quarta-feira, 19 de março de 2014

ExcluZivo - Casal #Clarina de “Em Família” gera torcida e interação nas redes sociais

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No horário da novela “Em Família”, as redes sociais são invadidas por uma legião de fãs do possível casal Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller). Desde que apareceram na tela, Clarina, como são chamadas na internet, têm ganhado perfis e páginas dedicados a elas no Twitter, Facebook e Tumblr. Tags relacionadas às duas, como #ClarinaAmorPerfeito e #ClarinaMinhaVida,  entram para a lista dos assuntos mais dicutidos (TTs) no twitter no Brasil quase que diariamente. 

Fãs declaram “shippar” Clarina dentro e fora das redes. “Shippar é torcer por um casal, independente se é real ou fictício”, explica a assistente administrativa Míriam  (que prefere não divulgar o sobrenome), 21 anos, criadora do perfil @ShippoClarina. Míriam conta que acompanha a novela, durante a exibição, junto com outros perfis, inclusive os das atrizes. 

Atrizes e fãs na rede

Os perfis de Tainá Müller e Giovanna Antonelli interagem quase diariamente com fãs no Twitter (@tainamuller / @gio_antonelli) e no Instagram (@tainamuller / @gio_anto), postando selfies e informações sobre bastidores das gravações. Durante a exibição de alguns capítulos, elas chegam a comentar as cenas com as shippers. 



Desde a aparição de sua personagem na novela, o perfil Tainá Müller triplicou o número de seguidorer.  @tainamuller responde a declarações e comentários, além de “oficializar” outros perfis dedicados a ela a Clarina.

Letícia Rocha, 21 anos, criou o @mullercats para homenagear a atriz. @tainamuller reconheceu ‘oficialmente’ o perfil dela, que hoje se chama Mullercats Oficial. Míriam (@ShippoClarina), que também tem perfil ‘oficializado’ pela atriz, interage mais com @tainamuller, que também a segue.  Ela acredita que é mesmo a Tainá quem posta comentários: “não existem formalidade de outros twittes que outras pessoas administram, como empresário e tal”.  

@Pimenta_Afiada (que prefere não divulgar o nome) também interage com as duas todos os dias, mas recebe mais retorno da intérprete de Marina: “Tainá sempre me responde”. Na opinião dela, por ter muito mais seguidores (quase dois milhões), Giovanna Antonelli dá menos atenção aos fãs na rede, mas isso parece não diminuir o interesse pelas duas. “É incrível como os adolescentes se mobilizam quando gostam de algo”, ressalta @Pimenta_Afiada. Para ela, que mantém um blog (http://pimentaafiada.blogspot.com.br/) sobre entretenimento,  a internet tem favorecido a discussão sobre  homossexualidade “ajudando a derrubar barreiras” e informando melhor as pessoas, que passam a torcer por personagens não-hetero. “Está sendo lindo acompanhar tudo isso”, comemora.

“As novas tecnologias propiciaram a proximidade que faltava  e evidenciaram ainda mais o que todo mundo já sabia: o modelo produtor/ receptor nunca existiu”, analisa a pesquisadora Adriana Agostini, autora do livro “Lésbicas na TV: The L Word” (Editora Malagueta). No livro, Adriana  analisa a famosa série que trouxe para a tela dramas lésbicos de maneira realista. Ela acredita que a interação na rede pode provocar interferências nas histórias apresentadas na telinha: “autores, diretores e atrizes têm agora um termômetro muito mais fiel da repercussão da história que contam”. 

A torcida por Clarina, que para a pesquisadora “ainda não são um casal”, está grande. Mas a participação nas redes não é a única razão para um tema estar na telinha. “Num momento em que os conservadores canais de tv aberta não têm mais como ignorar o que se passa nas ruas, acabam sendo obrigados a trazer para as telinhas, situações que, há muito tempo, fazem parte do dia a dia da sociedade. Então, a conservadora Rede Globo finalmente se viu obrigada a parar de fingir que lésbicas não existem, mas ainda está fazendo isso com muita parcimônia. Sai do armário, televisão!”  

Acompanhe, nos próximos dias, mais reportagens sobre Clarina  aqui no MUZA

Reportagem por @tatianacarvalho