segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mateus Solano sobre Félix: “Ele carrega a luta dos homossexuais reprimidos”

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Nos últimos dias, a novela Amor à Vida mostrou o drama da aceitação familiar da homossexualidade, após Félix (Mateus Solano) ser tirado do armário pela ex-mulher Edith (Bárbara Paz). As cenas mostraram o sofrimento do vilão que não aceita o fato de ser gay, a aceitação de parte da família e a rejeição do pai homofóbico.

Logo após as gravações, o ator Mateus Solano conversou com a equipe do site oficial da novela e afirmou que o personagem carrega a luta dos homossexuais enrustidos, que não se aceitam. Além disso, elogiou o trabalho do autor Walcyr Carrasco, por levantar questões tão presentes na sociedade. Veja alguns trechos:

Você se surpreendeu ao receber essas cenas, ao ver o Félix chorando, abraçando a Paloma?

É uma catarse, é uma redenção de alguma parte do Félix. O Walcyr escreve bem demais para o Félix, principalmente nas questões gays, homossexuais. A cena com o Jacques, no restaurante japonês, foi uma que me emocionou de ler. Ele fez uma belíssima comparação entre o gosto adquirido que a gente tem pela comida japonesa, que nós ocidentais não nascemos gostando, e o gosto adquirido que o Félix tomou pela família, por ter uma mulher e um filho, que não é da natureza dele, a natureza dele é homossexual. E no final, o Félix diz: "mas sinceramente, eu prefiro a comida japonesa." É muito bonito e muito triste, mostra uma tristeza que está aí, pulsante, em tantos homossexuais, há tanto tempo na sociedade. (...)

Félix fala que se não tivesse que viver fingindo, ele até poderia ser um homem melhor. Você acredita que o Félix poderia se redimir?

É complicado. O Walcyr é sempre muito justo, no sentido de que em todas as tramas, quem faz maldade, paga no final. Eu cheguei até a cogitar que o Félix seria preso e que encontraria um negão na cadeia que faria ele feliz, ou coisa parecida. Mas não sei, vindo do Walcyr, tudo é possível. Eu diria que é muito maleável a cabeça do autor nesse sentido, de estar sempre pescando a reação do público. Sem dúvida, existe um gosto popular pelo Félix. Ele carrega a luta dos homossexuais reprimidos, que não conseguem se aceitar. Como diz a Paloma na cena, o mais importante é você se aceitar primeiro. E como o Félix é estandarte dessa luta, isso tem que ir para algum lugar positivo. Mas saber o que vai acontecer, eu não sei... Estou gostando muito de fazê-lo e de me desafiar a cada cena que chega.

A íntegra da entrevista está disponível no site oficial da novela