segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Entrevista excluZiva com Latrice Royale: “até mulheres héteros querem ser drag agora”

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No início de setembro, Belo Horizonte recebeu a visita de mais uma queen do badalado programa Ru Paul´s Drag Race. Mas desta vez não foi qualquer uma, mas sim uma das mais queridas de todas as 7 temporadas do programa: Latrice Royale, que foi a atração principal de mais uma super festa da @bsurda. Isso mesmo!

O muza esteve presente e realizou uma entrevista excluZiva com Latrice MotherFucher Royale na qual ela falou sobre todos os preconceitos que já sofreu (dentro e fora do mundo Drag), sobre seu relacionamento com Ru Paul, deu até uma cutucada em Miley Cyrus e respondeu se aceitaria ou não participar mais uma vez do programa. Curioso? Leia tu-do!

Desta vez, a entrevista foi feita por Valmique e também pelo jornalista e colaborador Flavimar Diniz. Crédito fotos: @bsurda

Muza - Explique pra gente sua impressão sobre a reação calorosa e empolgada das pessoas que assistiram o seu show (o Muza a entrevistou após performar na boate Josefine). Você pareceu tão tocada com a reação do público... como foi pra você?
Foi incrível, é importante pra mim me conectar com a audiência e ter certeza que eles sintam a emoção que estou dando a eles, porque eu entrego meu coração e minha alma em tudo que eu faço.  Eu quero ter certeza dessa conexão, dessa troca de emoção... porque é um momento íntimo estar no palco e trocar as emoções.

Você está em BH há dois dias. O que pode dizer da cidade, das pessoas... dizer da gente, de algum jeito? (risos)
Todos são tão gentis e legais. Estou passando um ótimo tempo aqui, boas comidas... eu gosto de comida brasileira porque vocês colocam tempero e sabor em tudo... eu posso engordar de novo, adeus minha dieta (risos)


Você participou do Rupaul´s Drag Race há alguns anos (4ª temporada) e você ainda está aqui como destaque. Mesmo após outras temporadas, o público te adora. É uma das maiores estrelas do programa. Como explica isso?
Bem, as pessoas se conecetaram comigo, de uma maneira pessoal, espiritual... entenderam minha história e de onde vim, as pessoas puderam se identificar com minha história de redenção e esperança. E eles puderam ver que você pode voltar de uma situação ruim em sua vida e fazer algo positivo dela, vejo isso como um tipo de motivação para eles. Eu continuo vivendo em minha própria expectativa, eu quero crescer e fazer coisas diferentes.

Você estava na mesma temporada de Sharon e Phi Phi. Vocês tem estilos diferentes. O que você acha de um programa colocar diferentes tipo de drag queens em um mesmo show? Você acha que isso é positivo para a comunidade de drag queens?
Isso é o melhor que pode acontecer. Porque você pode ver todos os tipos de drag e não apenas um estilo. E as pessoas podem se expressar de diferentes maneiras artísticas e ok quanto a isso. Você não precisa de um jeito para ser bem sucedida. Você pode ser uma freak drag, uma drag palhaça, a que você quiser...

Você pode ser latrice...
Sim, pode... mas só há uma Latrice (risos)

Como explica esse sucesso do  Rupaul ao redor do mundo?  Drag Queen agora está em todo lugar...
Drag está no mainstream. Todos tem um acessório de drag queen, até mesmo a Miley Cyrus (risos). Isso porque o programa se tornou um fenômeno. As pessoas agora veem algo que não deve ter medo ou se assustar, mas sim algo fabuloso que você quer ter, quer tentar...  até mesmo mulheres héteros querem ser drag agora, todos querem um pouco mais de glitter e glamour.

Você é uma pessoa muito orgulhosa de você mesma. Você é negro, gordo..  acha que isso é o segredo do sucesso..  acolher você como um todo e ser quem você é?
Você tem que fazer isso. Você tem que se amar como um todo.  Você deve aprender a aceitar ou mudar. Se você não gosta de algo em você, você é a pessoa que pode mudar isso. Eu sempre fui muito orgulhosa de mim mesmo. Magra, gorda... Nada importa, nada me para de amar a mim mesma. É daí que vem a força.


Por causa dessas suas características você já sofreu preconceito em sua vida pessoal ou no mundo drag?
O tempo todo, sempre sofro preconceito. Eles não pagam minhas contas. Eles acham tempo para espalhar o ódio pelo computador, mas eles não estão fazendo nada produtivo ou mesmo mudando o mundo. Eu estou fazendo. Eu estou mudando a vida das pessoas e afetando a vidas delas (positivamente). Eu não ligo para os haters, eles não importam. O que importa é o amor que eu recebo e focar em coisas boas. Eu me mantenho nisso.

Algo que sempre é uma curiosidade é o contato com o RuPaul após o show...
Bem, o RuPaul de alguma forma mantem contato, está sempre me trazendo de volta ao programa, o que é ótimo. E eu mantenho bastante contato com as garotas, por causa das turnês e eu gerencio algumas delas também. E de certa forma mantenho contato com todos. Eu tenho a minha empresa. Na empresa gerenciamos cinco da sétima temporada: Kennedy Davenport, Mrs. Kasha Davis, Tempest Dujour, Kandy Ho e Jaidynn Diore Fierce.

Você esteve na quarta temporada, na edição especial All Stars... você aceitaria outro convite para estar no Ru Paul´s ou já deu?
Já deu. É o suficiente. Já tive bastante exposição, não preciso fazer mais. Está na hora deu trabalhar na minha própria marca, meu império próprio. É a hora de ser Latrice Royale e não Latrice Royale do RuPaul´s Drag Race.

Você tem algum conselho para outras drag queens... para jovens garotos que estão lendo essa entrevista e estão começando a se montar?  Aqui em BH estamos com uma boa cena para garotos que gostam de se “vestir como garotas”, temos festas, eventos...
O maior conselho que posso dar é seja autentico e original, não tente imitar alguém. Seja você mesmo. Tente achar sua persona. Isso é o mais importante.