quinta-feira, 7 de março de 2013

Que país é esse?! Deputado pastor, acusado de homofobia e racismo, é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos

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Vivemos em um estado laico, mas no congresso há uma bancada evangélica. Um pastor deputado, acusado de racismo e homofobia, é o presidente da Comissão de Direitos Humanos. Que país é esse? O Brasil. Isso mesmo! Nosso lar doce/amargo lar... 

Infelizmente - apesar de protestos e diversas contradições no perfil de uma pessoa para assumir algum cargo relacionado à direitos humanos – o pastor Marco Feliciano foi eleito há poucas horas o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

A votação

A votação seria realizada ontem, mas houve protestos e foi adiada para hoje de manhã, em uma sessão fechada, sem presença do público e imprensa, mesmo a Câmara sendo considerada a “casa do povo”.

Mas a votação não foi tranquila. O então presidente, deputado Domingos Dutra (PT-MA), chegou a se retirar da sessão e a deputada Luiza Erundina chegou a dizer que "esta não é mais uma comissão de direitos humanos".

Mas com ou sem protestos o pior aconteceu: o pastor Marco Feliciano, do Partido Social Cristão de São Paulo (PSC-SP) foi eleito. Conforme explica matéria do Estadão, ele teve 11 votos e um nulo. Em represália ao nome de Feliciano, parlamentares do PT e do PSOL deixaram o plenário da comissão, negando-se a votar no candidato único. A eleição do presidente é feita pelos membros da comissão, que, em geral, seguem a indicação partidária. A eleição do pastor para o cargo foi possível porque PMDB, PSDB e PT cederam suas vagas na comissão para o PSC, partido do deputado. Além disso, a maioria dos titulares da comissão são evangélicos que apoiam Feliciano


Reação

O deputado Jean Wyllys informou pelo twitter que alguns deputados se retiraram da sessão em protesto e que prometem investigar e recorrer a todas instâncias possíveis. 

A ONG All Out que inclusive criou um abaixo assinado contra a possível eleição do pastor Marco Feliciano, divulgou a imagem abaixo e informou:

é importante lembrar que "os rumos dos projetos no Congresso não dependem da palavra final de um presidente de comissão ou de um partido. Nos últimosanos já foi mais do que provado que barulho da sociedade incomoda os senhores políticos. Os textos analisados na CDH têm um longo caminho até a aprovação: normalmente passam por outras comissões, depois vão para o plenário, muitas vezes são analisados pelo Senado e antes de virarem lei dependem da caneta de quem ocupa a presidência da república.

É nesse caminho todo que podemos mostrar nosso poder. Vigiem as discussões sobre os projetos, enviem e-mails aos parlamentares, acompanhem as sessões da CDH. Tudo isso pode ser feito com um clique nowww.camara.gov.br. Tudo o que acontece é transmitido, transcrito, anunciado. Nós só precisamos mostrar que estamos vigilantes."