sexta-feira, 15 de março de 2013

ColunaZs - “Rucapitulando: Aquele das bonitas gongando”

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“If you wanna dance I’m the girl with something extra...”

Atenção: Este texto contém spoilers do sétimo episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Anteriormente, em RuPaul’s Drag Race: as drags tiveram que criar um hino motivacional aos moldes de “We are the world”, e percebemos o motivo pelo qual elas dublam. Ivy Winters sustentou as melhores notas e foi a campeã, enquanto Jade Jolie mandou um beijo me liga para o grande prêmio. 

Ninguém sabe onde RuPaul está nessa temporada. É tudo tão imprevisível que a bonita pode chegar em um episódio e mandar duas para casa, e no seguinte dar a doida e premiar quem ele quiser, assim, de cara. Ele já disse várias vezes que o show é dele, as regras são dele e a coroa vai para quem ele quer. 

Por um lado isso pode ser perigoso porque muitas vezes ele joga a vontade do público pelo ralo. Afinal, até hoje amargamos Pandora Boxx ter sido eliminada na segunda temporada (nunca esqueceremos que ela nem chegou às finais), ou Latrice Royale ficando em quarto lugar na temporada passada. Mas por outro lado a RuPaul tem mais tempo de estrada que muitas drags ali têm de vida, então ela sabe perfeitamente quem pode assumir todas as obrigações perfeitamente. E não só isso, RuPaul também está de olho em quem pode gerar mais barulho para o show quando sair dali e for fazer as apresentações pelo mundo afora.  

Apesar dessa preocupação toda, o sétimo episódio dessa temporada foi muito sem sal. Alias, o único episódio realmente divertido dessa temporada foi o do balé, e muito porque era o mais original. O Snatch Game existe desde a segunda temporada, episódios de canto também, e o desafio dessa semana, de fazer um número cômico, já foi visto na terceira temporada quando, inclusive, fomos apresentados ao poder de Shangela Laquifa Wadley e seu inesquecível WHAT!


A imagem está horrível, mas o que importa é o choque.  

De volta ao episódio, o mini-desafio da semana é a aguardadíssima prova onde as drags podem gongar umas as outras – pela frente, porque pelas costas elas fazem isso o tempo todo. E aqui vale ser o mais inteligente, sarcástica e venenosa possível. Quando mais se aproximar disso, e mais risadas arrancar do RuPaul, mais provável a chance da drag ganhar. Alaska fez isso e colocou essa no bolso. Soltou poucas e boas para cima de todo mundo e fez todas ficarem sem falas. 

Para o desafio principal, as bonitas foram informadas de que iriam participar de um roast sobre a própria RuPaul (pela segunda vez sendo narcisista no próprio show, mas, enfim). Um roast, para quem assim como eu não ligou o nome à coisa logo de cara, é um número cômico onde alguém faz graças e piadas sobre outra pessoa. É como se fosse um bullying autorizado, no fim das contas. Isso geralmente é muito comum em premiações, quando quem está apresentando faz alguma piada sobre alguém na plateia (ou seja, vocês já viram isso no Oscar). 

Como Alaska foi a ganhadora, ela deveria escolher a ordem de apresentações. Perguntou onde cada bonita queria ficar e, como ninguém se voluntariou, ela se colocou em primeiro lugar. Michelle Visage, que deu uma passada para ver o que as drags estavam planejando, ficou passada com essa atitude. Normalmente, a primeira pessoa que se apresenta em um número de comédia nunca é a mais forte, ou a mais conhecida. Ela geralmente está ali só para aquecer o palco. 

Depois disso, cada drag teve um tempo com três técnicos, para ver o que estavam aprontando. Lógico que a edição só mostrou momentos constrangedores das bonitas, com os técnicos, inclusive, falando que elas não teriam chance alguma. 

A apresentação em si foi aquela coisa, com piadas bobas que poderiam ter saído do Zorra Total. Alaska foi divertida e deu umas ótimas na RuPaul e na Michelle, Jinkx se saiu muito bem e Coco ressurgiu de algum lugar onde estava hibernando nos últimos desafios e derrubou todas elas. A bonita criou uma personagem que era um colega de RuPaul quando ela morava nas casas populares em San Diego, e fez as piadas sobre isso. Trouxe dinamismo ao show e fez os jurados rirem muito. Jeffrey Moran, relações públicas da Absolut, um dos patrocinadores do programa, ficou maravilhado com o que viu. O que significa muito mais do que o vestido que a bonita recebeu por ter ganhado o desafio. 


As duas piores da noite foram Alyssa e Roxxxy. Talvez Ivy também pudesse estar ali, mas pelo menos alguém riu das piadas dela, o que não aconteceu nos momentos de vergonha em que Alyssa e Roxxxy estavam no microfone. As piadas eram ruins, sem graça e muitas vezes ninguém entendia o que elas falavam. Para o lipsync, a música escolhida foi “Whip my hair”, da Willow Smith. E claro que as duas bateram cabelo de todas as formas possível (o que é mais incrível é que as perucas não caem, o truque para prendê-las é infalível). Roxxxy girava a cabeça como se fosse a menina de O Exorcista enquanto Alyssa se jogava no ritmo da música. 

Quando acabou a dublagem, Roxxxy estava visivelmente emocionada e, quando RuPaul perguntou o que tinha acontecido, ela preferiu não dizer. Porém RuPaul mandou ela soltar tudo e, o que se seguiu, foi um dos momentos mais dramáticos da temporada (sorry, Monica Beverly Hillz!). Roxxxy contou que ficar como a pior da semana lembrou de quando, aos três anos, ela foi abandonada pela mãe em uma parada de ônibus juntamente com a irmã. Enquanto derramava lágrimas que borravam a maquiagem, ela disse que foi abandonada e ninguém se importou, e o sentimento daquele dia voltou na indicação da noite. Michelle ficou visivelmente emocionada e RuPaul disse que uma das vantagens dos gays é que eles podem escolher a família que querem para si, podem escolher quem vai estar por perto. E disse que aquela era a família da Roxxxy no momento e que todos ali a amavam. 


No fim, RuPaul disse que não mandaria ninguém embora naquele noite. Que a energia e a paixão das duas no lipsync é o que ela procura para a nova drag. As bonitas se abraçaram e Jinkx disse que todas elas são irmãs, e que isso sim é família. 

Não é de hoje que as integrantes de RuPaul trazem um drama para o palco. Teve Ongina na primeira temporada, o pai da Chad Michaels na All Stars... Isso só prova que, por baixo dessa maquiagem toda, e de um mundo de silicone e peitos falsos, há uma pessoa de verdade, com sentimentos e emoções como qualquer um. A dublagem existe, mas o que elas sentem é sempre ao vivo!

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.