quinta-feira, 19 de julho de 2018

Novo espetáculo do Bacurinhas aborda o papel do masculino nas sociedades

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O Coletivo Bacurinhas apresenta, de 19 a 22 de julho, no Galpão Cine Horto, o espetáculo “Ópera Bruta”, aquele que o Muza havia comentado antes sobre sua idealização. Trata-se da nova criação do grupo, uma peça teatral dirigida por Juan Castrel. Em cena estão os artistas Ana Cecília, Fernanda Rodrigues, Manu Pessoa, Michelle Sá e Idylla Silmarovi.

Sinopse

Ópera Bruta, peça inédita do Coletivo Bacurinhas, lança um olhar e, principalmente, direciona a escuta para aquilo que nos soa masculino nas sociedades. As narrativas sobre o Homem e a partir do Homem, “palavra universal” no mundo patriarcal, são agora o objeto de reflexão numa inversão das normativas e estereótipos que precisam ser incendiados para a liberação de uma infinidade de corpos e masculinidades possíveis, plurais, diversas e atravessadas por múltiplas visões.

O que soa como ópera através dos duetos, trios e coros é constituído pelo que Eles dizem das coisas. Nos espaços de debate o desejo de ouvir o que há antes das ‘respostas’. Da música de falas “masculinas” à fragilidade redefinida em lascas, metais dos canteiros de obras e ruídos. Ópera, operação, operar. Bruto, não. Bruta.

Sobre o Bacurinhas

Coletivo de atrizes, performers, produtoras e pesquisadoras que têm como principal objetivo tratar das pautas dos feminismos no teatro. O coletivo se formou em 2014 com o espetáculo “Calor na Bacurinha” em uma investigação das feminilidades. De lá para cá circulam com esta peça e com ações como "Bacurinhas em Debate", "Bacurinhas em fexta", "BacuBanda" e "M.O.T.I.M". Em 2018, o grupo estreou seu mais novo projeto “PELADA - Campeonato Performático de Futebol” pelo Projovem Adolescente integrando a mostra artística e periférica TEATRO NA QUEBRADA. No mês de julho o coletivo estreia o seu mais novo espetáculo “Ópera Bruta” no Galpão Cine Horto. As Bacurinhas pretendem rever as construções de gênero e os respectivos papéis sociais determinados e, assim, reinventar caminhos, linguagens sociais e estéticas a partir do teatro. Fazer das lutas, das dores e das feridas, poesia e festa. E ‘’a revolução será debochada’’.

Ficha Técnica
Espetáculo Ópera Bruta
Direção: Juan Castrel
Atuação: Ana Cecília, Fernanda Rodrigues, Manu Pessoa, Michelle Sá e Idylla Silmarovi.
Dramaturgia: Idylla Silmarovie João Maria Kaisen
Direção Musical: Josi Lopes
Arranjos: Bruno Souza Banjo
Trilha Sonora: Carou Araujo e Manu Ranilla
Preparação Corporal: Rafael Lucas Bacelar e Thales Brenner Ventura
Coreografia: Thales Brenner Ventura
Figurino: Thales Brenner Ventrura
Cenografia - adereços: Jordana Ferreira
Projeção Audiovisual: Paula Kimo
Iluminação: João Maria Kaisen
Arte gráfica: Alexandre Hugo
Assistente de produção: Lui Rodrigues
Assessoria de Imprensa: Helga Prado
Realização e Produção: Coletivo Bacurinhas

Serviço
Espetáculo Ópera Bruta – Coletivo Bacurinhas
Data: 19 a 22 de julho de 2018
Horário: Quinta a sábado, às 21h; e domingo, às 19h
Local: Galpão Cine Horto – Rua Pitangui, 3613, Horto, BH
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada) na portaria ou clique aqui para comprar.
*Classificação: 18 anos I Duração: 70 minutos I Gênero: Teatro Contemporâneo



Por João Maria Kaisen e Idylla Silmarovi

Cada parte significa e tem significado. Para alguém pode ser nada e nenhum, para outro pode ser tudo e todo. Como eu diria, digo.

Variedade de corpos. Infinidade de corpos. Corpo. Partes do corpo. Dominação, submissão, vulnerabilidade tóxica anti-crime. Amor que justifica violência. Condicionamento?

Machismo e Racismo. Misoginia e Feminismo. Transfeminismo. Temporalidade, corporeidade, buraco; olhos, ouvidos, ânus. Vestígio. Viagra way of life homogêneo e fatal. Poder, armadilha fálica. Fálico, falo, insegurança. Desejo, sexualidade, travessia. Inversão temporal, capital. Atravessa. Dispo-me de mim para dizer do outro. Quais perguntas? AMA. Associação Machistas Anônimos. Fanatismo sedutivo CIStemático. Somático.  Abdicar privilégios, investir. Discurso repete replica, tecnologia. Ocupação de grandes espaços sem subterfúgios. Pernas abertas no ônibus, virilidade, força. Homem, macho, másculo, masculinidade. Provedor, guerra, abandono. Padrão, borbulhão, provocação. Ritornello palestra prólogo trios duetos e coros discursos, respostas? Não há respostas. Música, ruídos, mecânica, furadeira, britadeira, canteiro de obras. História combatente. Intrínseco combate. Operação que te leva em instantes sem ou com consoante. Dissonante. Torturante. Displicente. Sem alcance. Coadjuvante. Hesitante. Mais um integrante dessa onda de saltos e amantes.

Depoimentos

"Como artista e feminista, participar da criação do espetáculo Ópera Bruta na pesquisa sobre masculinidades reverberou em mim como uma reconciliação. Despir dos ‘pré- conceitos’ impostos pelo patriarcado, abrir a escuta, buscar na masculinidade beleza e fragilidade, trouxe pra mim uma perspectiva menos separatista e até um pouco mais de esperança na busca por um mundo onde as relações de gênero não sejam tão definidas e opressoras. A escolha do coletivo de falar sobre esse tema me parece uma necessidade de refletir como artistas desta época e sobre as questões sociais pulsantes neste território. Porém, mesmo em atitude porosa para receber o material bruto, esse espetáculo carrega as nossas impressões e vivências naquilo que nos afeta”, revela a atriz Manu Pessoa.

"Enquanto feminista eu acredito que, a partir do momento que entendemos que essa construção de gênero vigente não deu certo, devo me colocar num lugar de rever isso, tanto em relação ao gênero feminino quanto ao masculino. No caso da Ópera Bruta nos propusemos a pensar nas masculinidades a partir da nossa ótica, a ótica de quem mais sofre com as opressões de gênero – as mulheres e os LGBTs. Obviamente não representaremos todes com esse espetáculo, e nem desejamos isso. Muitas pessoas esperam que o feminismo dê conta de tudo, mas desculpe decepcionar vocês, não damos conta de tudo, não queremos dar conta de tudo. E nós, Bacurinhas, em Ópera Bruta, levantaremos algumas questões, pois nos interessam mais as questões do que as respostas”, diz Michelle Sá, também artista da peça.

"No processo de criação das musicalidades dos textos que ressoam na realidade cotidiana usando como veículo de comunicação os corpos e a potencialidade sonoro-musical e vocal-corporal de cada atriz do coletivo, experimentamos um desejo latente de desconstrução do gênero musical ópera, tal qual a desconstrução de gêneros da forma que conhecemos hoje. Todas cresceram durante o processo, cada uma em seu tempo, respeitando as individualidades e o grupo”, destaca a diretora musical, Josi Lopes.