domingo, 15 de maio de 2016

Saiba como foi a III Marcha contra LGBTfobia de BH (Onde estão os LGBT de BH???)

Loading

No último sábado, 14 de maio, aconteceu em BH a III Marcha contra LGBTfobia de Belo Horizonte e Região Metropolitana, organizada por movimentos sociais de BH e região e coordenada pelo Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (CELLOS-MG). A concentração começou às 13h na Praça 7, centro, e a caminhada - que começou por volta das 17h por problemas em relação ao policiamento - percorreu o percurso Avenida Afonso Pena, rua da Bahia, Av. Augusto de Lima e terminou na Praça Raul Soares. 

A Marcha acontece em razão ao Dia Internacional contra a Homofobia, 17 de maio. Para quem critica o caráter "mais festivo" das Paradas do Orgulho Gay que acontecem no Brasil e no mundo, a Marcha é uma opção “mais sóbria”, já que durante o trajeto os participantes repetem gritos de ordem, pouca música eletrônica e informam dados estáticos, como o fato de em 2015 terem sido assassinados 318  Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (fonte Grupo Gay da Bahia) devido as sus respectivas orientações sexuais e identidade de gênero.  

A III Marcha contra LGBTfobia de Belo Horizonte reuniu um número muito baixo de participantes: 500, segundo notícia do jornal O Tempo. Mas quem estava presente, sabe que o número pode ter sido menor, sobretudo durante a caminhada nas ruas. 

Cada cruz representa um dos 318  Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais assassinado em 2015 por homofobia, lesbofobia ou transfobia

Protesto diante bares com relatos de Homofobia e Transfobia

Durante a Marcha, o carro de som (pequeno trio elétrico)  e manifestantes pararam em frente a dois bares de BH que, recentemente, houve relatos de homofobia e transfobia: Banzai e Cleidir, ambos na Augusto de Lima. Em frente aos Bares, houve gritos de ordem informando que os LGBT de BH não vão mais nesses estabelecimentos e que não precisam dos mesmos, além de uma vaia coletiva contra o estabelecimento. Um dos momentos mais significativos da Marcha. 

Outro momento importante, foi o encerramento. Os participantes deram as mãos e fizeram um “abraço coletivo” ao redor da fonte da Praça Raul Soares, um dos locais mais frequentados por LGBT da cidade. 

Jogaram ovo na Marcha?

No quarteirão da Augusto de Lima, entre rua da Bahia e São Paulo, a Marcha fez uma pausa forçada. Houve relato de que jogaram ovo nos manifestantes. Quem estava comandando o carro de som no momento, mencionou isso e fez o trio elétrico parar. Gritos de ordem também foram feitos.    

Cada cruz representa um dos 318  Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais assassinado em 2015 por homofobia, lesbofobia ou transfobia

LGBTfobia institucional? Marcha obteve dificuldades para ser realizada


Segundo Thiago Costa, um dos organizadores do evento, a previsão do Ato (a Marcha) foi comunicada aos órgãos públicos em 19 de abril e somente nos últimos três dias foram enfrentadas diversas tentativas de cancelamento por parte do poder público devido a passagem da Tocha Olímpica: "Relembramos uma data importante que consta no calendário oficial brasileiro mas sofremos boicotes por parte da polícia e tivemos que começar o fechamento das ruas sem apoio, a Bhtrans fez a retirada forçada do carro de som da região da praça sete e ameaça de multa e reboque e tivemos várias negativas institucionais. LGBTfobia institucional existe e se traduz nessas tentativas de supressão e invisibilização do movimento".

Onde estão os LGBT de BH? (Reflexão por Valmique)

500 pessoas? 500 participantes? É sério isso? Really bitch? Algumas festas “gls” na cidade reúnem muito, mas muito mais participantes. E sabemos que a Parada Gay também pode ter um número muito mais expressivo. Afinal, sabemos que existem mais que 500 LGBT em BH, certo? (sic) Mas onde eles estão neste momento? Sim, é mais fácil dar um like e mudar a foto do perfil no Facebook do que “colocar a cara no sol” e reivindicar direitos, mesmo sabendo que esses direitos irão beneficiar a si próprio.

Claro, sabemos que também é importante se movimentar nas redes sociais, mas é sabido também que precisa-se ir às ruas para reivindicar justiça (a história mostra isso) e uma cidadania digna aos LGBT de BH, Brasil  e todo o mundo. 

Em um momento político brasileiro tão confuso como o que estamos vivendo agora, como a recente notícia da extinção provisória do Ministério das Mulheres, Igualdade racial e Direitos Humanos, além da ideia do Golpe em relação ao impeachment da presidenta Dilma que remete ao sombrio momento da Ditadura no Brasil, considero IMPOSSÍVEL ficarmos omissos e não ir às ruas. 

Assim, pergunto novamente: Onde estão os LGBT de BH? É como um dos manifestantes disse durante o a Marcha: “não se engane, isso pode acontecer com você”. Isso o quê? Homofobia, lesbofobia, transfobia, preconceito, direitos negados por ser homossexual, discriminação por sua orientação sexual e identidade de gênero no trabalho, em um bar... pensem sobre isso e participem! 

Abaixo, algumas performances artísticas feitas durante a III Marcha contra LGBTfobia de Belo Horizonte e Região Metropolitana, na Praça 7, em BH.