quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Um dos acusados pelo assassinato do bailarino Igor Xavier, por homofobia, é condenado a 14 anos de prisão

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Hoje aconteceu o julgamento do caso do bailarino homossexual, Igor Leonardo Xavier. O fazendeiro Ricardo Athayde Vasconcellos foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado. A decisão do júri foi unânime. Também estava sendo julgado o filho do fazendeiro, Diego Rodrigues Athayde, que foi absolvido por falta de provas no envolvimento do ato do crime .

A decisão foi comemorada pelo presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno. Há poucas horas ele postou um pequeno texto no Facebook comemorando a condenação de Ricardo Athayde Vasconcelos, de 58 anos. Ele esteve presente no julgamento com outros militantes LGBT. "Dona Marlene e seu Marzinho, pais de Igor, conseguiram essa vitória tão importante pra luta contra a homofobia", escreveu Carlos Magno. 

O julgamento teve início às 9h45 desta terça-feira (27), no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. Durante a manhã as testemunhas foram dispensadas e os réus foram interrogados dando suas versões do acontecido, alegando que agiram em legítima defesa. Eles responderam, em menos de duas horas, perguntas do juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes, do promotor Gustavo Fantini, do assistente de acusação e dos jurados.


Militantes LGBT estiveram presentes no julgamento. Foto: Ninja

Versão dos réus

Segundo Ricardo, ele estava em um bar de Montes Claros, cidade do crime, conversando com amigos sobre filosofia, quando Igor os abordou e entrou na conversa. Ricardo afirma que não conhecia Igor nem nunca o tinha visto. Logo depois a vítima teria perguntado ao réu se ele não tinha livros sobre o tema para emprestá-lo. Então, os dois foram até a residência do zootecnista e lá, ele pediu ao filho Diego para fazer companhia ao visitante enquanto ia ao banheiro.

Segundo os acusados, neste momento, Igor teria assediado Daniel passando a mão em seu órgão sexual e pedindo ele "liberar". Ricardo flagrou o momento e pegou um revólver 38 e uma pistola 380 e foi em direção ao bailarino. Ele conta que tropeçou no tapete da sala, o que teria ocasionado o primeiro tiro. Em seguida, entrou em confronto corporal com o artista e acabou disparando mais vezes, matando-o.

Versão da promotoria

Na fala da acusação, o promotor Gustavo Fantini afirmou que a vítima era assumidamente homossexual e que a versão contada pelos acusados não é compatível com o resultado da perícia. Segundo ele, Igor não teria ido à casa dos réus para pegar livro de filosofia e foi morto à queima roupa. Mostrando fotos do local do crime, o promotor descartou a possibilidade de um embate corporal entre eles.

A partir de depoimentos de testemunha, o promotor afirmou que Igor e Ricardo nem chegaram a conversar sobre filosofia e que eles já se conheciam e tinham um relacionamento amoroso. Fantini pediu a condenação de Ricardo e a absolvição de Diego, alegando que não há provas de que ele tenha atirado no bailarino.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), pai e filho respondem apenas por homicídio qualificado. Eles foram denunciados, além do homicídio, por ocultação de cadáver e alteração na cena do crime, porém esses dois crimes já prescreveram.

Grupos LGBT acreditam que esse júri pode marcar a história da violência contra homossexuais e ser um importante passo na criminalização da homofobia. O julgamento foi interrompido e voltou no início da tarde para o enfrentamento entre defesa e acusação.