segunda-feira, 2 de abril de 2018

Exposição de artistas trans, travestis e intersex começa nesta semana em BH

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Imagens acima do artista Gael Benitez

Na próxima quarta-feira, 4 de abril, começa em Belo Horizonte e segue até o dia 27 deste mês, a exposição “Bajubá em Movimento”. A exposição reúne trabalhos de várias artistas trans, travestis e intersex, residentes e resistentes em sua maioria na capital mineira. 

A exposição está constituída de cerâmicas, fotografias, pinturas, desenhos, colagem e performances. A exposição também apresentará uma série de atividades “extra-ordinárias”, como shows, bate papo, leilão e a construção de um mural na rua, entre outros. 

João Maria Kaisen  é o primeiro curador transmasculino e intersexual em Belo Horizonte e, em conjunto com Guilherme Morais, apresenta uma exposição com 100% de artistas trans, travestis e intersex, trazendo visibilidade, representatividade e ampliando o mercado com novos artistas da cidade. 

Bajubá é um dialeto, é uma expressão da linguagem LGBTQI+, especialmente entre travestis e pessoas transexuais e transgêneras. Colocar o bajubá em movimento significa ocupar espaços comumente negados, é protagonizar as histórias fora do eixo da margem imposta, é movimentar para que haja ampliação de territórios, de reconhecimentos, é estar e pertencer enquanto CULTURA.

Artistas 'fixas'
Babi Macedo 
Ágata Marcques
Andrew Rocha
Gael Benitez
Maya Braga

Artistas em 'transição'
Brisa Alkimin
Caio Jade
Cléo Ventura
Juhlia Santos 
Lázaro dos Anjos 
Nickary Aycker 
Rodrigo Carizu 
Sthephanny Di Monaco
Titi Rivotril
Carlos Amorim
Jocosa Aguiar 
Cristal Lopez
Caiotic
Ed Marte (arte queer)
Vitor Fernandes

Arte gráfica: Luci Universo

Por quê fazer uma exposição desta forma? Por que apostar na representatividade?
Abaixo, os curadores Guilherme Morais e João Maria Kaisen explicam:

"Segundo o Relatório da Violência Homofóbica no Brasil publicado em 2016 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, o Brasil segue como líder mundial em homicídios de pessoas trans. 

De acordo com a Antra - Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a cada 48 horas uma pessoa trans ou travesti é assassinada no país que também lidera o ranking de tentativa de homicídio, suicídio, violação de Direitos e consumo de pornografia.

A ideia da BAJUBÁ EM MOVIMENTO é ultrapassar as barreiras do preconceito com o desconhecido e aproximar, convidar e COM-VIVER entre as diferenças. 
Vamos ocupar juntes e em parceria com a galeria Quarto Amado, situada no coração da Savassi, região privilegiada e elitista.

Diante da demanda política de pesquisa sobre o modo de organização social 
cisheteronormativobranco vigente e, tendo em vista a pressão simbólica (coletiva e individual) para o exercício do gênero binário, homem-mulher, de acordo com os padrões convencionais e suas conseqüencias sobre os corpos, a realização da exposição “BAJUBÁ EM MOVIMENTO” aparece como prática estratégica de resistência e combate ao preconceito e também às normativas. 

--Abordamos essa questão de forma a ampliar o campo de discussão sobre a atuação artística, cultural e sua demanda urgente. 
--A descentralização da ideia de arte, trazendo para o centro (galeria) a população que foi marginalizada.
--A representatividade de artistas trans, travestis e intersex vem como uma reflexão de como os debates de gênero/sexualidade perpassam pela arte e a cultura.

Ainda consideramos importante o debate político em torno e através dos Direitos Humanos, no contexto histórico atual do Brasil, em que os diálogos sobre o respeito à diferença e as manifestações de especificidades no exercício de indivíduos postos à margem por grande parcela da população, instituições, discursos e ideologias – seja no campo da sexualidade, classe, etnia e gênero. E, portanto, em como a cidadania dessas pessoas é diretamente atingida e violada. 

Observamos que a educação sexual, bem como a educação pelo respeito às alteridades, ainda é uma barreira no Brasil, bem como o projeto democrático que passa por vários golpes, o que dificulta cada vez mais a aproximação nos espaços que garantem acesso aos Direitos Humanos. 

Queremos reconhecer e visibilizar o direito ao trabalho e à representatividade da população trans, travesti e intersexual. 
Aqui serão evidenciadas suas escolhas de linguagem, estética e política. 
Na arte, no corpo, bem como nas suas possibilidades sociais".

Serviço 
Exposição coletiva “Bajuá Em Movimento”
Período: 4 de abril até 28 de abril
Horário de visita: 14h às 20h
Local: Galeria Quarto Amado (Rua Antônio de Albuquerque, 384, Savassi, Belo Horizonte) 
Entrada: gratuita
Censura: 18 anos