quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Saiba tudo sobre a palestra que aconteceria em BH sobre “Como prevenir e reverter a homossexualidade”

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Desde segunda-feira, os LGBT e a militância LGBT de Belo Horizonte está indignada e atuante na internet e redes sociais em razão a divulgação da palestra com o tema “Como prevenir e reverter a homossexualidade”. O Muza reúne para você todas as informações sobre o caso. 

A polêmica – LGBTfobia em forma de palestra

A tal palestra seria realizada amanhã, 24 de novembro, na Igreja Batista Getsêmani, região da Pampulha,e ministrada pela a pastora Isildinha Muradas, que na divulgação era apresentada como psicopedagoga. 

Após o conhecimento desse evento, como dito no início, a militância LGBT e os próprios LGBT de BH se mostravam atuantes e conseguiram fazer até com que a própria Isildinha deletasse seu perfil no Facebook, tamanha a revolta e indignação manifestada lá. 

Retratações – Não é bem assim... será?

Após o escândalo, Isildinha deu diversas entrevistas dizendo que não era bem isso e até emitiu uma Nota de Esclarecimento, também por meio de vídeo.  A palestra original, segundo ela, seria “Orientando pais sobre a sexualidade de seus filhos” e que tal arte foi alterada sem seu consentimento ou conhecimento. 


Mas fato é, que por trás de qualquer título que a palestra possa ter, em entrevista ao jornal O Tempo, Isildinha declarou: “Eu sigo a Bíblia. Deus fez homem e mulher e como tal devem ser criados. Não tenho nada contra a orientação de ninguém, mas os pais têm a autoridade espiritual dada por Deus para criar meninos como meninos e meninas como meninas. Quando forem adultos, cada um faz o que quiser”.

Por fim, a própria Igreja Batista Getsêmani emitiu também um nota de esclarecimento e a palestra foi adiada. Até o pastor Jorge Linhares, pastor-presidente da Igreja Bastista Getsêmani em BH, emitiu uma nota por meio de vídeo no Facebook no qual chega a dizer: “Quem é o homofóbico? A igreja não é! Nós temos coisas mais importantes para nos preocuparmos... E tem gente preocupada com o que está fazendo com seus órgãos sexuais? Isso é um problema seu. Você faz o que quiser com seus órgãos sexuais. Uma coisa eu sei. Jesus Cristo ama todos nós”. 



Repercussão e punições 

O caso tomou tanta proporção que a Associação Brasileira de Psicopedagogia Seção Minas Gerais, em nota, afirmou que Isildinha não é parte de seu eus quadros e que a instituição é contra qualquer tipo de discriminação. Até a Comissão de Diversidade Sexual da OAB­MG está avaliando se Izildinha possa ser processada por exercício ilegal da profissão.

A repercussão do caso foi tanta que até o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) divulgaram nota de repúdio à discriminação :

“Prevenir e coibir ações que se referem às pessoas homossexuais como portadoras de qualquer desordem psíquica, física e/ou moral é um dever de todos, uma vez que o respeito à dignidade de cada indivíduo é de fundamental relevância não apenas para as pessoas homossexuais, mas para todos os cidadãos como sujeitos de direitos e detentores de deveres para com a convivência em sociedade”


O que podemos aprender com isso?

Além do adiamento do evento em si e as devidas retratações, o principal, ou o destaque, é mostrar que os LGBT possuem força em suas articulações e manifestações. Desta forma, esse caso deve servir de estímulo para que o movimento LGBT e os próprios LGBT continuem atentos e atuantes contra qualquer tipo de LGBTfobia ou discriminação. Seja em BH, no Brasil ou mesmo em qualquer outra parte do mundo. É uma força que não pode ser ignorada ou desperdiçada para a busca e realização da cidadania como um todo.