quarta-feira, 15 de abril de 2015

Saiba mais sobre o movimento #SomosTodasVeronicas

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Nesta quarta-feira, 15 de abril, o nome da travesti Verônica Bolina foi destaque nas redes sociais. O motivo? A agressão – física e moral - que sofreu por policiais. Seu cabelo foi cortado, seus seios expostos e o rosto praticamente desfigurado de tanto apanhar, como mostram as fortes imagens abaixo.

A agressão sofrida por Verônica teria como “justificativa” a acusação de ter mordido a orelha de um policial quando era transferida em um presido em São Paulo, após ter sido acusada de agredir fisicamente uma vizinha idosa. 

O portal Terra informou que será instaurada uma sindicância para apurar o caso, com o apoio do do Conselho Estadual LGBT Paulista, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público e Defensoria Pública e a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Segundo a matéria Verônica está recebendo apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, que disponibilizou advogados para acompanhar o caso.


A indignação com o caso Verônica gerou a criação da hastag #SomosTodasVeronica e a página no Facebook de mesmo nome. Abaixo, vocês podem ler na íntegra o texto que compartilhamos na página do Muza no Facebook, escrito pelo querido Diego Moreira.

“Hoje estamos chocados com mais um episódio de ignorância, despreparo e negação das próprias leis ocorrida em nosso país. Verônica evidenciada em cenas chocantes nas fotos abaixo foi presa e sofreu todos os tipos de violência passíveis a um ser humano. Visíveis para todos nós ficam as físicas, mas internamente em seu posicionamento de gênero e dificuldades vividas para se orgulhar de quem é, sabemos que ela está ainda mais violentada, machucada e irreversivelmente abalada. Não se trata de privilegiar um determinado grupo ou dar algum tratamento especial por ser tratar de um travesti ou transexual, aqui a questão concerne ao ser humano e seus direitos tão exaltados em nossas leis extremamente defensivas, quando se trata de qualquer individuo e as questões desse nosso sistema prisional medieval. Mas ao que tudo indica, isso se torna irrelevante quando raspar o cabelo, expor os seios e usar tudo isso como exemplo na execução de uma lei e ordem saída sem lá de onde, é mais importante que o respeito. Somos um país defasado, atrasado, homofóbico, transmofóbico e lotado de preceitos, conceitos e preconceitos totalmente equivocados, mas até isso precisa de um limite. Hoje, amanhã e depois somos e seremos todos Verônica. Nós da equipe MuZa, esperamos esperançosos a total extinção de situações de horror como essa. Por hora, mandamos amor e muita energia positiva para as pessoas que não conseguem se chocar nem que seja um pouquinho com tudo isso. Por hora estamos todos debilitados, sentidos, desolados como a família da Verônica deve estar. Por hora engoliremos o choro para transformá-lo em protesto e algo maior. Por hora ‪#‎SomosTodasVerônicas‬” 

 por Valmique