quinta-feira, 23 de maio de 2013

Novidade no ColunaZs: “As aventuras de Diego em Berlim”

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Essa é a imagem da antena de TV de Berlim em alexanderplatz: ela ficava na parte oriental da cidade e servia pra bloquear o sinal de TV do lado ocidental.

Episódio Piloto - As aventuras de Diego em Berlim

Se a minha vida fosse um seriado de televisão americano, já conseguiria imaginar a cena inicial do primeiríssimo episódio: o avião aterrisando em Berlim, eu olhando a vista pela janela, numa mistura de ingenuidade, e esperanças; como se um novo mundo de infinitas possibilidades estivesse se abrindo pela minha frente. “Quem é essa pintosa cheia de malas andando pelo aeroporto? O que ela faz? Pra onde ela está indo? Por que ela está aí?” – seriam as primeiras perguntas dos telespectadores diante da televisão. Então, entraria a minha voz narrando todo o contexto, no melhor estilo Sex and the City – porque se Nova York tem Carrie Bradshaw, por que Berlim não pode ter Diego Garcia? 

Então vamos ao contexto: Meu nome é Diego e sou de São Paulo. Me formei em artes visuais no Brasil e, desde a minha pré-adolescência, quis morar em um outro país – esse desejo acabou virando um objetivo maior quando eu terminei a faculdade: queria fazer uma pós-graduação no exterior. Primeiro eu queria ir pra Nova York, mas me desapaixonei dela, porque, desculpe-me, mas os Estados Unidos são uma chatice. Depois queria ir pra Londres – porque as melhores faculdades de artes da Europa ficam lá. Porém, depois de um super mochilão pela Europa, aonde fiquei uma semana em Berlim, não demorou muito para eu mudar de ideia novamente em favor dessa cidade bafônica.

Berlim é uma cidade única e a vibração que existe aqui, eu não vi em nenhum outro lugar por onde passei. Há muitas razões para eu ter me mudado para cá: é uma cidade baratíssima (até mais que São Paulo); um lugar multi-cultural; super receptivo e mente-aberta. Além disso, não posso deixar os homens alemães de fora da minha lista de razões pra eu ter me realocado para estas terras européias. Bitch, please!

Além disso, por eu também ter uma “vida dupla” como artista visual e produtor de música eletrônica, Berlim me oferece o melhor dos dois mundos. Porque, quando eu digo “música eletrônica”, não me refiro a esses hits de rádio uós e nem de músicas pop chicletão que todo mundo está careca de ouvir na boate. Em Berlim, o que domina é o techno pesado, underground, sinistro, assombroso, com pouquíssimos vocais para as bees dublaram e fazer performance bate-cabelo no meio da pista. Aqui não existe a “boate gay” ou a “boate hétero”. Aqui tem a boate de deep-house, a boate de techno, de dub-step, de minimal e vai tantos gays como héteros – convivendo em perfeita harmonia.

OK, existem bares gays e também existem festinhas gays especiais, em algumas boates, em determinadas datas, aonde toca mais ou menos o que tocaria numa balada gay brasileira habitual – mas, estas não são, nem de longe, as melhores festas de Berlim.

Por estas e tantas outras razões que eu estou aqui na capital alemã. Gostaria de ressaltar que esta coluna não será um guia de dicas turísticas da cidade – para isso, já têm livros, sites especializados, etc. Esta coluna, como o próprio nome diz, relatará as minhas aventuras e desventuras por Berlim. As cagadas de maiô e as conquistas de objetivos sob a ótica de um gay brasileiro numa cidade alemã.

Faz exatamente uma semana e quatro dias que me mudei pra cá, e já posso escrever um livro com tudo o que me aconteceu nos últimos dias. Semana que vem eu volto com as minhas primeiras impressões de Berlim.

Auf Wiedersehen!

Diego Garcia é artista visual multimídia e produtor de música eletrônica experimental, aonde mantém o nome artístico Projekt Gestalten (arrasa no alemão, bee). Ele nasceu na selva paulistana e atualmente mora em Berlim, aonde se prepara pra iniciar o seu mestrado em Comunicação Visual. Já trabalhou com artistas bafônicos como Lars von Trier, Las Bibas from Vizcaya, Tide Hellmeister, Tiffany (aquela cantora americana brega dos anos 80; não a loja de jóias chiquérrima que a Audrey Hepburn ia tomar café em frente todos os dias). Pretende, em um futuro não muito distante, derrubar o que restou do muro de Berlim com as suas batidas de techno, seu glamour, luxo e poder.