  

Em entrevista excluZiva ao Muza, Luíz disse que estava conversando com esse outro jovem há cerca de 4 dias pelo aplicativo. Em nenhum momento ele suspeitou que algo do tipo poderia acontecer, já que não conversaram sobre política e a conversa baseava-se apenas sobre o encontro em si. No dia da agressão, foi o jovem quem procurou Luíz e disse que tinha um local para eles poderem encontrar e ficar mais à vontade.

Luíz disse que, apesar do nervosismo da situação, a pessoa no carro parecia ser a mesma pessoa que encontrou havia conversado no aplicativo. Ela  parecia ter as mesmas características físicas das fotos enviadas. 

Luíz informou que dará andamento na investigação aberta para tentar encontrar seu agressor e que o mesmo seja punido. Inclusive, já solicitou ao Grindr para recuperar as conversas.

O Muza pode observar ao conversar com Luíz que o mesmo estava muito vulnerável neste encontro. Assim, o Muza pontua abaixo, algumas dicas que se deve ter antes mesmo do encontro com alguma pessoa, sobretudo neste contexto político atual no Brasil. 

Entendemos que no meio gay, infelizmente, algumas pessoas peçam muita descrição ao se relacionar com outra, mesmo que para algo momentâneo (seja por sua sexualidade não estar bem resolvida, seja porque a mesma tem inseguranças sobre si e até mesmo - infelizmente - utilizam esses aplicativos para trair namorados, namoradas, dentre outros motivos que se peça tanto "descrição"). Mas nos dias atuais, todo cuidado é pouco e vale a pena se resguardar:

- Peça mais fotos com quem conversa. Não estamos falando de nudes, ok? Mais fotos podem indicar a veracidade das pessoas. 

- Obtenha mais informações pessoais como nome, telefone/whatsapp e redes sociais, ao menos uma.

- Evite conversar apenas no aplicativo. Se assim for, dê prints nas conversas até encontrar com a pessoa. 

- Ao verificar a rede social de quem conversa, olhe com atenção a mesma e observe se não foi criada recentemente (poucas fotos, datas) e se as fotos ali permitem conhecer melhor a pessoa (fotos nítidas, fotos com outras pessoas, etc.). 

- Por meio da rede social, tente saber se o mesmo tem alguns amigos em comum.

- Faça o primeiro encontro acontecer em um local público, mesmo que de lá vá para outro local.

- Informe algum amigo ou amiga sobre a pessoa com quem irá encontrar e o endereço do encontro. 

- Após o encontro, combine com esse mesmo amigo ou amiga de dar um "ok" quando já estiver em casa ou o encontro tiver terminado. 

- Por maior que seja o desejo ou a vontade, não encontre com alguém que não saiba o nome ou outra informação pessoal e muito menos vá a esse encontro sem saber para onde vai. 

- Mentir, todos podem. Mas ao seguir as dicas acima as chances de evitar alguma "surpresa desagradável" é  maior. 

*o Muza a pedido da vítima manteve o seu anonimato e está usando o nome Luíz apenas para facilitar o relato do acontecido.