segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Jurista e Conselho Federal de Psicologia contestam declarações de Malafaia

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Diante da entrevista, no mínimo, preconceituosa e descabida dada pelo pastor Silas Malafaia à Marília Gabriela, obviamente, surgiram inúmeras manifestações em contraponto ao que foi dito por ele. Depois de um geneticista ter contestado cada declaração do pastor, foi a vez de, nos últimos dias, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e da jurista e especialista em direito homoafetivo, Maria Berenice Dias.

O CFP divulgou uma nota de repúdio às declarações de Malafaia, que, inclusive, é graduado em Psicologia. Para o CFP, esses discursos e ações de extermínio de subjetividades indesejadas não corrobora para uma sociedade democrática e livre.

“A atitude desrespeitosa de Malafaia com homossexuais ressalta um tipo de comportamento preconceituoso que não se insere, em hipótese alguma, no tipo de sociedade que a Psicologia vem trabalhando para construir com outros atores sociais igualmente sensíveis e defensores dos Direitos Humanos. O Brasil só será um país democrático, de fato, se incorporar valores e práticas para uma cidadania plena, sem nenhum tipo de discriminação. Exatamente o oposto do que prega o referido pastor”, diz a nota. Clique aqui para vê-la na íntegra. 

Através de um vídeo no youtube, a jurista Maria Berenice Dias também criticou os argumentos de Silas. “Nós precisamos garantir direito a todos. Todos os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual. Este movimento que está sendo feito, não tem o que tu possa dizer que possa tirar isso das pessoas: o direito de buscar seus direitos. Assume Silas, as suas responsabilidades. Deixa o Estado assumir as delas. Deixa os homossexuais irem em busca do seu direito à cidadania, do seu direito à igualdade”, contestou.

A nota divulgada pelo CFP ainda lembrou a importância da Resolução CFP nº 001/99, que, desde então, passou a enfrentar a homossexualidade não mais como uma doença. “O dispositivo busca contribuir para o desaparecimento das discriminações em torno de práticas homoeróticas e proíbe as psicólogas (os) de proporem qualquer tratamento ou ação a favor de uma ‘cura’, ou seja, práticas de patologização da homossexualidade. Infelizmente, nada disso soa em consonância com o discurso de Silas Malafaia”, ressaltou.

Maria Berenice também fez um convite à população brasileira para que abrace esta campanha de reconhecimento do direito homossexual. “... E convocar todos a este movimento nacional de se aprovar uma lei de reconhecimento dos direitos à população LGBT. Um estatuto da diversidade sexual. Quero que acabem aderindo a esta campanha”, disse.

EM TEMPO: e não para por aí. Há na internet um abaixo-assinado online pela cassação do registro de psicólogo de Silas Malafaia. Clique aqui para vê-lo. São necessárias 100 mil assinaturas. Até o momento, há cerca de 31 mil.