segunda-feira, 18 de abril de 2016

Discursos homofóbicos aparecem na votação pelo Impeachment

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Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Dois anos depois, em maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou resolução que obriga os cartórios de todo o Brasil a celebrar o casamento civil homoafetivo. Diante desses dois fatos, parte da comunidade LGBT acredita que o governo atual trouxe melhorias para seus integrantes. 

Após a votação do Impeachment na Câmara, foi possível identificar que parte dos deputados que votaram a favor do impedimento à presidenta Dilma, destilaram comentários homofóbicos em seus comentários. Uns votaram pela família tradicional, outros tantos votaram por Deus e pela Bíblia.

A atuação de um deputado se destacou entre as falas dos congressistas presentes. No momento posterior ao voto do deputado Jean Wyllys (PSOL - RJ) , Jair Bolsonaro (DEM-RJ), depois de saudar um dos torturadores da ditadura militar no Brasil, gritou para o adversário palavras como "veado", "queima-rosca", "boiola" e outras ofensas homofóbicas. A reação de Jean Wyllys foi cuspir em direção ao rosto de Bolsonaro. 

Em texto publicado em seu Facebook, Wyllys disse: "Reagi cuspindo no fascista. Não vou negar e nem me envergonhar disso. É o mínimo que merece um deputado que "dedica" seu voto a favor do golpe ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército durante a ditadura militar. Não vou me calar e nem vou permitir que esse canalha fascista, machista, homofóbico e golpista me agrida ou me ameace. Ele cospe diariamente nos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Ele cospe diariamente na democracia. Ele usa a violência física contra seus colegas na Câmara, chamou uma deputada de vagabunda e ameaçou estuprá-la. Ele cospe o tempo todo nos direitos humanos, na liberdade e na dignidade de milhões de pessoas. Eu não saí do armário para o orgulho para ficar quieto ou com medo desse canalha".  

Internautas e celebridades comentaram o ocorrido. A atriz Letícia Sabatella exaltou a atitude de Jean, assim como o jornalista Xico Sá. Várias outras pessoas comentaram que no lugar de Jean fariam o mesmo, outras tantas, é claro, utilização as redes sociais para xingar o deputado e disparar mais comentários homofóbicos. 

Jean Wyllys é, atualmente, um dos poucos congressistas militantes pela comunidade LGBT.