terça-feira, 8 de agosto de 2017

Participantes e Organização da Parada LGBT de Contagem denunciam ação violenta da Polícia no evento

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No último domingo, 6 de agosto, aconteceu a 13ª Parada do Orgulho LGBT de Contagem, organizada pelo Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Contagem (CELLOS Contagem) com apoio da própria Prefeitura. O momento que era para ser motivo de celebração e orgulho, se tornou um momento de medo e violência para alguns. 

Segundo relatos nas redes sociais, a Polícia Militar presente estava agredindo gratuitamente alguns casais e jogando gás de pimenta para dispersar a multidão no final. O Cellos Contagem deu força as vozes e emitiu uma nota de repúdio à “Polícia Militar de Minas Gerais pela ação truculenta e desproporcional durante a dispersão dos participantes da manifestação na Avenida João César de Oliveira no bairro Eldorado” (leia a nota abaixo na íntegra).

Em um dos relatos abaixo, consta agressão contra mulheres e chega a chamar a PM de de machista, homofóbica e racista. Outro relato diz que a polícia estava jogando gás de pimenta nos participantes. 



Em reportagem do portal O Tempo a PMMG informou que outra situação ruim relativa à Parada de Contagem foi relatada: um jovem alegou que a PM  negou "a denúncia referente a conduta dos policiais militares durante a Parada LGBT em Contagem foi encaminhada para a Subcorregedoria da 2ª Região da PMMG que adotará as medidas necessárias para a apuração dos fatos".


NOTA DE REPÚDIO DA ORGANIZAÇÃO DA 13ª PARADA DO ORGULHO LGBT DE
CONTAGEM

Diante dos acontecimentos após o encerramento do ato público às 19:30 no dia 06 de agosto de 2017, o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual – Cellos Contagem vem a público manifestar seu repúdio à Polícia Militar de Minas Gerais pela ação truculenta e desproporcional durante a dispersão dos participantes da manifestação na Avenida João César de Oliveira no bairro Eldorado e presta os seguintes esclarecimentos:

1. A Parada do Orgulho LGBT de Contagem é uma manifestação política e de livre expressão. É um ato público com objetivo de dar visibilidade às lutas do movimento social na garantia e ampliação de direitos, no enfrentamento ao preconceito e violência em razão da orientação sexual e identidade de gênero, na promoção da cidadania e efetivação de políticas públicas para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais;

2. A organização, desde 2005, é de responsabilidade do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Contagem– Cellos Contagem. A entidade organizadora realizou várias reuniões comórgãos do poder público para garantir a segurança dos participantes e o direito de manifestação na Avenida João César de Oliveira, a principal avenida da cidade. A estrutura do ato envolve vários setores da Prefeitura de Contagem: Transcon, Guarda Municipal, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, Secretaria de Defesa Social, Fundação Cultural de Contagem e Secretaria de Saúde. Conta ainda com Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. O detalhamento da organização é debatido e definido na Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais (COMOVEEC)
.
3. A organização cumpriu com todos os acordos firmados com os órgãos competentes e não excedeu os horários de saída e chegada da passeata e a finalização do ato impreterivelmente às 19:30. Mesmo com muita crítica de parte dos participantes e incerteza da efetividade por parte dos organizadores, o Cellos Contagem aceitou a definição da Polícia Militar de fechar temporariamente a área da concentração, de 13:00 às 16:00, para revista dos manifestante buscando evitar a entrada de armas e objetos, como garrafas de vidro, que pudessem ser usados para agredir fisicamente as
pessoas.

4. A passeata de 16:00 às 18:00, principal característica da manifestação, foi totalmente aberta ao público e assim permaneceu até às 19:30 quando encerrado. Percebemos no período de 13:00 às 19:30 (seis horas e trinta minutos de atividades políticas e artísticas) uma ato público pacífico, colorido e politizado e, comparado à edições anteriores, bem mais tranquilo. Tivemos algumas ocorrências pontuais que não comprometeram o caráter da Parada do Orgulho LGBT.

5. Infelizmente, após o encerramento oficial pela organização, entre 19:30 e 20:00, momento de dispersão do participantes, ocorreram uma séries de agressões da Polícia Militar aos manifestantes ainda presentes. Vários relatos e vídeos de violência física e verbal foram veiculados nas redes sociais e denúncias foram encaminhadas à organização até mesmo de omissão de socorro. Atitudes que partiram daqueles que estão ali justamente para “proteger” os cidadãos. As armas para agressão,
justificativa usada para fazer revista do público, vieram justamente das forças de segurança pública: cassetete e spray de pimenta.

6. A organização lamenta profundamente os acontecimentos na finalização da 13ª Parada do Orgulho LGBT . Somos solidários com pessoas agredidas e comunicamos a notificação dos órgãos de defesa dos Direitos Humanos e a própria Polícia Militar para a apuração rigorosa dos fatos.

Militantes do Cellos Contagem