terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ColunaZs – “Foi a homofobia que matou”

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Mais um ano passou, mais uma lista de vítimas da homofobia foi divulgada e mais comentários desnecessários foram feitos.

Eu sempre defendi, e ainda defendo, que tudo pode virar piada. Mas minha condição permanece, tem que saber fazê-la.

Para quem está um alheio ao assunto, o Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgou o relatório de crimes homofóbicos no Brasil. Segundo o relatório ocorre um homicídio a cada 26 horas. Obviamente o número se refere a vítimas de homicídios com motivação homofóbica.

Danilo Gentilli postou o segundo tweet “1 gay é morto a cada 26 hs’? manchas na pele do rosto 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém aí come meu c* hj? Só por segurança (sic).”

Seria engraçado se não fosse tão estúpido. Como já disse, a motivação dos assassinatos citados, pelo GGB, é a homofobia. Os 140 que Gentilli cita pode ser gays, heteros, trans, uma vez que a motivação de seus assassinatos não é heterofobia (isso existe?), homofobia ou transfobia. São homicídios por outras causas, como execução e latrocínio.

Piadas como a de Gentilli não são apenas mal feitas, mas denunciam o tamanho da falta de informação. Começando pelo ideia de que todas as outras pessoas assassinadas são heterossexuais, como se isso fosse o padrão. Está aí representada a heteronormatividade. A ideia de que os assassinatos de gays se referem, simplesmente, a sexualidade das vítimas. Como se um gay morto durante um assalto entrasse para a estatística do GGB. A ideia de que gay é aquele que dá, e ponto.

O crime é homofóbico por sua motivação, não pela sexualidade da vítima. Morrem muitos gays, lésbicas, travestis, transexuais, em 24 horas. Mas morre uma vítima de homofobia a cada 26 horas.

Condeno posturas como a de Gentilli, que colocam dados importantes como este, como uma tentativa de conseguir “tratamento especial”. Mas será que não é nossa responsabilidade, que temos consciência disso, passar a informação de forma mais clara? Não adianta esperar que todos entendo que “Morre 1 gay a cada 26 horas” é igual a “A cada 26 horas morre uma pessoa por causa da homofobia”. Pois escrevemos da primeira forma, damos brecha para comentários estúpidos, quando vamos explicar já existe tensão entre as partes. Nós queremos que as pessoas saibam destes casos, que entendam que homofobia mata, então porque não falamos isso claramente?

Sabemos que não é 1 gay que morre a cada 26 horas, sabemos que é a homofobia que mata uma pessoa a cada 26 horas.

Não vamos deixar espaço para interpretações erradas. 

*Becha Má é twittera e toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!