quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Entrevista com Lia Clark: “sofro o preconceito básico da sociedade ignorante que não suporta gay”

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Lia Clark no show feito em BH em novembro (Foto: Underlight - Danilo Silva)

A cantora Lia Clark, responsável pelos hits no meio LGBT “Trava trava” e “Clark Boom” em todo o país, foi a  atração principal da festa de 7 anos da produtora @bsurda, responsável por algumas das melhores festas LGBT de BH, que aconteceu em novembro.

O Muza esteve presente e antes do show de Lia Clark realizou uma entrevista excluZiva com ela, que você pode ler na íntegra abaixo. No bate-papo, feita pelos nossos correspondentes Daniel & Arthur, Lia falou sobre o sucesso repentido, seu envolvimento no mundo da música e sobre como lida com o preconceito contra os LGBT.

Muza - "Trava, Trava" foi um sucesso instantâneo no meio gay/LGBT... Imaginava isso?  Como se sentiu com o sucesso e alcance tanto da música quanto do videoclipe?

Lia Clark - Na verdade eu não imaginava nada. Quando eu gravei o “Trava Trava”, a música e o vídeo, eu esperava que algumas pessoas iam ver... e...  sei lá, depois de 5 anos teria umas 50 mil visualizações (o vídeo tem mais de 2 milhões de visualizações). Mas graças a Deus, deu no que deu e eu fico muito feliz. 


O clipe também é muito bem produzido. Fale para nós como foram os processos de criação da música e do clipe.

Então, eu gravei com um amigo que tinha feito um ensaio fotográfico comigo. Aí eu falei com ele “eu tenho uma música, vamos gravar um clipe?” e ele estuda cinema. A gente não tinha um centavo. Eu não gastei nada com esse clipe. Tipo assim, a gente foi pra praia, foi para um lugar X, para o estúdio da faculdade dele... ele arrasou na edição. Não é uma super produção, mas é bem feito e eu fico muito feliz com o resultado. 


E sobre "Clark Boom"? A música inicia com um rap famoso dos anos 90... de quem foi a ideia?

Foi ideia do meu produtor. A gente queria algo bem legal pra esse começo e aí ele pensou nesse rap famoso e aí a gente usou. É um sucesso. Quando começa no show, todo mundo começa a gritar muito. Muito legal.


Quando imaginou que viraria cantora ou artista em sua vida?

Nunca bee! Era meu sonho. Mas sabe aquele sonho, que você pensa e fala “tá, eu tenho esse sonho, mas nunca vai realizar, nunca vou ter um show, nunca vou ter uma música...” e Bee eu fico chocada porque agora eu tô aqui, tô com um EP e graças a Deus as pessoas estão cantando as músicas. Tô com clipe e fico muuuuuuuuito feliz. Nunca imaginei na minha vida. Assim, então, se chegassem pra mim há cinco anos atrás e falassem que eu ia ter uma música famosa... eu falaria “até parece viado!”. Mas muito obrigado a todo mundo. 

Você lançou há pouco tempo o EP "Clark Boom". Como foi o processo de criação? Qual sua expectativa com ele?

Foi muito legal. Eu usei minhas férias pra gravar, porque eu trabalho ainda, dia de semana. Então eu ficava compondo no meu trabalho, na hora do almoço. Daí eu sempre mandava tudo para o meu DJ. Aproveitei minhas férias do trabalho para eu gravar e foi muito legal. Porque a gente vê as coisas tomando vida, os ritmos... e grava a voz, e grava de novo... e tem ideia no meio da gravação.. e é muito legal, muito criativo. E a minha expectativa é que as pessoas escutem. Eu quero que elas escutem antes de ir para a balada, na balada... eu fico muito feliz com o resultado. Eu amo muito todas as músicas. 


Você lida com muito preconceito no dia a dia? Mesmo após ter se tornado “a Lia Clark”?

Eu não sofro tanto. Apresa do que eu sou quase uma menina... mentira, eu sou uma gay bem afeminada, eu não sofro tanto preconceito. Eu acho que é meio feio eu falar isso, mas eu acho que eu sofro o normal sabe? Uma olhada ali, um xingamento ali...  nunca quase apanhei, nada, graças a Deus. Mas pode ser que venha acontecer um dia, mas atualmente tenho (sofro)  preconceito básico da sociedade ignorante que não suporta gay. E eu fico triste quando eu vejo qualquer notícia de pessoa que apanhou por ser gay, por ser transexual... essas coisas. Eu fico realmente muito triste. 

Qual sua reação se você sofresse um preconceito maior?

Eu ignoro. Eu não gosto de arranjar confusão. Eu não rebato. Deveria rebater? Talvez. Mas eu não rebato porque eu ainda tenho medo e não quero causar problemas na minha vida e eu prefiro ignorar.

Lia Clark no show feito em BH em novembro (Foto: Underlight - Danilo Silva)

Você tem feito muitos shows ao longo do Brasil...  o que tem percebido sobre a situação dos LGBT que tem encontrado? As pessoas estão mais felizes, tristes, preocupadas...?  

Pelo menos nos lugares que eu vou, eu acho que estão as pessoas mais animadas do mundo. Eu acho que elas estão nem aí, elas só querem curtir a vida. O problema é as pessoas que tem preconceito. As pessoas das baladas que eu frequento só querem ser felizes, curtir a vida e serem quem elas são de verdade. É só isso que eu percebo. 

O que podemos esperar da Lia Clark no futuro?

É uma incógnita pra mim. Eu não gosto de pensar muito no futuro. Eu gosto de tentar viver o momento, mas é inevitável não pensar no futuro. Então, eu espero gravar muito mais músicas. Eu espero arrasar. 

Qual mensagem você gostaria de deixar para as pessoas que te seguem e admiram?

Eu quero mandar um beijo para todo mundo do Muza. Eu espero que vocês ouçam meu EP, que vejam meus vídeos, que vocês se divirtam muito e sejam felizes. Não se preocupem com as coisas que falam de você. Sejam o que vocês são.