segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ColunaZs: “Fale com ela (e com os outros pronomes também)”

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Cena do filme "Fale com Ela" de Pedro Almodóvar

"gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões..." 
(Língua - Caetano Veloso)

No fim de 2013 comecei a rascunhar uma coluna para o Muza. Seria a primeira de 2014 e uma promessa de usar mais esse espaço tão importante para mim. Escrevi até chegar a um ponto de onde não consegui sair. Achei que o tema tinha tomado outro rumo, mais espinhoso, e preferi deixar quieto. 

Já em 2014, ideias novas, vi um assunto que seria ótimo para falar aqui. O tema era do momento, tinha apelo e geraria uma boa discussão. Mas, de novo, lá pelo meio, o assunto foi ficando muito polêmico, até que pensei melhor, salvei o arquivo e fechei a janela. Por duas vezes tinha um texto "na mão", com assuntos legais, mas preferi deixar de lado por considerar o tema difícil e que possivelmente "daria pano para a manga". 

Não sei se vocês perceberam, mas o que eu fiz foi um ato de covardia. 

É de se esperar que pessoas que escrevem querem ser lidas. E querem, acima de tudo, que seus textos sejam debatidos, discutidos, apontados para o bem e para o mal. Quando eu resolvi fechar o arquivo, eu acabei privando os leitores de ver um ponto novo na história, ou ter algum texto que concordasse com o que eles pensam sobre algum assunto. Ou mesmo lerem algo que discordam completamente e, com isso, terem mais argumentos para debater. 

Dia desses vi uma entrevista com a atriz Rosi Campos e, em determinado momento, o entrevistador perguntava o que ela acha sobre algumas pessoas. Perguntou sobre atores, cantores, até chegar na Rachel Sheherazade (Rosi cursou Jornalismo na USP, talvez isso tenha influenciado a escolha). Foi então que a atriz disse que gosta da Rachel, para espanto do entrevistador, mas explicou que não gosta do que ela diz, do conteúdo, das falas e opiniões, mas sim do fato dela dizer o que pensa sem nenhuma amarra, sem nenhuma censura, e falou que isso é muito válido para quebrar esse jornalismo tradicional que a gente tanto vê por aí. 

Fiquei com aquilo na cabeça até entender, de fato, o que a Rosi disse. Para ela, precisamos falar o que queremos e, mais que isso, precisamos estar ali para ouvir o retorno que aquilo pode gerar. Receber os elogios e saber filtra-los, receber as críticas e entender os diversos pontos de vista que uma opinião, uma fala ou até mesmo uma atitude podem gerar. E eu acredito que esse pensamento é importantíssimo para a vida, de um modo geral. 

E não há nada melhor para começar o ano do que dar essa dica: é preciso falar. A internet está aí, democrática, aceita tudo o que queremos dizer. Aproveite o sistema de comentários desse blog, aproveite seu perfil no Facebook, os fóruns, crie um blog, um Tumblr, vale até mesmo usar os mirrados 140 caracteres do Twitter. Mas, além de tudo, aproveite também para ouvir, aproveite para fazer o mundo das ideias girar e, quem sabe, ver retornar melhor ainda uma ideia que saiu de você mesmo. Mas, além de tudo, aproveite também para ouvir, aproveite para fazer o mundo das ideias girar e, quem sabe, ver retornar melhor ainda uma ideia que saiu de você mesmo.  

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.