terça-feira, 3 de setembro de 2013

ColunaZs – “Masculinidade Escondida”

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A série de fotografia “Men”, de Nir Arieli, retrata homens em poses entendidas como femininas. Mostrando um lado mais sensível e vulnerável, inspirando-se nas fotografias de mulheres ao longo da história.

O machismo, que ainda impera, inibiu os próprios homens. Quando diz que mulheres são inferiores, automaticamente diz que as características que foram associadas a elas também são. Sensibilidade, vulnerabilidade, suavidade, são coisas de “mulherzinha” .

O trabalho do fotografo é simples e tocante. Pequenas demonstrações de leveza de seres que, de acordo com normas sociais, deveriam ser fortes, superiores e nada além disso. Uma lágrima escorrendo no rosto triste daquele não pode chorar. Um olhar apreensivo, deitado na cama, daquele que deve ser sempre corajoso. Expressões, sentimentos, justamente o que os homens deveriam deixar para as mulheres, tudo ali, explícito da forma mais delicada possível. 

A masculinidade é um assunto recorrente para quem acompanha meus textos. Pois é um dos padrões sociais que mais me impressionam. Justo aqueles que se impõe, se colocam superiores a todo o resto – me refiro aos ‘homens heteros e brancos’  – são os que mais impões limites para si. Ao mesmo tempo que regulam, ou tentam, os direitos dos outros, regulam os próprios. Sua ilusória superioridade social anda ao lado de uma prisão. 

O machismo me deixa chocado e esse choque não diminui. Ele prende a todos, sem exceção. Mas coloca alguns de seus prisioneiros no topo, por isso não fazem questão de interrompe-lo como o resto de nós. A ideia de ser superior cega as pessoas. Um pequeno mundo ideal ao redor de nós faz com os problemas, do resto do mundo, pareçam pequenos ou inexistentes. A ideia de ser superior, o padrão, pode se tornar uma grande venda. 

Machismo é o alicerce para boa parte dos preconceitos existentes hoje. A forma como ele funciona, como prende a todos, ilude a poucos como forma de sustentação, me intriga. 

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The bitch says: follow my ass!