quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ColunaZs - "Harry Louis em `A quase proibida homofobia?´ "

Loading

O que é homofobia? Bater em uma pessoa motivado pela confirmada ou aparente orientação sexual gay é homofobia? É! Mas, homofobia não é só isso. Homofobia não é comportamento exclusivo a heterossexuais, muito menos ser hétero é sinal de ser homofóbico. Ser gay também não é sinônimo de não ser homofóbico. 

Na noite da quarta-feira 04/09, o empresário e ex-ator pornô gay Harry Louis foi o entrevistado do programa "Gabi quase proibida", a versão "para maiores" do "De frente com Gabi" - ambos apresentados pela jornalista Marília Gabriela e exibidos pelo SBT. Louis (ou Edgar Xavier, nome de batismo) revelou ter passado fome, sido garoto de programa, usado injeções para manter ereções nas filmagens, contou como é feito o esperma falso para os filmes, e revelou serem ele e o namorado (o estilista Marc Jacobs) versáteis (ambos penetram e são penetrados no sexo).

Mas o mais chocante não foram as declarações de Louis e sim a reação de parte dos homens gays público das antigas produções pornográficas do empresário. Em sites como Twitter e Facebook, centenas de comentários foram postados. Como nos 32 filmes que protagonizou Louis falava pouco, os fãs o imaginavam como queriam. E, aí, enquanto assistiam a entrevista, a homofobia internalizada (auto-homofobia?) foi liberada. 



Alguns ficaram incrédulos de que, tendo a voz mais aguda, Louis poderia ser ativo (o gay que penetra o outro). "Ele não fala, ele mia", era a classificação mais usada. Outros disseram ter perdido completamente o tesão no ator por ele ter trejeitos delicados, suaves, longe da virilidade e masculinidade do estereótipo do machão. "Passiva louca" e "feminina", eram os temos mais comuns.

O que acontece com (nós) os gays? Lutamos (?) tanto contra a homofobia que esquecemos de deixar de praticá-la? Queremos o fim da homofobia e nem sabemos o que ela é? Só aceitamos gays que se pareçam com "héteros" ou melhor com o esterótipo do machão, do macho alfa? Continuamos tentando ser um e/ou nos apaixonando pelos esteticamente machões para realizar alguma fantasia de que estamos com um ou somos um "hétero"? Ainda não entendemos que é impossível uma sociedade sem homofobia se ela continuar sendo heteronormativa? A homofobia não vai acabar enquanto o machismo existir!

OK, cada um sente tesão por um tipo de pessoa, não tem problema ser gay e não se sentir atraído por um gay que não seja machão, mas é preciso desmerecer, ridicularizar e oprimir os gays que são assim? E será algo tão simples: "só não tenho tesão"? Até porque, acredite, todo gay é estética e comportamentalmente menos másculo do que pensa que é! "A grama do vizinho é sempre mais verde" e, para descontrair, entre os gays seria: "a grama do vizinho sempre é mais rosa e purpurinada"?



Parece que, no fim, para gays homofóbicos e para héteros homofóbicos, você pode ser gay, desde que você não pareça gay. Seja, mas não pareça ser ou tente ao máximo não parecer. "Parecer hétero", na verdade parecer "machão", é, infelizmente, o critério principal da maior parte dos gays ao buscar um parceiro. Persiste a confusão entre os conceitos de gênero, sexo e orientação sexual, então, "homem = machão", "homem/machão=hétero".

Que bom, Harry Louis, que você encontrou alguém para amar e ser amado e que não se importa com a sua voz, com o seu comportamento delicado e suave. Deu para ver que você não se importa com as críticas e isso é ótimo! Se é ou não homofobia as críticas que te fizeram? Eu acredito que é homofobia, mas não posso dar uma resposta definitiva. Agora, que foram uma babaquice eu tenho certeza!

Clique aqui para assistir a entrevista de Harry Louis ao "Gabi quase proibida".

Atualizado: Harry Louis leu a crítica e comentou em seu perfil oficial no Twitter:
 *Ruleandson do Carmo Cruz – Jornalista e cronista responsável pelo blog "Eu Só Queria Um Café", é mestre em Ciência da Informação pela UFMG, tendo pesquisado as redes sociais virtuais de informação sobre amor