sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ColunaZs - "Rucapitulando: Aquele do segredinho da drag" (segundo episódio do RuPauls Drag Race)

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“cover girl, put the bass on your walk!”

Atenção: Este texto contém spoilers do segundo episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Anteriormente, em RuPaul’s Drag Race: as bonitas chegaram, nenhuma mostrou uma vibe barraqueira digna (nem mesmo a mágoa Alyssa-Coco parece que vai render), todas mergulharam em uma piscina para fotos embaixo d’água, depois em latas de lixo para criar o look da semana. Penny Tration foi a primeira a ouvir Sashay away da RuPaul. 

Não que o segundo episódio tenha sido uma maravilha, mas foi bem melhor que aquela pasmaceira que foi o primeiro. As drags pareciam ter segurado um pouco a mão no primeiro dia, para não causar uma impressão errada. Claro que elas não tem que conquistar o público, porque todas as decisões finais são tomadas pelo RuPaul, mas como o programa passa a ser o grande portfólio delas, não é legal se mostrar muito bitch e perder uns contratos depois, mesmo que bitch seja um dos melhores adjetivos que uma drag pode ter, na minha opinião. 

O segundo episódio já começou de uma forma diferente, porque geralmente há o resumo do episódio anterior e depois aparece as drags voltando, no dia seguinte, para o estúdio, onde encontram a mensagem que a eliminada deixou no espelho. Entretanto, dessa vez, elas voltaram logo após o término do programa, ainda montadas, e começaram a falar sobre Penny ter deixado a competição. Nenhuma ali estava satisfeita com o resultado, o que causou aquela torta de climão deliciosa no recinto. Serena percebeu que nenhuma drag estava torcendo para ela ficar e, claro, ficou magoada. 

Aliás, essa é a temporada com mais mimimi de todas, seguramente. Serena, Jinx, Jade estão sempre reclamando de alguma coisa nos depoimentos. Ou porque foram escolhidas por último, ou porque ninguém as deixa falar. 

Depois dessa lenga-lenga de Serena se sentir a excluída, fazer mimimi e todas se desmontarem o episódio começa de fato com as BFFs se juntando: Roxxxy, Alaska e Detox, ou melhor, Ro-laska-tox! Essas alianças são bem comuns em Drag Race. Já tivemos Raven e Jujubee na segunda temporada; Raja e Manila na terceira (com Carmen e Delta); e Chad e Sharon na quarta. Coincidentemente, todas elas chegaram juntas à final, mas não sem despertar a ira nos outros competidores. É inesquecível o rancor de Alexis Mateo para a dupla da Raja na terceira temporada. E na quinta não está sendo diferente. Ivy Winter deu uma gongada básica falando que o nome parece uma doença venéria. Sou meio Michelle Visage e amo todas as drags, mas devo confessar que adoro quando uma gonga a outra. 


RuPaul aparece na TV e depois no estúdio para explicar o mini-desafio da semana. As bonitas tinham que passar um batom bem chamativo no rosto, ficar atrás de um rosto gigante do RuPaul e dublar algumas músicas do repertório dele (porque, para quem não sabe – e tem gente que não sabe! –, RuPaul já fez de tudo nessa vida: ator, cantor, apresentador de programa de auditório, host de reality show... uma bee bem versátil, pelo menos profissionalmente falando).  As drags foram colocadas em três grupos e a melhor de cada um ganhava o desafio. Detox, Serena e Ivy trabalharam melhor com a boca e viraram capitãs das equipes. Redivididas, RuPaul explicou as regras do desafio da semana: elas teriam que dublar e encenar trechos de outras edições da Drag Race. Na verdade não exatamente trechos, mas de outros barracos, discussões, venenos sendo destilados e coisas do tipo. Será que RuPaul sentiu que essa temporada pode flopar e resolveu fazer um “direto do túnel do tempo”? Esperto que só, eu não duvido de nada que ele faça. 

Claro que o melhor momento foi Alaska e Detox refazendo uma cena de discussão entre Sharon Needles e Phi Phi O’hara. RuPaul se surpreendeu ao ver Alaska escolher Phi Phi e não o namorado, ao que Alaska justificou que não teria graça porque ela “faz a Sharon todos os dias”. O timing entre as duas foi absurdo, Detox realmente ficou parecida com a Sharon (confesso aqui que a Detox desmontada me assusta um pouco, mas, enfim) e elas se beijando no final foi engraçadíssimo. 

