domingo, 21 de abril de 2013

Rucapitulando: Aquele da glicose lá em cima (episódio 11 do RuPauls Drag Race)

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“all I need is room to show you what I’m living for!”

Atenção: Este texto contém spoilers do décimo primeiro episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Anteriormente, em RuPaul’s Drag Race: as drags transformaram veteranos do exército, marinha e aeronáutica em drags sisters. Maquiagem, perucas, looks, tudo para ficarem incrivelmente parecidas. Coco e Detox não foram lá tão boas e tiveram que dublar para se salvarem. Depois de quatro lipsyncs, Coco rabiscou uma mensagem no espelho, empacotou as coisas e foi embora. 

Penúltimo episódio antes da grande final e eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas ainda bem que está acabando. Jamais tivemos uma temporada tão arrastada, com drags tão choronas em toda a história desse programa. Todo dia é um mimimi, alguém que conta algum drama pessoal, mães drogadas, abandono, namorados que se matam. Era para ser RuPaul’s Drag Race, mas essa temporada parece mais o programa da Oprah. 

Tem também o fato de que a própria RuPaul não tem ajudado muito. Se antes os desafios eram inovadores e nos faziam ficar pulando na cadeira, essa temporada tem sido bem qualquer coisa. E isso ficou super claro nesse episódio. Parece que a produção viu que essa delícia não renderia tanto e começou a reutilizar algumas provas anteriores. Claro que manter o nível de criatividade depois de cinco temporadas é bem difícil, mas se querem copiar alguma coisa, que copiem da primeira temporada, que é obscura e muita gente não viu. 

Na volta ao ateliê rolou aquela tensão básica entre Rulaskatox e Jinkx. E fico me perguntando se a bonita da drag dorminhoca ainda não percebeu que ela é favorita ao prêmio. Porque todo dia ela reclama que está sendo deixada para trás, que ninguém liga para ela, que ela vem sofrendo dragbullying das colegas. Com cem mil dólares quase já na minha conta eu jamais ligaria para o que as recalcadas andam falando. Outro ponto tenso no episódio foi que a edição tentou transformar a Roxxxy em vilã de qualquer jeito. Todos os comentários dela que apareciam em off falavam mal de alguém, especialmente da Jinkx. O problema de colocá-la nessa posição é que ela jamais será uma vilã como Raven, da segunda temporada, os as Heathers, da terceira. Nem mesmo como a PhiPhi, uma vilã questionável da quarta. Mas é como eu disse antes, a edição precisa de uma vilã para contrabalancear, especialmente com a pegada mais cômica da Jinkx. Uma pena que o tiro saiu pela culatra e, além do mais, veio incrivelmente tarde. 

Corte rápido para o dia seguinte, com RuPaul aparecendo para falar dos desafios. O primeiro desafio do dia era fazer uma interpretação de uma das drags com marionetes. A mesmíssima prova que o top 4 fez na temporada passada, sem tirar nem por. Alaska falou de Roxxxy, que falou de Jinkx, que falou de Detox, que falou de Alaska. E, claro, rolou toda uma chuva de gongação por parte delas. Alaska foi a vencedora e ganhou um bônus para o desafio da semana, que consistia em fazer três looks diferentes inspirados em doces: um com pegada adolescente; outro de executiva; e um de alta costura enlouquecida de açúcar. E aqui abro dois parênteses: primeiro que esse desafio de fazer roupas de doces é mais velho que tudo. Inclusive rolou um parecidíssimo na quarta temporada de Project Runway, quando os estilistas fizeram roupas com produtos da Hershey’s (e a RuPaul nem para colocar uma marca lá e ganhar uma grana). E segundo que, como disse um amigo meu, já deu essa história de fazer looks adolescente-executivo-alta costura. A RuPaul, truqueira que só, apenas muda o nome, mas no fim é sempre a mesma coisa. Por ter ganhado a prova das marionetes, Alaska teve quinze segundo de vantagem para pegar os doces. Mas nem rolou brigas, cotoveladas nem nada disso. Saudade de Tyra Sanchez empurrando todas as drags na segunda temporada.  

Depois disso as bonitas foram trabalhar e o ateliê virou um mar de açúcar. Todas concentradíssimas, tirando da cartola as ideias mais absurdas. E foi um tal de colar pirulito aqui, quebrar balas ali, aloprar no algodão-doce... RuPaul fez uma visitinha no meio do processo, deu uma gongada básica em cada uma delas, o que fez com que alguns desenhos fossem repensados. Mas antes de ir embora, a bonita anuncia uma pequena adição ao desafio: as drags teriam que criar um número bem doce para uma música que dublariam coletivamente. Alaska ficou responsável pela coreografia porque ganhou o mini-desafio e todas as outras drags amaldiçoaram isso porque elas sabem que a bonita dança como se fosse um zumbi. E isso apareceu no ensaio, que foi um desastre. Mas é aquele velho truque da edição mostrar só os erros para depois ter o choque da apresentação dando certo. E foi o que aconteceu. A apresentação foi bem divertida, as drags estavam engraçadas, apesar dos jurados terem falado que foi bem plana, bem simples. 


Os looks foram bem altos e baixos. Alaska e Roxxxy foram incríveis nos três, apesar de Roxxxy ter mostrado um look teen meio piriguete, enquanto Jinkx e Detox foram duramente questionadas pelo júri. Jinkx perdeu totalmente o rumo do desafio, criando looks bem datados e fora do contexto. Já Detox não fez nenhuma referência aos doces no look de alta costura, e isso também foi alvo de várias críticas. 



Alaska foi a vencedora, Roxxxy foi salva e Jinkx e Detox foram para o lipsync. Pela temática do desafio eu pensei que a música que elas dublariam seria Candyman, da Christina Aguilera, ou até mesmo Candy Shop, da Madonna. Mas eis que começa a canção e me surge uma música meio cabaré, meio teatro de revista, totalmente vintage. Ou seja, a música perfeita para Jinkx, e toda a teatralidade, toda a pegada camp, dublar. Ela colocou Detox no bolso e fez um número que não só a salvou como a colocou em uma posição privilegiadíssima de forte candidata ao prêmio máximo, porque finalmente vimos o potencial que ela tem no lipsync. Bem como eu disse na semana passada, se ela ficasse seria ocupando o lugar da Detox. 


As três drags restantes ganharam dois desafios cada e apenas Alaska não precisou dublar para se salvar. Geralmente, no último episódio, o desafio é participar de um clipe com a RuPaul, então as drags são avaliadas nos quesitos coreografia, looks, presença no vídeo, entre outros, além de serem avaliadas pelo conjunto da obra do decorrer da temporada. Cada uma delas tem um ponto forte, e o que vai definir a ganhadora é, de fato, como elas vão conseguirão trabalhar os outros pontos que elas não têm tanta facilidade. Eu vejo Jinkx com uma leve vantagem, pelas cotas e pelo ineditismo de ter uma drag comediante como ganhadora. A imagem da Roxxxy não é uma coisa tão inédita no mundo drag, e talvez já esteja cansada. Já Alaska é namorada da campeã da edição passada. Querendo ou não, isso tira um pouco do brilho que ela possui. O final está ali na outra esquina, e as três têm chances de afanar essa coroa. Resta saber quem brilhará mais no fim das contas. 

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.