domingo, 8 de dezembro de 2013

Relembre: Há um mês Lana Del Rey fazia show em BH. Leia crítica excluZiva!

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O corpo elétrico de Lana Del Rey em BH*  

exatamente um mês a cantora Lana Del Rey realizou seu primeiro show no Brasil e a cidade escolhida, para iniciar a “Paradise Tour”, foi justamente Belo Horizonte.  O show aconteceu no Chevrolet Hall com casa cheia. 

Confesso que fui ao show de Lana Del Rey mais curioso que entusiasmado. Antes do show, como bom jornalista, comprei o cd “Born To Die – Paradise Editon” (sim, eu ainda compro cds) para conhecer melhor suas músicas e breve discografia.  Já conhecia os hits que, de maneira geral, realmente já haviam me cativado.  As outras músicas eram legais, uma ou outra havia me chamado a atenção. No geral o cd é bom e bem melancólico, oque eu gosto e sei que para alguns pode soar parado e em alguns momentos são mesmo. Assim, imaginei um show mais “calmo” e soma-se a essa ideia a certa fama que Lana “carrega” de que não manda muito bem ao vivo, isso devido a sua infame performance no programa Saturday Night Live, lá no início de 2012 quando ela apareceu para o mundo. 

Mas antes mesmo do show começar, algo já me mostrava que alguma coisa diferente estava por vir. O palco, com coqueiros fez com que viesse à minha mente o poema de Gonçalves Dias: "Minha terra tem palmeiras,Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.”. Era um bom presságio... no caso, não eram palmeiras e sim coqueiros e no caso do Sabiá era Lana e ela canta, ou melhor, gorjeia, muito bem!



Logo na primeira música, “Cola”, Lana já mostrou ser bem mais interessante do que poderia se esperar. Ao final da música ela foi junto ao público, cumprimentando e abraçando os fãs. Na sequencia, ela fez jus ao título da música “Body Eletric”. Ela mostrou que além de uma boa voz, ela tem também uma boa presença de palco. Ao final desta música, cantou parabéns a um dos fãs, cativando assim, mais uma vez, o público presente. Quando ela anunciou que a próxima música seria “Blue Jeans”, um de seus maiores sucessos, se ela tinha dúvidas, teve certeza que o público estava em suas mãos. Não por acaso, entre uma música e outra ela elogiava a plateia e ficava com um sorriso no rosto.

As músicas ao vivo são mais pesadas, rock´n´roll, do que no disco.  Com direito a uma competente banda de apoio contendo um quarteto de cordas. E algumas canções, que no disco podem soar monótonas ganham peso e ritmo mais acelerado e acentuado como “Without You”. Músicas desconhecidas ou de menos sucesso também soam mais interessante no show como “Dark Paradise”.  


Lana ao vivo, assim como suas canções, é sexy e envolvente.  Em alguns momentos ela até provoca como quando desceu no chão no melhor estilo funkeira, levantou o curto vestido hippie e chegou a tirar as sandálias na metade do show para ficar ainda mais a vontade. Mas em outros, a maioria, ela apenas cantava suas músicas e em alguns momentos parecia estar em uma “viagem particular”. Também já é memorável a referência às drogas durante a música “Born To Die” ao cantar os versos “Let’s go get high”.

A sequencia final do show, com direito ao curta-metragem do videoclipe “Ride” no telão e trilha sonora ao vivo, fez todos se renderem ao carisma e talento de Lana Del Rey: “Ride”, “Summertime Sadness”, “Video Games” e “National Anthem”. Em “National”, Lana mais uma vez foi ao encontro dos fãs, tirou os brincos para evitar desconfortos e chegou a distribuir diversos beijos tipo selinho, no melhor estilo Hebe Camargo. Encerrando assim o show da melhor maneira possível: com boa energia, risos espontâneos de alegria e música pra cima. 

O show de Lana foi uma agradável surpresa ao mostrar que em um mundo pop cada vez mais focado em cantoras com seus visuais e coreografias, Lana é um alívio para quem quer apenas prestar atenção na música, melodia e versos/letras. Foi um sopro de esperança para quem sentia falta –eu por exemplo - das interessantes mulheres autênticas dos anos 90.  

*Texto por Valmique
Fotos por Diego Moreira