sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ColunaZs – “Rucapitulando: Aquele da esperança do bafão”(terceiro episódio do RuPauls Drag Race)

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“this is the main event, are you ready?”

Atenção: Este texto contém spoilers do terceiro episódio de RuPaul’s Drag Race, quinta temporada. A série é exibida no Brasil por alguns canais de TV a cabo, mas é possível encontrar links para ver por streaming internet afora. Há ótimas fan-pages no Facebook sobre o programa com dicas ótimas de onde ver! 

Anteriormente, em RuPaul’s Drag Race: as drags lançaram olhares de reprovação por Serena ter ficado, dublaram cenas de outras temporadas do reality, se vestiram para abalar, Monica Beverly Hillz contou que está em processo de readequação sexual e Serena finalmente foi posta para fora. Ou seja, nada de tão interessante!

Uma das coisas mais legais de RuPaul’s Drag Race é que a edição do programa sempre dá o tom, nas primeiras cenas, do que vai rolar no episódio. Por isso ficamos na expectativa de que o programa seria incrível quando, logo de cara, mostraram as cenas da Coco Mantrese chegando e levando aquele susto ao ver Alyssa Edwards por lá. O problema, entretanto, é que essas cenas são mais do que o episódio tem a oferecer, e nossa expectativa cai por terra. O programa perde em dinamismo, em conteúdo e fica – nunca pensei que fosse dizer isso – chato. Não aquele chato novela da Globo, que a gente nem entende o motivo que nos faz continuar assistindo. Até porque a host desse show é uma das drags mais famosas dos Estados Unidos e o timing cômico de bonita é incrível. Mas um chato para quem já viu as outras edições e sabe que esse programa pode render mais. 

Talvez o maior problema dessa temporada seja, ao meu ver, o elenco. Todos estão muito parecidos nas atitudes. Se a gente não contar esse pequeno atrito entre Coco e Alyssa, as drags estão muito unidas, muito “irmãs”. Cadê aquele bullying logo de cara com a Mimi Unfirst, ou Shangela sendo a dramática na terceira temporada? Cadê Jiggly Caliente sendo gongadíssima na quarta? Se eu fosse a RuPaul mudava o “don’t fuck it up”, frase clássica com a qual ele deseja boa sorte para as drags, por “this is not RuPaul’s best friend race”.

E, se o elenco é ruim (em reality, novela, programa de auditório, que seja), não há prova, não há host, não há roteiro que salve. O terceiro episódio do programa tinha tudo para ser super divertido, gargalhadas mil, trocadilhos inteligentes, como foi o episódio do espaço da terceira temporada, ou dos produtos “extra-greasy” na segunda. Mas foi apenas engraçado e, como disse Michelle Visage, “eu paguei cinco dólares para ver um show de drag”. 


O tema desse programa era o universo infantil. Para o mini-desafio, as drags se dividiram em duplas e foram colocadas para montar manequins de criança como se fossem pequenas misses. Alaska e Lineysha ganharam o desafio com “Lil’ Pound Cake”, uma boneca cheia de atitude que, claramente, era a representação de Alaska e não tinha nem um pouco de Lineysha. 

Para o desafio principal, as drags foram divididas em dois grupos para criar um programa de TV para crianças. Ou seja, um programa divertido, cheio de energia, colorido, porém com algum ponto educativo. Claro que quando você coloca drags para fazer um programa assim as piadas de duplo-sentido pulam na tela, como trocadilhos com a palavra blow (que pode ser assoprar ou uma gíria para sexo oral), ou box (que é caixa na definição do dicionário ou o órgão sexual feminino). Dos dois grupos, o da Alaska se destacou incrivelmente mais. Inclusive, os próprios jurados ficaram chocados com o programa do time Lineysha. Não tinha timing, as piadas eram ruim e ninguém parecia conectado. Apenas Jinkx Monsoon se destacou positivamente, enquanto as outras drags fizeram um trabalho apenas regular. Do time Alaska, Detox, Roxxxy e a capitã da equipe foram incríveis (o trio que comentei no rucap passado), apesar de Alaska ter vindo vestida de homem, o que causou certo desapontamento da parte de RuPaul e Michelle, que estavam ajudando a preparar os esquetes. 

De volta ao estúdio, Coco e Alyssa finalmente ficaram cara a cara para discutir o passado (nessa hora, Detox aparece em um depoimento falando que queria pipocas pois a coisa ficaria interessante – veneno puro!). E aqui vocês entendem o motivo do título do rucap. Quando as duas foram para um canto do estúdio ficamos esperando um bafão, mágoas sendo expostas, gritos, giletadas... Mas não foi isso que aconteceu. Coco disse que aceitou a coroa, mas que ficou chateadíssima por ser coroada no lugar da amiga. Mas não explicou de fato o motivo pelo qual Alyssa perdeu a coroa, se Coco ficou realmente chateada e o que de fato acontece. Talvez a produção esteja guardando um bafão maior, e isso foi apenas o teaser. O que seria ótimo, diga-se de passagem. 


Para o desfile principal, as drags foram desafiadas a criar looks inspirados no rosa (“Think Pink”, como na canção do filme Funny Face). Foi tanto rosa desfilando naquela passarela que parecia a nova coleção da casa Barbie. Adorei os looks de Alaska, Detox e Jade Jolie, que me lembrou os looks de Willam da quarta temporada. A vencedora da semana foi Detox, que realmente mereceu. O look estava ótimo e a galinha que ela criou para o programa nos fez rever o conceito de interpretação de galinha de Jessica Wild, na segunda temporada (Jessica fez o papel de galinha em um dos desafios). Coco Mantrese e Monica Beverly Hillz foram as piores da semana, e dublaram “When I grow up”, das Pussycat Dolls. Coco foi infinitamente melhor que Monica (as habilidades de dublagem de Coco já tinham sido destacadas no programa anterior), e ficou no programa. 

Uns dias atrás, conversando com um amigo que também é fã do reality, chegamos a conclusão que as drags dessa temporada têm muito em comum com as das temporadas passadas. E o objetivo aqui é que elas se mostrem, que elas digam quem são e o que têm a oferecer. Ainda não vimos nenhuma drag dizer a que veio. Mas ainda temos muitos episódios pela frente. Espero que elas sejam mais drags e muito mais queens!

Texto de Flavimar Dïniz. Ele está na internet desde 1999, quando sofria com conexões discadas e downloads a 3.4 kbps. Começou no mundo dos blogs em 2002 e não entende como não ficou rico com internet igual a tantos outros de sua geração. Adora música, cinema, literatura e jornalismo, sua formação profissional. Escreve sobre o ele achar que dê um texto de mais de 140 caracteres.