segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ColunaZs – “Rucapitulando” (Especial programa RuPaul Drag Race)

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“show me what you got: Are you a winner?”

Aviso: Este texto contém spoilers do primeiro episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Uns dois anos atrás um grande amigo me apresentou um reality show muito divertido: RuPaul’s Drag Race. Uma mistura de Project Runway com America’s Next Top Model e os Idols da vida, a proposta é colocar um bando de drags no ateliê, jogar um desafio, alguns materiais e deixar que elas criem loucamente. O programa já está na quinta temporada e rendeu um especial all stars, com algumas participantes memoráveis e um spin-off divertidíssimo, chamado RuPaul Drag U. Nesse programa secundário, as antigas participantes têm que transformar uma mulher desleixada, que não se preocupa com a beleza, e fazê-la possuir os atributos básicos segundo RuPaul: carisma, singularidade, nervos e talento (em inglês, as primeiras letras dessas palavras formam cunt, uma forma vulgar de falar do órgão sexual feminino).  

RuPaul sempre escolhe as participantes a dedo, porém, assim como vários outros realities espalhados pelo mundo (inclusive o Big Brother Brasil), há alguns tipos que nunca faltam nas escolhas. Se no BBB temos sempre um malhado, um que se sente deslocado do grupo, um caipira e uma modelo; em RuPaul’s Drag Race geralmente há uma latina (Porto Rico exportando as mais variadas participantes), uma plus size, alguma oriental (Filipinas e Laos já tiveram representantes), afro-americanas, e por aí vai. O que difere muito o elenco de RuPaul’s Drag Race para o de outros programas do tipo é que há um pré-requisito fundamental para se participar: os competidores têm que possuir uma inclinação para o barraco, para a confusão, para a fofoca de bastidores. Requisito esse que, ao que parece, é natural de todos os participantes, diga-se de passagem. Isso que torna tudo muito mais divertido, deve-se dizer. Uma drag na quarta temporada disse que aquele não era “a corrida das melhores amigas”, justificando o motivo pelo qual todas são bem bitches!

Por esses dois  parágrafos introdutórios dá para perceber que eu a-do-ro o reality. Já vi e revi os episódios, uso as frase mais marcantes, as gírias, amo quando tem alguma reviravolta (porque RuPaul é chegado em um twist!) e algum barraco. Impossível esquecer da Tyra Banks na segunda temporada sendo a louca em um desafio com vestidos de noiva; ou Phi Phi O’hara e Sharon Needles discutindo enquanto se maquiavam na quarta temporada. Por isso, durante o programa, farei recaps (ou melhor, rucaps) dos episódios, dando minhas opiniões sobre as provas, as drags e tudo mais. Já garanto que os textos podem ser longos, cheios de trocadilhos, tendenciosos – sempre tenho minhas favoritas... porém tentarei deixá-los bem divertidos, hunty!

