domingo, 7 de abril de 2013

Rucapitulando: Aquele do “mi chica latina” (nono episódio do RuPauls Drag Race)

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“gonna love you, you’re a superstar”

Atenção: Este texto contém spoilers do nono episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Anteriormente, em RuPaul’s Drag Race: as drags criaram uma fragrância com todas as características delas, e ainda tinham que bolar o conceito, produzir os comerciais e bolar todo um lançamento. Claro que foi um show de horrores, que terminou com Alaska ganhando o desafio e Ivy Winters dando tchau para Jinkx e a competição. 

Duas semanas sem episódios de RuPaul’s Drag Race serviram para eu trocar ideias com os amigos que também assistem essa delícia. Conversamos sobre as favoritas, os desafios e sobre quem vai chegar na final. Todo mundo foi unânime em colocar a Jinkx como favorita ao prêmio, e muita gente justificou utilizando o sistema de cotas da RuPaul. Explico: uma das críticas mais constantes que RuPaul’s Drag Race e o RuPaul recebem é que o programa sempre é composto pelos mesmos tipos, que são, muitas vezes, minorias dentro do movimento gay. Então sempre rola uma latina, uma plus size, a negra, a de vida sofrida... E, analisando o histórico do programa, a RuPaul sempre tenta premiar integrantes dessas cotas. Na primeira temporada, a ganhadora era do Camarões; na segunda, uma afro-americana; Raja, ganhadora da terceira, tinha origens na Indonésia; e por fim, Sharon Needles, na quarta, era a gótica, a estranha. Das cotas ainda não preenchidas (latinas, plus sizes, comediantes e drags que participam de concursos de beleza), apenas as plus sizes e comediantes ainda tem representantes no programa. Isso se levarmos em conta que a Roxxxy é uma plus size, mesmo tendo perdido vários quilos.  

De todas, entretanto, Jinkx é a que parece ter mais chances nesse sistema de cotas. É a comediante que mais ganhou atenção e, parece, admiração do público desde Pandora Boxx, uma das drags mais competentes do programa, participante da segunda temporada (inclusive, quando ela foi eliminada, vários sites criticaram muito a decisão do RuPaul, alegando que Pandora era a melhor competidora daquele elenco). 

Não consigo ver a Jinkx como favorita. Ela é de fato muito competente e tem um diferencial para as outras, que é pensar bastante na execução dos desafios e se dar ao máximo para realizá-los. Mas mesmo assim, não a vejo como a ganhadora dessa edição. Acredito que Alaska e Roxxxy tem as mesmas chances que ela, e só precisam pensar mais antes de agir (Alaska já começou a fazer isso, tanto que se desligou da Roxxxy e da Detox para poder brilhar sozinha). 

No mini-desafio dessa semana, as drags foram convidadas a participar do “The crying game”. Deveriam sentar em roda e contar uma história comovente, simulando um choro. Todas elas focadíssimas no desafio, tentando derramar lágrimas e mais lágrimas, quando Detox começa a contar do ex-namorado falecido. Fez como a Roxxxy no lipsync, quando ela contou da mãe que a abandonou, e começou a falar enlouquecidamente sobre o caso. Acabou fazendo todas as outras ficarem com os olhos marejados e, óbvio, ganhou a prova junto com Alyssa. 


Para o desafio, as bonitas foram dispostas em dois times (Alyssa, Coco e Jinkx conta Detox, Roxxxy e Alaska), e tinham que estrelar uma novela latina, cheia de personagens fortes, reviravoltas e  toda aquela pegada que já estamos acostumados a ver em Marias do Bairro, Usurpadoras e similares. Para ajudá-las na cena, RuPaul convidou Wilmer Valderrama, que eu nunca tinha visto, mas dei um google e descobri que é mais um latino fazendo o latino em produções da TV americana. Nada demais. O choque dessa prova foi, claro, Alyssa ter que escolher Coco como parceira, já que era a última opção. As duas ainda não se falam muito bem e eu acho ótimo porque aumenta a tensão no ateliê, todo aquele climão no ar. 



O desafio foi apenas legal, os dois times criaram cenas bem medianas, sendo que o time da Detox se esforçou um pouco mais, ou tinha uma experiência maior com o assunto. Roxxxy foi incrível fazendo a filha, Alaska estava muito divertida como a mãe megera, e Detox como a empregrada cheia de segredos. No time da Alyssa, apenas Jinkx mostrou a que veio, enquanto as outras duas ficaram apagadíssimas. Jinkx manteve o nível lá em cima, a voz parecida com a das novelas e deixou a personagem interessante, caso estivesse dentro mesmo de uma telenovela.

A essa altura do campeonato, é muito mais fácil falhar porque a quantidade de rivais é menor, então os erros passam a gritar mais  quando acontecem. E parece que Jinkx não tem medo de se perder, porque ela vai com tudo nos desafios. Vide o look de caveira do desfile. RuPaul pediu para as drags irem com um modelo latino que gritasse “extravaganza”. Enquanto as outras apostaram em elementos étnicos, com sombreros, maracas e roupas cheias de babados, Jinkx usou um look que remete ao “Dia de los muertos”, tradicional feriado mexicano. Poderia ter sido um erro terrível, mas foi um enorme acerto, tanto é que ela foi eleita a vencedora da semana. 


As duas piores foram Alyssa e Coco, o tão aguardado choque de monstro da temporada. E, seguramente, foi um lipsync memorável. Coco mostrando toda sua experiência de dublagem, repetindo cada palavra da música, enquanto Alyssa usava todo o palco para sua performance. É possível que jamais veremos uma precisão na dublagem como a de Coco e muito menos um salto em pirueta caindo no espacate, como o dado por Alyssa. Depois de três desafios seguidos como uma das piores da noite, Alyssa foi mandada embora. 

A vitória de Jinkx só aumenta suas chances de chegar à final. Contando com a sorte e com o sistema de cotas da RuPaul, é possível, inclusive, que ela ganhe o título. Não seria de todo ruim e, nessa temporada com drags oscilando o tempo todo, seria uma boa ter como campeã uma bonita que tem um talento um pouco mais constante. Mesmo que ela dê umas cochiladas de vez em quando! 

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.