quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Dissertação de mestrado da UFMG mostra preconceito em aplicativos de encontro gay

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Olha que interessante! Uma dissertação de mestrado da UFMG investiga formas de exclusão e preconceito em aplicativos voltado para homens com práticas homossexuais, como o Grindr. 

Para entender quem são os usuários desses aplicativos, o pesquisador da UFMG Ettore Stefani se empenhou em analisar os usuários do app de encontro gay Grindr, que tem mais de 3 milhões de membros ativos mundialmente. A pesquisa, que investiga como os usuários privilegiam determinados perfis a outros, rendeu a dissertação de mestrado em Comunicação Social que será apresentada em fevereiro na UFMG. 

O pesquisador Ettore Stefani
Sobre a pesquisa

Após investigar fotos e descrições de usuários e conversar com os homens que usam o Grindr, o pesquisador percebeu que comportamentos homofóbicos, machistas e sexistas não são raridade no aplicativo. Além disso, homens brancos, musculosos ou jovens costumam ter mais “valor” para uma possível interação, o que colabora para propagar preconceitos, tanto velados quanto explícitos.

“Percebi, durante minha pesquisa, que este cenário mostra como as convenções de gênero e sexualidade são fortes em nossa cultura, atingindo também homens que mantêm relações afetivas e sexuais com outros homens”, explica. Mesmo vulneráveis por ter orientações e práticas sexuais não heterossexuais, o pesquisador conta que muitos usuários do Grindr acabam por agir a partir das mesmas normas que os excluem socialmente.

O pesquisador revelou ao Muza com excluZividade os motivos que o levaram a trabalhar esse tema: "primeiramente, porque eu sou gay e me considero fora de alguns padrões de masculinidade. Então, fiquei interessado em entender este meio que pode ser preconceituoso", detalhou, acrescentando o interesse acadêmico por essa área, relacionada aos aplicativos, ainda ser pouco estudada academicamente na comunicação. "Eu acredito ser importante entender o papel das mídias digitais na conformação de normas de gênero e sexualidade", explicou Ettore.

Sobre o Grindr e aplicativos 

O Grindr tem como principal público homens gays que buscam encontros afetivos e sexuais. Embora a tecnologia digital tivesse tudo para ser um ambiente transgressor e igualitário, o pesquisador revela que alguns tipos de perfis ainda têm a preferência dos usuários. “Aqueles homens que enaltecem ideais de masculinidade, virilidade e heterossexualidade costumam ser mais aceitos e a ideia de ‘não curto e não sou afeminado’ acaba sendo perpetuada por lá”, reforça Ettore Stefani. Pesquisa da CONECTAí Express aponta que um em cada cinco brasileiros faz uso frequente dessas tecnologias e os usuários chegam a passar quase uma hora por dia trocando mensagens entre si nesses ambientes.

Serviço 

A dissertação de mestrado será apresentada dia 06 de fevereiro, às 14h30, na Faculdade de Ciência e Filosofia (Fafich), na UFMG. Quem tiver interesse, poderá comparecer ao local.