segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Entrevista excluZiva com Acid Betty (RuPaul´s Drag Race): "Brasil deve ser o país com os maiores fãs do programa"

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Acid Betty em BH


Belo Horizonte recebeu mais uma drag queen que participou do RuPaul´s Drag Race: Acid Betty, uma das participantes das 8ª temporada. A queen foi atração especial da super festa Eleganza, que aconteceu em BH no dia 8 de outubro e tem se tornado referência na cidade quando se fala em drag party. 

O Muza esteve presente e realizou uma entrevista excluZiva com  Acid Betty que você pode ler, na íntegra, abaixo. 

Betty já havia nos surpreendido no palco, com uma abertura de tirar o fôlego e presença simpática, contrariando uma possível imagem negativa dela no programa. Na entrevista, ela continuou surpreendo positivamente. Se sentiu tão a vontade que falou até de política com a gente. Se joga! ;)

Muza – É a sua primeira vez no Brasil. O que está achando? O que tem a dizer sobre nosso país, nossas pessoas...?

Acid Betty - Sim, é a minha primeira vez. É realmente fantástico. Eu achei uma cultura amigável e maravilhosa. Mas me chamou a atenção essa comunidade enorme de drag queens, que se apóiam... Há uma espécie de energia secreta em relação a isso que deveria ser exposta (para o mundo). É realmente fantástico. 

Você sabe que hoje a festa é uma espécie de "drag party"...

Sim, eu sei. As drag queens aqui são criativas e talentosas pra caralho! E isso não é normal (risos)... eu sou de Nova York e lá tem umas 300 e eu acho que não vi lá o que estão fazendo aqui.  

Uau! Então, você teria algum conselho para dar para as drag queens daqui ou que estão começando? 
O mesmo conselho: seja você mesmo. O que você está fazendo é corajoso. Tente achar o que te faz feliz. Eu acho que essa é a chave. 


Como foi para você ser fazer parte do RuPaul´s Drag Race?

O que você quer dizer? Essa é uma pergunta grande (risos) É quase como “como é estar vivo?” (mais risos)... eu conhecia o rupaul e algumas das garotas antes do programa da TV.. então eu não tive a mesma reação que outras pessoas tiveram... sou de uma escola mais antiga, sabe? Eu já estava aqui antes... bem, minha experiência foi muito boa. E me deu a oportunidade de vir ao Brasil e viajar pelo mundo. E eu me sinto abençoado por isso.

Você faria algo diferente (no programa) se pudesse voltar no tempo?

Não. Infelizmente eu não poderia fazer nada diferente (risos)

Na sua temporada, você foi a participante mais velha... sofreu algum preconceito no programa por isso ou já sofreu na comunidade gay? (Betty ou Jamin Ruhren, nasceu em 1977, em Nova York, vai completar 39 anos)

Na verdade essa foi a primeira vez que eu percebi que eu era "velho".. ou que um gay apontou o dedo pra mim dizendo algo como se eu fosse “o pai"...  foi novo para mim esse “personagem de mais velho".... bem, eu não me sinto velho e acho que estou melhor do quando eu tinha 21. 

Acid na abertura de seu show em BH

Acid Betty com outro look em sua passagem por BH


Seus looks são maravilhosos. Como você definiria seu estilo se pudesse?

Hum... eu gosto de provocação, vanguarda, futuro... mas com algo do passado (risos).

Como uma máquina do tempo?

Sim! (risos) porque eu acho que eu trago novas ideias ou eu trago velhas ideias de volta... eu faço ambos.. eu não sei... é difícil descrever, mas eu sempre tento fazer algo diferente... (fica pensativa) eu tento fazer algo que as pessoas não estão esperando... igual ontem, eu performei grávida (risos).

Por falar em diferente... seu desfile no especial Madonna foi maravilhoso... o melhor pra mim. 

Você gostou do meu kimono? (risos)

Adorei! (risos) Bem, seu look da Madonna foi tão inesperado... como você o escolheu? Como chegou nele? Porque não é um visual tão clássico dela...

É como eu me vejo como drag... não gosto de encapsular um visual... é mais um sentimento e energia.. e quando eu vi aquele videoclipe da Madonna (“Bedtime Stories” de 1994)... eu tive um sentimento. Uma sensação de ir além... foi como um chamado:  "É isso! É isso que é Acid Betty"... algo melancólico, relacionado a sonho... é por isso que eu escolhi. Eu acho também que eu era o único com coragem para aparecer grávido ali (risos)



Durante o lip sync... foi louco ver você dublar com aquela roupa (Madonna)

Eu recusei tirar a barriga. Eu poderia ter tirado, mas não. "Eu vou grávida", pensei. E foi divertido também. 

All Stars 2... você está acompanhando? Está torcendo para alguém?

(Durante o show em BH - que foi na véspera que Alyssa tinha sido eliminada, o público gritou por Alyssa quando Acid, no palco, disse que iria ligar para ela ali mesmo. Ela chegou a tentar, mas não conseguiu, mas depois mostrou uma mensagem de Alyssa pelo Facebook conversando com ele sobre o público brasileiro).

Eu ainda sou Team Alyssa Edwards. Eu acho que o RuPaul deveria ligar para ela de volta. Deveria tirar alguém como Roxxy e chamar a Alyssa (risos). Eu gostei muito da Alyssa e da Tatianna... gostei mais delas do que as que estão como melhores agora.

Como você explica esse sucesso mundial do programa RuPauls Drag Race?

Eu não tenho ideia de porra nenhuma! É muito bizarro como o Brasil sabe tanto do programa... as roupas, as músicas... é bem intenso. Nos Estados Unidos acho que não temos fanáticos como temos aqui... e vocês nem tem o programa legalmente aqui! Isso é o mais bizarro. Provavelmente o Brasil é o país que tem os maiores fãs do programa e não tem o programa na TV de vocês. Como isso é possível?! É uma relação estranha.

Acid quis saber por que não era exibido o programa na TV brasileira, mesmo que paga. Não soubemos responder, talvez interesse de produtores? Riu e achou estranho saber que foi exibida uma temporada dublada por aqui. Nisso, nossa conversa chegou a política mundial (“O governo não deixa exibir o programa aqui?) e Acid se mostrou consciente, inclusive de seu papel como artista:

“Também estamos enfrentando problemas no meu país...É estranho porque ao mesmo tempo que o cenário político não é favorável, estamos vivendo uma força de atos como as drag queens. O entretenimento parece estar em um lugar interessante... ao mesmo tempo quando eu penso em tragédias como o tiroteio em Orlando.. eu sinto tão sortudo que eu penso “Oh Meu Deus!”... a cultura underground se mantém. E estar vivo assim é um grande privilégio... em momentos como esses que btiches como nós devemos aparecer, sabe? Entreteiners, artistas, tem que se unir... expressar nossos sentimentos.. quando vejo a música do RuPaul tocando aqui é algo como “Yes! aqui eu estou representado”.



Acid Betty recebendo o carinho do público em BH. Queen!