quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Alerta: Jovem é vítima de homofobia ao ir embora de balada em BH

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Na madrugada de domingo para segunda-feira, no último final de semana, um jovem foi agredido violentamente em Belo Horizonte. O motivo? Homofobia. 

Pedro Vasconcellos, de 32 anos, que é Visagista, estava retornando para casa sozinho, de madrugada, e a pé do bar Mineiro Bill, localizado no bairro Padre Eustáquio e freqüentado pelo público LGBT de BH, quando  foi surpreendido e atacado violentamente por três homens, na avenida Pedro Segundo, na altura do Clube Sparta.  


A Agressão

Pedro não sabe o que motivou a agressão deles. Ele não recorda o início do ataque, já que estava alcoolizado, mas que quando deu por si, já estava sendo agredido fisicamente e ouvindo xingamentos homofóbicos:

“Estava muito alcoolizado, voltei a mim quando já estava apanhando muito. Muitos chutes na cabeça. Eles me chamavam de coisas como `viadinho de merda´, `bicha que se acha tem que levar na cara´ e `corre mesmo viadinho´. Foi quando eu levantei e saí correndo pelos carros (na avenida) pedindo socorro”.


O  Socorro

Ao procurar ajuda, Pedro foi socorrido por um casal, mas mesmo assim, um dos agressores conseguiu bater mais nele:

“Segundo o casal que me resgatou, ele me alcançou e conseguiu me bater mais ainda, porém, não estava mais com os outros dois. Estava um só. Dizem que eu estava sagrando muito e alcoolizado. Ainda estou muito chocado! Não sei como ainda tem gente assim”.

Ajuda profissional

No dia seguinte, Pedro foi à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e à Polícia para fazer o Boletim de Ocorrência (B.O.), mas ressaltou que não havia preparo dos profissionais para lidar com o perfil da vítima e a motivação das agressões. No B.O., em um dos registros, chamam Pedro de Tiago, o que, segundo ele, ilustra o descaso com que foi tratado. Pedro quebrou o nariz durante a agressão:

“Não quis ir ao médico na hora, fiquei muito assustado e com medo, fora a vergonha. Então, fui ontem, depois de digerir tudo. Acho que ainda estou digerindo... Segundo a policial, como eu estava bêbado e não lembro, ela (a agressão) não caracteriza homofobia, que eu posso ter mexido com algum deles, e então `revidaram´... acredita que ouvi isso fazendo o B.O.? Ainda não estou acreditando, como se isso desse o direito aos 3 espancarem um cara alcoolizado, sem reflexos e totalmente vulnerável.  O que me faz pensar que foi por homofobia é porque eles me espancaram, mas não me roubaram nada”.

E agora?

Diante do acontecido, Pedro ainda está se recuperando e espera que relatar o seu caso publicamente sirva de alerta às pessoas LGBT e aos órgãos competentes. Por isso não optou pelo anonimato ao relatar o caso com excluZividade ao Muza:

“Estou correndo atrás de cuidar de mim, através da ajuda de clientes, amigos e amigas. É muito delicado, mas ficar calado vai fazer isso nunca acabar, e os órgãos não saberem lidar conosco, como tem sido meu caso desde a madrugada de domingo. Ajudando as pessoas já é algo bacana! Já os polícias, assim com os funcionários da UPA, precisam de preparo, e serem mais humanos em um momento tão delicado”.

As fotos que tristemente ilustram essa matéria foram enviadas pelo próprio Pedro e foram tiradas no dia do acontecido.