sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Walcyr Carrasco fala sobre Félix e diz "O meio gay é o mais homofóbico que existe"

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O autor de Amor à Vida, Walcyr Carrasco, escreveu um texto em sua conta do Facebook revelando detalhes da criação do vilão Félix (Mateus Solano). Ele falou ainda sobre o preconceito que sofreu de homossexuais ao se assumir bissexual e condenou a discriminação que existe dentro do próprio mundo gay.

Segundo Walcyr, à princípio, Félix seria uma mulher na sinopse original da novela. "Quando criei o Félix, de Amor à vida, foi uma surpresa para mim mesmo. Minha ideia inicial era fazer uma vilã tradicional". O papel seria de Flávia Alessandra, que já estava escalada para a anterior, "Salve Jorge". Claudia Raia foi convidada e chegou a aceitar o papel, mas também acabou na novela de Glória Perez.

"Fiquei pensando: que atriz seria essa vilã, capaz de jogar um bebê numa caçamba? Então, me deu um clique. Por que não um gay cruel? Eu mesmo me assustei com a ideia", explica ele.

"Se é gay, também tem de ser do bem. Não admito o "politicamente correto". Pessoas são pessoas. Arrisquei. Criei o vilão gay, que vive num armário. Mas num armário ruído por cupins. Ele desmunheca, fala maldades, é invejoso. Houve quem dissesse que jamais seria aceito pelo público. Que os movimentos gays me apedrejariam. Apostei", continua o autor.

Ao se declarar bissexual recentemente, ele conta que sofreu discriminação de homossexuais que pensavam que ele deveria se declarar gay. "Respondi: tive relacionamentos com várias mulheres na minha vida, a quem amei. Seria um desrespeito a elas dizer que tudo foi uma mentira. Simplesmente, porque não foi".

Ele falou sobre o preconceito existente dentro do próprio mundo gay. "Já conheci muitas 'bichas más', como Félix. Fazem piadas. É um contínuo bullying com quem está perto e é mais frágil. Mexem com quem engordou, está malvestido, tem muito dourado na casa ou é pobre e 'brega'. O meio gay é o mais homofóbico que existe. As mais 'pobrinhas' são chamadas de 'bichas pão com ovo'. As que praticam muita musculação, 'barbies'. O ataque entre si é muitas vezes mais cruel que o da sociedade".

"Félix não é uma bandeira a favor ou contra os gays. Por fugir do estereótipo do bonzinho, talvez fale de liberdade mais que qualquer personagem planejado para dar uma boa imagem. Alguém que não é aceito, que se sente diferente desde criança, nem sempre se torna uma vítima. Mas pode se transformar em algoz. Cada ser humano tem o direito de escolher sua vida, desde que não prejudique o próximo. Não há uma regra para definir quem é melhor ou pior, como exigem tantos grupos religiosos. Embora eu sempre insista: a mensagem cristã máxima é de aceitação. Todo Félix tem uma saída: ser amado. Félix é meu filho. Como todo pai, torço por ele. Até os próximos capítulos!", concluiu.