terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ColunaZs – “Faz de conta”

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Nos expressar livremente é algo complicado, independentemente da sexualidade, sexo e identidade de gênero. Existem diversos comportamentos esperados, discursos aceitos. Se encaixar, ou não, nos padrões é sempre motivo para crítica. O julgamento instantâneo faz com que filtremos nossas palavras, ações. 

Começa então um faz de conta. Fingimos gostar, ou desgostar, de algo para buscar aprovação de algum grupo. Escondemos opiniões, pois sabemos que são diferentes.

Mas de que vale tudo isso? 

A falsa inclusão, pelo faz de conta, tem resultados tão imaginários quanto as opiniões dadas. Exemplos comuns são os pseudo-intelectuais e pseudo-cults.

Ok, onde quero chegar com isso? 

Assim como fingirmos gostar, ou não, de um programa/música/artista, agimos de forma diferente, deixamos de nos expressar. Ou repudiamos para nos encaixar em determinados grupos. Esquecemos de questionar de verdade. Reprimimos trejeitos "femininos", ou "masculinos", para não sermos vitimas de homofobia. Fazem declarações homofóbicas para se encaixarem no meio em que vivem. 

Ficou cômodo e automático seguir o fluxo, ignorar os pensamentos e reproduzir o conteúdo. Esse hábito de selecionar opiniões, comportamentos, gostos, de acordo com determinados grupos acaba por minar o senso critico, a capacidade de questionar, pensar. 

Isso tudo pode parecer um raciocínio louco para alguns, conexões exageradas da minha parte. Não quero você concorde e reproduza meu texto, seria hipócrita da minha parte. Mas que tal discuti-lo? Questioná-lo? 

Acredito que problemas sérios, como a homofobia, possuem fundamentos simples. Pequenas coisa, coisas que costumamos ignorar, coisas que acabam se desenvolvendo, crescendo e perpetuando. 

A falta do hábito de raciocinar, questionar, vem aos poucos, de coisas pequenas. Ninguém começa questionando questões complexas de física, questionamos quando pequenos de onde nascemos, como colorir, perguntamos "porque?" incessantemente. Queremos descobrir o mundo, criar referências. 

Mas quando crescemos é comum ver papagaios, pessoas que só sabem repetir opiniões alheias e possuem hábitos definidos por outros. 

Acredito sim, que o faz de conta de opiniões, posições, hábitos, leva a estagnação do que possuímos de mais precioso, a capacidade de questionar, raciocinar. 

Cada vez mais pessoas fazem de conta que gostam de algo. No fim fazem de conta que sabem questionar. Estão completamente viciadas no faz de conta, então reproduzem e fazem de conta que pensam.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The bitch says: follow my ass!