sábado, 18 de janeiro de 2014

Morte do adolescente gay, vítima de homofobia, gera reflexão (texto Jean Wyllys) e ato público em São Paulo: “De quantos mortos o Brasil precisa para reagir?”

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A criminalização da homofobia no Brasil pede urgência. Nesta semana foi noticiado, mas nem de longe gerou comoção no país, a morte de um adolescente gay com requintes de crueldade, em São Paulo. 

Seu nome era Kaique Augusto Batista dos Santos e tinha 16 anos. A última vez em que foi visto estava em uma boate gay paulista com amigos, mas eles se separaram para procurar documentos que o próprio Kaique havia perdido e nunca mais o viram novamente. Um dos amigos disse que na boate haviam skinheads. 

Crueldade: O corpo de Kaique foi encontrado em uma avenida central de São Paulo sem todos os dentes na boca e com uma barra de ferro atravessada na perna e com hematomas. No atestado de óbito consta são traumatismo craniano, traumatismo intracraniano e agente contundente. Entretanto, o boletim de ocorrência da Polícia Civil registrou suicídio(?!), mas continua com as investigações. 

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), mais uma vez, fez um excelente texto reflexivo sobre a morte de Kaique e a ausência da criminalização da homofobia no Brasil para a revista Carta Capital. Abaixo, você pode ler alguns trechos. Clique aqui para ler na íntegra.

"Em outros países, o brutal assassinato de um adolescente homossexual de 16 anos de idade seria uma notícia que comoveria a sociedade e nos chocaria a todos como poucas notícias nos chocam.... No Chile, um crime semelhante mudou as leis do país e fez governo e oposição coincidirem na necessidade de políticas públicas para enfrentar o preconceito contra a população LGBT.... Mas no Brasil, Kaique Augusto Batista dos Santos é mais um, só mais um... Kaique é mais um nessa estarrecedora lista de mortos com a qual o Brasil convive com naturalidade... Quantos? De quantos mortos o Brasil precisa para reagir?"

Protesto Ontem, sexta-feira (17/01), cerca de 300 pessoas participaram do “Ato por justiça no caso Kaique e pela criminalização da homofobia” – como descreveu o evento criado no Facebook. A manifestação teve início no Largo do Arouche, centro de São Paulo e terminou na Secretaria de Segurança Pública. Estiveram na manifestação o cartunista Laerte e o presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes. Ao longo da caminhada palavras de ordem como “Kaique, eu vou lutar. A sua morte o estado vai pagar!". Abaixo imagem do protesto, via Folha de São Paulo.