segunda-feira, 20 de maio de 2013

Novelista Walcyr Carrasco sobre beijo gay na nova novela Amor à Vida: “Essa é a visão da Globo. E eu sou um funcionário”

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Hoje, logo mais, estreia a nova novela “Amor à vida”, escrita por Walcyr Carrasco e exibida pela Rede Globo, e que promete chamar a nota atenção. Afinal, o vilão da novela, papel do ator Matheus Solano, será gay e ainda haverá um casal homossexual (atores Thiago Fragoso e Marcelo Antony) que quer adotar uma criança.  

Em recente entrevista à colunista Mônica Bergano, da Folha de São Paulo, o novelista Walcyr Carrasco falou sobre as temáticas gays na novela, a polêmica e expectativa do beijo gay, a possível posição da Globo sobre exibir ou não o beijo e o suposto conservadorismo do público

Sobre o papel de Mateus Solano: "O personagem já existia antes do aparecimento do pastor Feliciano... Estou escrevendo a novela há um ano. Mas, de certa maneira, é um tipo que o Feliciano aprovaria, porque não se expõe. É o gay no armário, casado e com filho”.

Sobre o vilão ser gay: “Não quer dizer que todos os gays sejam maus, quer dizer que esse personagem é mau e é gay. O politicamente correto virou uma obsessão. Sempre vão arranjar um motivo para dizer que tal obra não deveria ir ao ar por esse ou por aquele motivo."

Sobre incluir ou não beijo gay na novela: "No Brasil, qualquer casal gay pode se beijar onde quiser e ninguém pode falar nada. Mas esse direito não é exercido, só em locais específicos. O que se cobra da TV é que ela dê um passo que os próprios homossexuais não deram, que é o de assumir o seu espaço. Essa é a visão da Globo. E eu sou um funcionário... estou preocupado com a questão do beijo gay. Acho que você pode escrever que talvez possa rolar, mas não é algo que esteja planejado. Não como um grande acontecimento. Se rolar vai ser algo totalmente cotidiano, sem bater nos tambores. Tem que ser visto como algo corriqueiro".

Sobre o público ser conservador para ver um beijo gay: “Travestis são eleitos no interior do Nordeste para deputado, para vereador, em lugares que nunca imaginaríamos. Tenho a impressão é que há grupos conservadores na sociedade que fazem muito barulho porque dão surra, gritam. Existe uma onda de conservadorismo insuflada por algumas igrejas evangélicas."