terça-feira, 7 de maio de 2013

ColunaZs – “Você tem medo da homofobia?”

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Falo com toda a honestidade do mundo agora. Nunca tinha pensado, de verdade, nisso. Até que ouvi essa pergunta, não direcionada a mim, e não consegui pensar em como a responderia.

Medo? Se eu tenho medo? 

Cheguei à conclusão de que não. Não tenho medo da homofobia. Tenho consciência, aversão. Tenho muitas coisas, mas medo não é uma delas. Cheguei a pensar que tinha medo ocasional. Se estou na rua, sozinho. Poderia ali surgir um medo. Mas não. Mesmo em ocasiões em que poderia estar mais vulnerável, não tenho medo. Ali tenho consciência, plena consciência. Mas medo... medo eu posso ter de agressões, mas não de seus motivos. Medo eu posso ter de roubos, mas não de seus motivos.

O medo que posso sentir, em algum momento, não é do preconceito. É do que ele pode causar. Disso tenho medo. E não apenas por mim. Temo por todas as pessoas que possam ser expulsas de casa, agredidas sem motivo, mortas. Disso eu tenho medo.

Tenho medo do que essa irracionalidade, que leva o nome de homofobia, pode causar de dor. Uma agressão homofóbica quebra os ossos da mesma forma que uma surra por outros motivos. Obviamente que a carga psicológica altera o trauma. Mas o que me assusta de verdade é a capacidade humana de agredir o outro de tantas formas. 

O preconceito é a motivação para ações que me assustam. A pessoa não se torna capaz de espancar, matar, por causa da homofobia. Se ela faz isso por homofobia, provavelmente faria por outro motivo. O preconceito apenas lhe incentiva. 

Acabei percebendo que não ter medo do preconceito me ajuda a combate-lo. Não me amedronto, não me curvo, não paro. Não temo essa ignorância e acredito que ela tenha cura. Não adianta, homofobia não me assusta. Não vou parar de tentar muda-la. 

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The bitch says: follow my ass!