Mas quem se destacou mesmo no desafio foi Lineysha Sparx. Eu já tinha ficado muito impressionado com o look que ela criou no episódio anterior, e nesse ela me surpreendeu novamente. Durante os ensaios e nas cenas que mostraram das gravações ela parecia distraída, distante, sem foco. Mas quando mostraram o vídeo editado ela ganhou uma força incrível! Esse truque de parecer um peixe fácil de se pescar mas, em seguida, se mostrar um tubarão foi usado com sucesso pela Tyra Sanchez, vencedora da segunda temporada. Inclusive, Tyra foi quem Lineysha dublou no desafio da semana. Se ela continuar rendendo assim pode ser que chegue favorita às finais. Seria a primeira latina a ganhar o programa, ficando na frente de divas como Nina Flowers, da primeira temporada, e Alexis Mateo, da terceira (Nina ficou em segundo, e Alexis em terceiro, sendo as latinas mais bem colocadas na história do programa). 

Para o desfila principal, RuPaul pediu as drags para criar um look que impressionasse. Lineysha usou um maiô colorido apenas ok; Honey Mahogany ainda está na crise dos anos 1970; Ivy Winters confundiu RuPaul’s Drag Race com Cirque Du Soleil e veio de pernas de pau com uma roupa de borboleta (achei de mau gosto, preferia um salto altíssimo); miss Pinay se montou com um vestido que parecia de capim dourado, ou seja, ridículo; Alyssa também apenas ok; Serena jurou que era miss Universo e veio com roupa típica do Panamá; Jade roubou um figurino de uma das turnês passadas da Madonna (que eu não lembro qual é, mas é uma que parece roupa de Paquita); Roxxxy mostou o corpo novamente em um look cheio de penduricalhos (Santino gongou a bonita falando que ela parecia o Chewbaca de Star Wars!); Jinx, Monica e Coco também estavam ok enquanto Alaska e Detox estavam todas trabalhadas no preto. Ninguém realmente a se destacar nesse desafio, e isso se refletiu nas opiniões dos jurados. Michelle amava uma drag, enquanto Juliette Lewis, jurada do episódio, não curtia. Kristen Johnston, também convidada especial,  e Santino também teciam comentários. No fim, Lineysha Sparx foi a vencedora da semana. 

Porém, drama mesmo aconteceu quando RuPaul conversava com as candidatas que não tinham se destacado. Ao chegar em Monica Beverly Hillz, uma das juradas disse que sentiu que ela não estava ali naquele momento. RuPaul concordou e ela começou a chorar. Foi aí que a bonita revelou que não estava se sentindo verdadeira porque escondeu das outras que, na verdade, ela está em processo readequação sexual

Monica não é a primeira participante a entrar nesse processo. Já tivemos Sonique, da segunda temporada, Carmen Carrera da terceira e Kenya Michaels da quarta. Porém, Monica é a primeira, ainda no programa, a revelar essa condição. As outras só começaram o processo depois que o programa terminou. 

RuPaul disse que a escolheu por acreditar que ela é fierce e que pode sim render na competição, mas teve que mandá-la dublar porque ela foi uma das piores da semana, junto com Serena. E foi lindo ver que ela se entregou ao lipsync, pois a música escolhida foi Only Girl, da Rihanna. Naquele momento ela estava se sentindo a única garota do mundo, como de fato deve ser! Ganhou merecido o lipsync e o direito de ficar no programa, mandando Serena para casa. 

Se eu tivesse que dar hoje um palpite para quem acho que estaria na final, colocaria Detox, Roxxxy e Alaska. Não que elas sejam incríveis, mas nesse elenco bem mediano, são as mais corretas. Lineysha corre por fora como fortíssima candidata, Coco tem potencial porque parece ter uma bagagem incrível, e Alyssa, se colocar tudo que sabe nos desafios, pode chegar perto. O resto vai, uma a uma, dar sashay away, mandar um beijo e ir embora!

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.