E não tem como “abrir os trabalhos” sem  apresentar os participantes da temporada. Confesso que de início o elenco não me agradou muito. A produção divulgou uns teasers, mostrou alguns perfis e ninguém me chamou atenção logo de cara. O que é um bom sinal porque adoro me surpreender com um personagem em reality. Pela ordem de chegada, tivemos Detox, que veio vestida de abelha rainha. Achei ela apenas ok, mas mostrou um potencial barraqueiro, já andou falando mal das outras no “confessionário” (o programa é intercalado por depoimentos das drags em um estúdio a parte, como se fosse mesmo o confessionário). Depois veio Roxxxy Andrews, que é bem conhecida no meio drag e recentemente perdeu bastante peso, o que a deixou mais segura para abusar dos decotes. Jade Jolie foi a próxima e, apesar de ter achado a voz dela super irritante, talvez ela até renda algum momento divertido, se não rodar no próximo episódio, já que foi uma das piores no primeiro desafio. Seguindo a lista Serena Cha Cha adentrou o recinto e logo de cara fiquei com a impressão de ser apenas mais uma cumprindo tabela, e essa impressão ficou até o fim. Então chega Alyssa Edwards, que é a cara do Hugo Weaving em Priscilla, e as coisas começam a melhorar. Nos perfis divulgados pela internet soubemos que ela foi eleita Miss Gay America porém, pouco depois, perdeu o título, o que gerou muita mágoa, muito drama e muito rímel borrado. Jinx Monsoon chegou e não vi nada demais. Assim como Penny Tration, que com esse nome infame deveria ter feito uma entrada bem mais teatral (detalhe: Penny é a única plus size da temporada). Vivienne Pinay é a asiática da vez, mas precisa fazer bem mais do que fez no primeiro episódio para superar a trinca Ongina, Jujubee e Manila, concorrentes orientais de antes. E então, para espanto de todos, surge uma drag com uma máscara de cavalo: a famosíssima AlaskaQuem acompanha esse reality sabe de quem estamos falando. Ela não só se inscreveu para todas as outras temporadas como é “a namorada com um pênis” de Sharon Needles, vencedora da quarta temporada. Colocar um parceiro de uma concorrente não é novidade, já que tivemos Manila, na terceira temporada, que era casada com Sahara Davenport (drag que faleceu no fim do ano passado, poucas semanas antes da estreia da temporada All Stars). Alaska é toda trabalhada na comédia, nos looks divertidos e nas caras e bocas. Em um dos depoimentos, ela diz que é arriscado ser o namorado de uma vencedora, porque isso a obriga a sempre estar em um nível de competição acima das demais.  As outras drags que surgiram, e não me animaram, foram, pela ordem: Honey Mahogany, toda trabalhada nos anos 1970; Ivy Winters, a conceitual; Monica Beverly Hilz, muito feminina e Lineysha Sparx, direto de Porto Rico. Quando todo mundo achava que o elenco já estava completo Coco Montrese adentra o recinto. E essa foi a surpresinha-discórdia preparada por RuPaul. Lembram que eu disse que Alyssa tinha perdido a coroa de Miss Gay America? Pois então, Coco foi quem roubou a coroa dela. Dava para ver a expressão de desconforto entre as duas. Fagulhas de mágoa voaram pelo ambiente. Coco prometou ter “um momento com Alyssa” durante o programa, para as duas colocarem tudo em pratos limpos. 

O primeiro mini-desafio da temporada é sempre uma foto feita por Mike Ruiz, conhecido fotógrafo de celebridades, e dessa vez não foi diferente. Mike preparou um tanque de água onde as drags tinham que mergulhar e posar para uma foto digna de editorial de moda. Detox foi a vencedora, com a foto abaixo. 


O primeiro desafio da temporada sempre coloca as drags para criar um look do zero. Seja com produtos de lojas de 1,99, cortinas ou retalhos coloridos, esse desafio já dá uma dica de quem é criativo, quem domina minimamente técnicas de costura e construção de roupas e quem tem o mínimo senso do próprio corpo. Dessa vez, RuPaul as levou para uma voltinha em Beverly Hills, região de lojas caríssimas de Los Angeles, e as fez revirar containers de lixo atrás de material para criar um look que transparecesse alta-costura, elegância e pudesse ser usado em um tapete vermelho. Roxxxy Andrews venceu o primeiro desafio e ganhou imunidade para a próxima semana. Apesar de não ser meu look favorito, ele estava muito bem executado. Mostrava curvas onde deveria mostrar e tinha um toque moderno. Além dela, destaco os modelos de Alaska, feito com plástico colorido mas que, como disse Santino, parecia um produto caro e realmente um vestido de tapete vermelho; e o da Lineysha, que criou uma silhueta fantástica.


No fim, Serena e Penny foram merecidamente votadas como os piores looks da noite, e tiveram que dublar para continuar na disputa (“lipsync for your life”, uma das frase mais marcantes do programa). A música escolhida foi Party in the USA, da Milley Cyrus. Penny Tration, que no voice-over disse não conhecer a musica, acabou sendo a primeira eliminada da quinta temporada. Interessantíssimo, inclusive, porque Serena talvez nos dê muito mais momentos engraçados que Penny.  

Confesso que achei o primeiro episódio da quinta temporada um tanto quanto sem sal. Claro que o formato já não é mais novidade e, depois de tantos episódios, algumas piadas do RuPaul ficam meio óbvias. Mas vamos esperar para ver. O beef entre a Alyssa e a Coco vai render alguma coisa, e essa história da Alaska ser namorado de um vencedor pode gerar uma certa mágoa entre as outras concorrentes. Torcendo para voar muita purpurina por aquele estúdio. E que vença a mais feminina!

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.