segunda-feira, 8 de junho de 2015

Leia texto excluZivo do presidente da ABGLT sobre As Paradas Gays no Brasil

Loading


No dia seguinte a realização da 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo o Muza traz com excluZividade um texto reflexivo de Carlos Magno Fonseca, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) sobre a questão que envolve as Paradas que acontecem em todo o país. 

Parada do Orgulho: diversidade na diversidade

As paradas do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais se tornaram, ao longo do tempo e do esforço grandes manifestações populares e de afirmações de direitos dos últimos tempos do Brasil. Em duas décadas de existência, desde primeira que aconteceu em 1995 no Rio de Janeiro, as Paradas se expandiram e hoje acontecem de norte a sul, nas principais cidades do país.

O Brasil realiza o maior número de eventos prol-LGBT e a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é a maior do planeta. Na sua 19ª edição levará milhares de pessoas para caminhar, reivindicar, protestar e dançar pelas principais ruas da capital paulista, se tornando referência e notícia nos dias seguintes inclusive em vários países.

No contraponto aos críticos, afirmo que as Paradas do Orgulho do LGBT são manifestações populares, democráticas, festivas e políticas. Elas têm sido uma das principais ações de mobilização do movimento social LGBT brasileiro, produzindo efeitos positivos e ampliando  a visibilidade da temática. Independente do objetivo de quem comparece ao evento a ocupação do espaço público por milhares de LGBT potencializa a ampliação ou rompimento das fronteiras dos guetos pela ocupação do espaço público e dá visibilidade das bandeiras de luta do movimento LGBT.

Outro aspecto que deve ser evidenciado é sobre a continuidade do evento.  Garantir a existência desta atividade grandiosa, de caráter popular e gratuito, exige dos militantes uma grande dedicação e habilidade politica para estabelecer parceria entre o Poder Público local, entidades de classe, universidades, empresários, igrejas inclusivas, mídia e a população em geral. Cada vez mais os grupos de defesa dos direitos LGBT tem se empoderado e utilizado a Parada como forma de pressão politica juntos ao Estado e a sociedade.

Mas a parada também é festa. As draq queen, transformistas, DJs, as fantasias, os cartazes, os beijaços, os corpos, a troca de afetos são manifestações que contribuem para difusão da idéia da diferença como valor e possibilita, de maneira criativa e bem humorada, a divulgação e visibilidade das reivindicações do movimento LGBT

A 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo será, certamente, um dia de alegria, beleza e colorido. E para nós militantes, teremos momentos de confraternização, reencontros, solidariedade e celebração das nossas vitórias. A Avenida Paulista será palco deste espetáculo politico e cultural que junta tribos diferentes, representantes do plural que forma a sociedade e que merece espaço e respeito, independente de qualquer diferença.

Carlos Magno Fonseca - Presidente da ABGLT