terça-feira, 16 de agosto de 2016

Elke Maravilha em entrevista excluZiva: “2015 e ainda insistem nisso de gênero”

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16/08/2016 - Faleceu na madrugada de 16 de agosto de 2016 a atriz, modelo e jurada Elke Maravilha. Ela estava internada há aproximadamente um mês. Foi operada de uma úlcera e ficou em coma induzido, falecendo por volta das 1h. O Muza, em novembro de 2015, fez uma entrevista excluZiva com Elke Maravilha, você pode rever nesta postagem.  Você pode rever nesta postagem! 

No mês passado (novembro 2015), Elke Maravilha veio a Belo Horizonte para se apresentar no aniversário de seis anos da festa @bsurda. Antes dela subir ao palco, batemos um papo com ela. Mais do que uma entrevista, consideramos uma experiência de vida. Afinal, Elke, com seus 70 anos de vida, fez e faz a gente refletir e aprender. Sensacional! Para não deixar vocês perderem nada do que aconteceu e (tentar) sentir o que sentimos a entrevista está na íntegra. Sem dúvida, uma das melhores que já fizemos! Inspire-se! 

Muza - Como está sendo esse retorno à TV?

Elke Maravilha - Não é retorno, pois eu nunca saí da TV. Só não estava fixa, mas nunca saí, pois toda hora eu dou em uma entrevista aqui e ali. Não acho que agora seja um momento diferente na minha carreira (risos). 

-Mas e o quadro no Fantástico? Você está gostando de fazer?

Ah eu estou gostando! É muito bom. A Berta é ótima, a Vilma é ótima, a Marcela (que dirige o programa) é ótima. É tudo tão gostoso...

- Apesar de  dispensar apresentações, você é comumente lembrada por sua participação em shows de calouros...

Sim, mas isso eu não faço mais há 18 anos! É aquela coisa, ficar velha é bom, ficar ultrapassada, não! E a coisa de jurado é uma coisa ultrapassada, que não cumpre mais sua finalidade. Eu não sinto saudade dessa época, pois eu só sinto saudade do futuro, amor! Nunca do passado... É claro que eu tenho saudade do painho (do Chacrinha), mas da situação eu não tenho de maneira alguma. Eu não olho pra trás não!

-Você foi jurada por muito tempo e agora está tendo uma onda de reality shows musicais com presença de jurados. Você acompanha algum desses programas?

Não..não.

- Com toda sua experiência no meio artístico, o que você acha que um artista precisa ter para se destacar? 

É preciso ter personalidade. No Brasil de agora você pode ser o que quiser, você pode ser melancia, pêra... pode ser o que quiser. Os bons hoje viraram peça de museu. Então qualquer nota serve. Até Eduardo Cunha serve! Nós estamos num mar de lama... O Brasil não exige sabedoria, o Brasil não exige que sejamos bons, qualquer merda é aceita. 



- E você acha  que essa onda conservadora que a gente está vivendo tem solução?

Mas essa situação não é por causa dos conservadores. Conservadores são maravilhosos! Eu não sou conservadora, mas a gente tem conservadores que modificaram o mundo, por exemplo, Abraham Lincoln foi um conservador maravilhoso! Isso não é problema do conservadorismo, o nosso problema é gente imbecil, gente ignorante. Nós tivemos um presidente que fala "assim" (com a língua presa). Ele faz apologia à ignorância. Isso é ser escroto. Pois a pessoa pode não ter culpa de não ter aprendido, mas ele tem a minha idade, ele poderia der aprendido, se quisesse. 

- Mudando de assunto, no meio desses ignorantes, como você avalia o papel da mulher na sociedade de hoje?

Eu acho que a mulher deveria se tocar. É preciso saber quem tem talento para ser mãe, ou não. 70% das mulheres não têm talento para ser mãe. Elas criam errado, corrompem os filhos... Depois você quer que esses filhos sejam políticos como? Viram corruptos!

- E em outros aspectos, além da questão da maternidade?

Eu não gosto de separar as pessoas em gênero. Eu não tenho gênero. Há 60 anos, quando eu tinha apenas 10 anos, eu saquei que enquanto homem e mulher, ser homem era melhor. Por isso eu decidi ser gente. Agora essa coisa que a mulher..a mulher... Ah! Vai se f*der! Ninguém é melhor por ser mulher ou homem, nós somos gente! Tem que dar um passo adiante e largar dessa merda!

- De rotular as pessoas...

Isso! Os gregos antigos não tinha gênero. Agora, 2015, gênero?! Ah vai se f*der!

- Hoje você está se apresentando em uma festa LGBT. De onde você acha que vem todo esse carinho que essa comunidade tem por você?

Eu acho que é porque eu os amo então eles me amam. Eu comecei esse movimento gay no Brasil. A primeira passeata gay no Rio de Janeiro eu estava no meio. Sabe quantas pessoas tinham na rua? Oito! (Risos). Se não fossem os gays no mundo eu não gostaria de viver...

- Você tem lembranças de sua infância aqui em Minas? Isso teve influência no seu estilo?

Eu tenho lembranças sim...Mas, eu nasci assim! Desse jeito! Mas meu pai, é claro, me educou muito bem. E educar muito bem não é sentar bonito nem comer bonito. Educação é ensinar a conviver. Não é nem ser tolerante. Pois eu não gosto desse termo, pois se eu falo que eu te tolero, por exemplo, pode-se inferir que eu sou superior. Então esse termo é péssimo. O negócio é saber conviver com as diferenças. Somos todos diferentes, graças a Deus!

- Para você o que é a definição de liberdade?

O ser humano não tem liberdade! A gente entende, tem apenas uma liberdade: escolher a prisão que quer ficar! Nós não estamos prontos para liberdade. Olha o mundo como está! Não estamos pronto. Liberdade é quando você não precisa nem pagar condomínio! Enquanto existirem lados políticos, elas não são livres. O livre pensador não tem nada político. Ele tem um ideal no coração. Não é a bandeira. Não estamos prontos para liberdade, amor...

- E para finalizar, o que te inspira?

Aprender! Todo dia aprender! A única coisa que a gente tem que fazer é evoluir. Enquanto eu estiver aprendendo, eu me dou o direito de ficar viva!