sexta-feira, 26 de maio de 2017

Peça de Teatro “Happy Hour” estará em cartaz neste final de semana

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Acontece neste final de semana exibição da peça de teatro “Happy Hour”, da Mayombe Grupo de Teatro, que promove uma “tour labiríntico pelo imaginário masculino, criado socialmente entre a tradição e o cotidiano, entre micro e macro universos, entre o disfarce cômico e a violência cruel”.

Sinopse

O encontro ocasional de dois homens para um Happy Hour acaba desencadeando um duelo vicioso cercado de discursos de autoafirmação, estereótipos e conceitos pré-moldados. 
O esforço de ambos em manter a todo custo uma simbologia do “masculino”, aos poucos, evidencia como o exercício doente dessa manutenção enraíza e incita a violência. No caminho que percorrem, as piadas, as provações e as discursos pertencentes ao imaginário machista são destrinchados, enquanto os próprios personagens se revelam como exemplos dessa sociopatia. 

O crepúsculo do Macho

Com mais de duas décadas de trajetória o Mayombe Grupo de Teatro se renova e, ao mesmo tempo, reafirma sua identidade com Happy Hour.  O trabalho será o primeiro, em 22 anos, a não contar com a direção de Sara Rojo, fundadora do coletivo. 

Sara, que em 2016 dirigiu A Mulher que Andava em Círculos (solo de Marina Viana e trabalho anterior do grupo), chegou até a se envolver no processo de Happy Hour, mas assumiu uma posição de observadora quando entendeu a importância de um direcionamento masculino no texto de Éder Rodrigues. 

“Quando iniciamos os trabalhos em torno desta montagem, a única certeza que tínhamos é que pisávamos num campo minado” explica Éder. “Se a priori, trazer à tona a incorporação do machismo no imaginário social como algo naturalizado, pertencente e assustador pareceu óbvio, percebemos, durante este percurso que, na verdade, não era tão óbvio assim”. Ele, que é parceiro do Mayombe a mais de 10 anos, desta vez não assumiu apenas a dramaturgia, mas também a direção do trabalho, que divide com Sérgio Nicácio (também autor da trilha sonora do trabalho).

Em cena, Didi Vilela e Fabrício Trindade completam o núcleo artístico do espetáculo. A hegemonia masculina não é um acaso. Confirmando sua vocação política, crítica e engajada, desta vez as armas do Mayombe estão apontadas justamente para a identidade masculina e sua construção social. 
Se os discursos feministas se tornam, na atualidade, cada vez mais potentes e afirmativos, coube aos homens do Mayombe, inseridos nesse contexto, investigar seu lugar de fala, olhando corajosamente no espelho e apontando, sem indulgência, para as sociopatias machistas.

Para Éder, abordar, em Happy Hour, os temas complexos envolvendo o imaginário do “macho” exigiu um mergulho nas raízes do problema. “Percebemos que tínhamos que começar do começo. Esta peça é o nosso começo. Desvela como aquela conhecida, tradicional, familiar e amistosa piadinha de ordem machista vai sendo incorporada ao meio e vínculos, e também mostra como a linha é muito tênue entre a brincadeira circunstancial e a violência desmedida. O dedo que puxa o gatilho é apenas um. Mas o inconsciente que levanta as armas e incita ao tiro não.”  

Riscos e Urgências

Éder Rodrigues e Sérgio Nicácio são parceiros de longa data do Mayombe. Mas Fabrício e Didi também já constroem sua história ao lado do coletivo. Didi estreou com o Mayombe no espetáculo Klássico com K (2013) e Fabrício foi responsável pela assistência de direção de Sara Rojo em A mulher que Andava em Círculos (2016). 

Resultado do encontro destes artistas, Happy Hour teve um processo longo e, segundo Éder, bastante complexo: “Pensamos em desistir o tempo todo. Porém, as estatísticas crescentes em torno de pessoas dizimadas, escondidas atrás do cinismo e da hipocrisia, urgenciaram a montagem”. Depois de dois anos de trabalho, a estreia finalmente acontece no Espaço 171, local que sedia o Mayombe desde 2016. 

Happy Hour é a partilha de um problema. Dentre as diversas formas de tratá-lo, o Mayombe optou por aquela em que não se poupa, buscando tencionar os agentes de um guerra incitada diariamente. E se a violência masculina é consciente ou não, para Éder, não importa. “O sangue continua sendo derramado no chão de nossas certezas, e a arte é a nossa arma contra a barbárie”. 

Ficha Técnica
Direção: Sérgio Nicácio e Éder Rodrigues 
Assistente de Direção: Fabrício Trindade
Atores: Didi Vilela e Fabrício Trindade
Dramaturgia: Éder Rodrigues
Iluminação: Marina Arthuzzi
Trilha Sonora: Sérgio Nicácio
Vídeos: Marco Vieira 
Cenário/Direção de Arte: Lúcio Honorato
Fotografia: Tomás Artuzzi 
Designer Gráfico: Fabrício Trindade 
Assessoria de Comunicação: Felipe Cordeiro e João Santos 
Operador de luz e som: Denner Moisés
Produção: Marina Arthuzzi 

Serviço
Teatro Happy Hour
Datas e horários: 26 a 18 de maio (sexta e sábado 20h, domingo 19h).
Local: Teatro 171 (Capitão Bragança, 35, BH) 
Ingresso: R$ 20 – clique aqui para comprar