domingo, 24 de março de 2013

Rucapitulando: Aquele do “que cheiro é esse?” (oitavo episódio do RuPauls Drag Race)

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“is some tranny chasers up in here?”

Atenção: Este texto contém spoilers do oitavo episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Anteriormente, em RuPaul’s Drag Race: as drags criaram um show de gongação para falar mal da RuPaul e dos coleguinhas de júri. Claro que todas foram venenosas porque era isso que queriam desde sempre. No final, ninguém foi mandada para casa porque Roxxxy e Alyssa botaram fogo no palco, e Roxxxy ainda derramou rios de lágrimas ao relembrar o passado.

Uma coisa que tem me irritado muito nessa temporada de RuPaul’s Drag Race é a falta de consistência das drags. Em um episódio uma delas se destaca e fica em primeiro, para, no episódio seguinte, ir para as piores da semana. Ou vice-versa. Isso aconteceu com Ivy, Coco, Detox e por aí vai. Se em outras temporadas tivemos Nina Flowers e Tyra Sanchez, que nunca foram as piores da semana e tiveram que dublar (Tyra, inclusive, foi a campeã da segunda temporada), ou mesmo Raja e Manila que foram incríveis mesmo com um ou outro deslize, o que vemos nessa temporada é um sobe e desce terrível. De todo o grupo, a mais constante é sem dúvida Alaska, apesar dela nunca ter ganhado um desafio. Entretanto, para o programa, esses altos e baixos são ótimos, pois não deixa nenhuma delas como favorita. Acho que só saberemos mesmo quem vai ganhar essa temporada quando chegar no top 3, isso se ainda soubermos. As três finalistas da quarta temporada tinham chances reais de ganhar e só quando a coroa parou na cabeça da Sharon Needles é que vimos a real campeã. 

O capítulo começou com as drags de volta ao ateliê, falando sobre a não-eliminação da semana anterior. As duas que foram as piores estavam super felizes, mas as outras nem tanto. Afinal, em um reality show desse tipo, menos (concorrentes) é mais (chances de ganhar). E deixar de eliminar alguém só contribui para aumentar a temporada, que já está arrastadíssima. Tudo bem que, episódios atrás, RuPaul mandou duas embora, mas ele sempre vem com um twist de trazer uma eliminada de volta, o que gera mais um programa. Só espero que ele não faça isso dessa vez. 

Para o mini-desafio da semana, as drags tinham que jogar uma espécie de jogo da memória, só que no lugar de cartas com animais desenhados, elas tinham que combinar as cuecas de 22 assistentes de palco. Ou seja, cueca boxer azul de um com cueca boxer azul de outro, e por aí vai. Claro que esse foi um desafio que só serviu para a RuPaul ganhar uma grana com a propaganda da marca de cuecas em questão, mas pelo menos foi divertido ver as bonitas passadas quando os assistentes abaixavam a bermuda e todo o pacote era revelado. 

Olha esse volume!

Para o desafio principal, as drags tinham que criar sua própria fragrância, já que, como disse RuPaul, uma pessoa não é famosa se não tiver seu próprio perfume. Para isso, elas tinham que bolar o cheiro, o frasco e toda a campanha de lançamento. Ou seja, uma prova para botar as bonitas para ter ideias em várias áreas, quase um pequenas empresas, grandes negócios do mundo drag. 

Como não podia deixar de ser, cada frasco, cada campanha e cada look era mais surreal que o outro. O que falar, por exemplo, de Coco Mantrese e seu Ruanimale, todo trabalhado nas peles de leopardo? Ou Detox lançando Heroine? Esse desafio me lembrou um outro da quarta temporada, onde as drags tinham que criar uma capa de revista, cada uma com um tema diferente. Se juntássemos todas em uma só nem assim saía alguma coisa interessante. As drags, geralmente, tem um gosto incrível para maquiagem, para criar o que vestem, mas quando tem que combinar muitas coisas em um produto elas geralmente pesam a mão. 

De todos os comerciais, os mais interessantes foram mesmo os da Alaska, Detox e Jinkx. Eles tinham uma história, tinham um conteúdo e dava para ver que elas pensaram no que estavam fazendo. Não é a toa que foram as três melhores da noite, com Alaska saindo, finalmente, vitoriosa. 

Mas o que mais me chamou atenção no episódio foi a revelação feita pela Jinkx. Por ter ganhado o mini-desafio, Ivy Winters recebeu o direito de ligar para casa e, enquanto a bonita conversava com a mãe, Jinkx contou para Alaska que tinha uma queda por Ivy. O que ficou meio óbvio durante o programa, numa cena em que as duas conversavam sobre o desafio e, em off, Jinkx falava que desenvolveu uma forte conexão com a outra drag. 

Kiki Detected!

Nunca houve um caso de duas drags que tivessem alguma coisa, ou, se teve, nunca foi explorado pela produção do programa. Na gíria drag, quando duas bonitas estão se relacionando, fala-se que elas estão “ki ki” (lê-se cai cai) uma com a outra. Todo mundo pensava que isso poderia rolar essa temporada com Roxxxy e Detox, pela proximidade das duas. Não se sabe se relacionamentos são permitidos, mas partindo de RuPaul e da vontade de sempre ter alguma coisa que seja choque de valor, esse deve ser o desejo secreto dele. 

No desfile principal, as drags tinham que vir com um look que tivesse relação com o perfume que elas estavam vendendo. Alaska, veio toda de executiva meio rocker, com uma pegada meio louca. Jinkx e Detox, as outras bem colocadas, estavam ok. A primeira veio com uma roupa meio anos 1920, com uma estola no pescoço, fazendo a teatral, enquanto a segunda apostou nas transparências. 

Alaska no modelito "sexcretária"

As duas piores foram Ivy e Alyssa. Eu achei que Coco pudesse estar também, mas parece que RuPaul quer mantê-la um pouco mais na disputa. Alyssa continuou no jogo e Ivy foi mandada embora, acabando com a possibilidade de vermos o primeiro casal formado em RuPaul’s Drag Race. 

Com essa história das drags não se sustentarem, como eu disse no começo do texto, fica dificílimo apontar quem vai ganhar essa disputa. Se eu tivesse que colocar o meu dinheiro em alguém, nessa altura do jogo, apostaria na Alaska, por ser a única mais estável. E ainda acho que ela tem muita coisa escondida para mostrar. Só não o fez ainda porque está, talvez, fazendo como diz a música da Vanessa Williams: salvando o melhor para o final!

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.