quarta-feira, 29 de maio de 2013

ColunaZs – “As aventuras de Diego – O alemão fofo”

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Segundo capítulo: o alemão fofo

Olá, querido leitor! Hoje eu irei comentar sobre o caso do alemão fofo. Esta história se desenrolou ao longo de semanas, mas, ao invés de contar as coisas em ordem cronológica, pra ficar mais descomplicado, eu irei resumir tudo em um post só. Outra coisa é que, pra preservar as indentidades das pessoas, eu não citarei nomes e sim as suas descrições, como nos livros do Saramago.

A minha história com o alemão fofo começou em janeiro. A gente nunca tinha se visto antes. Conversávamos pela internet e telefone: sempre com esta expectativa de que eu chegaria em Berlim em maio pra finalmente nos vermos. Ele foi me buscar no aeroporto e combinamos de nos vermos no dia seguinte...

A primeira coisa a fazer foi ir ao Bürgeramt (tipo um Poupa-Tempo aí na selva brasileira) me registrar como cidadão de Berlim. Ainda bem que o alemão fofo estava comigo! Porque ninguém falava uma palavra de inglês. Então foi ele quem fez toda a comunicação. Em seguida, fomos na IKEA - a loja de móveis mais bafônica do mundo; e comprei toda a mobília do meu quarto.

A noite, fomos em um restaurante italiano a luz de velas! O nosso dress-code já estava descombinando. Eu estava de calça, blazer, camisa e gravata enquanto ele usava uma calça jeans e camiseta polo: ele estava mais bem vestido quando fomos pra IKEA. Conversamos horrores sobre a vida e daí fomos num bar nas redondezas. Depois das duas taças de vinho e um shot de licor de manga no restaurante; ainda bebi mais dois cocktéis no bar e um outro shot de outro licor bafo. Fomos pro apartamento dele e PAFT! Bafo e tumulto! Mas a química não estava combinando muito. Dormi na casa dele e, voltando no trem, eu tinha me esquecido como esses alemães são lindos. PQP!!!

Depois disso, ficamos uns seis dias sem se falar porque os pais dele vieram visitar e ele ficaria com eles o tempo todo. Na semana seguinte marcamos de ver um filme na casa dele. Eu já tinha decidido que só queria ser amigo dele mesmo. Não só por esse lance da “química” mas porque temos estilos de vida muito diferentes: ele gosta de barzinhos, ficar em casa e eu gosto de baladas de techno e sair pra dançar. Sem contar que ele já queria uma relação séria logo de cara e eu acabei de chegar na cidade! Em um país diferente, num continente diferente, ainda nem havia montado os móveis do meu quarto – era muito cedo pra pensar nisso.

Mas o alemão fofo já tinha deixado bem claro que ele estava gostando de mim, por isso, quis tentar fazer ele se “desapaixonar” por mim e me ver só como um amigo mesmo. Lembrei de uma vez que ele falou que odiava “afeminados”. Então eu arrasei num modelão de calça rosa/salmão, camisetinha amarelo-canário da Colcci e uma jaquetinha estruturada verde-esperança. A seleção de filmes?? Elvira, a Rainha das Trevas, um episódio da quarta temporada de Rupaul's Drag Race (que a Elvira é a jurada – já emendando com o filme) e Hedwig and the Angry Inch.

Fui pro flat dele; a gente não trocou um beijo: eu estava decidido que ia ser uma noite com um amigo mesmo. Eu estava no sofá e, às vezes, ele vinha e deitava a cabeça no meu colo ou tentava me acariciar de alguma forma. Só que, depois de um tempo, ele parava e ficava no canto dele. A gente assistiu tudo a noite toda; já eram 4 da manhã e ele falou "vamos pra cama". Só que eu nem tirei a roupa A) porque estava frio e ele só tinha um cobertor básico B) porque eu não queria mesmo.

Voltei pra casa e, depois de algumas horas, tem uma mensagem dele no meu celular: "Bebê, eu quero o cara que eu estava conversando por meses de volta!". Então eu joguei a real, falei tudo o que estava me preocupando e ele me ligou falando: "Eu gosto muito de você, eu não quero te pressionar, mas, pense e se você achar que a gente não vai dar certo como namorados, a gente não vai poder ter mais nenhum tipo de contato. Eu não posso ser seu amigo, já passei por essa situação antes e eu não quero isso de novo!".

Então, depois de um fim de semana de baladas doidíssimas (as quais eu contarei em detalhes mais pra frente); o alemão fofo pede pra se encontrar comigo. Marcamos numa praça. Eu havia emprestado uns livros de quando eu era criança pra ele aprender português. Ele trouxe os livros numa sacola, devolveu pra mim e me disse que achava melhor não nos falarmos por um tempo. Foi muito bucólico a gente ali no banco da praça e, de vez em quando, aquele silêncio mortal.

Eu disse que não iria bloqueá-lo em nenhum lugar e que ele poderia me contatar quando quisesse. Eu expliquei novamente as minhas razões e ele meio que entendeu. A gente foi pra plataforma do trem e cada um foi para um trem diferente em sentidos opostos.

Uma cena bem poética…

Diego Garcia é artista visual multimídia e produtor de música eletrônica experimental, aonde mantém o nome artístico Projekt Gestalten (arrasa no alemão, bee). Ele nasceu na selva paulistana e atualmente mora em Berlim, aonde se prepara pra iniciar o seu mestrado em Comunicação Visual. Já trabalhou com artistas bafônicos como Lars von Trier, Las Bibas from Vizcaya, Tide Hellmeister, Tiffany (aquela cantora americana brega dos anos 80; não a loja de jóias chiquérrima que a Audrey Hepburn ia tomar café em frente todos os dias). Pretende, em um futuro não muito distante, derrubar o que restou do muro de Berlim com as suas batidas de techno, seu glamour, luxo e poder.