sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Conheça cartazes contra a homofobia feitos por um designer mineiro para serem compartilhados

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Você já pode ter visto algumas das imagens acima no Facebook ou em algum outro local na internet, o que você talvez não saiba é quem fez essas imagens e por que. O Muza traz abaixo uma entrevista excluZiva com o designer gráfico Sam Profeta, que é daqui de Belo Horizonte mas vive em São Paulo desde 2011.


Em seu Facebook, local de origem das imagens/cartazes, ele explica, brevemente, sobre a criação dos mesmos: “Criei esses cartazes numa tentativa de erradicar o ódio e a homofobia que assolam o Brasil. Nós não vamos nos calar! Compartilhem e imprimam”. Na conversa ao Muza, ela fala desde seu processo de trabalho (“Passei um dia inteiro pensando nas frases e executei os cartazes em uma noite”) até a diferença entre BH e São Paulo para os homossexuais que vivem nas cidades.  


O criador e a criatura: Sam Profeta com um dos seus cartazes nas ruas de SP
Por que decidiu fazer essas artes? 


A ideia de fazer as artes surgiu após eu ver a notícia da agressão contra o André Baliera. Fiquei extremamente revoltado e assustado, já que a agressão aconteceu bem perto da minha casa. Depois que eu li o que os jornais diziam, fui tomado por uma inquietação e uma vontade intensa de fazer alguma coisa pra tentar mudar a cabeça das pessoas. E, a maneira que eu encontrei foi essa. Usando meu talento pra ajudar, do jeito que eu posso. Os cartazes foram feitos com o coração apertado, o choro engasgado e um grito de revolta preso na garganta. Realmente não dá pra ficar de braços cruzados e ser plateia desse mundo tão injusto e hipócrita!


Qual foi a inspiração para esse trabalho? Percebo que você utilizou dados, mas também humor e até Lady Gaga.


Quis fazer mensagens diretas, claras e impactantes. Busquei alguns dados na internet e tive ajuda de amigos na sugestão de algumas estatísticas. Tem uns toques de humor pros cartazes não ficarem muitos sisudos, apesar do assunto ser extremamente sério.

Você é de BH, mas mora em São Paulo... você tem percebido diferença na vivência homossexual de BH para a de São Paulo. Fale um pouco sobre isso... 


Eu nasci em BH, mas me mudei pra São Paulo em 2011. Acho que Belo Horizonte tem o conservadorismo muito enraizado na cultura da cidade e nas cabeças das pessoas. Acaba que os gays não se sentem à vontade para serem o que realmente são, especialmente em lugares públicos. Por outro lado, São Paulo é uma cidade que exala liberdade. Os gays se reprimem menos, e talvez isso desperte mais ódio nos agressores, que não suportam de ver o outro exercendo sua sexualidade de maneira plena.

Recentemente tivemos mais um caso de homofobia em São Paulo na mídia... como isso afeta seu dia a dia e/ou de amigos homossexuais? Você fica com medo de sair? Fica precavido... o que percebe e sente sobre isso. 


Sim, existe uma tensão, especialmente quando passo por lugares em que já foram cometidos crimes (Av. Paulista, Rua Augusta...). Já cheguei a cogitar entrar numa aula de artes marciais ou comprar spray de pimenta. Mas não deixo de viver por causa disso.

O que você espera com esse trabalho? O que espera das pessoas em relação a ele?


Espero chamar a atenção da sociedade. E tentar, aos poucos, fazer as pessoas entenderem a gravidade do assunto. O Brasil precisa de novas leis com urgência!


Quando eu estiver velhinho, vou contar pros meus netos que o vovô teve que lutar pelos direitos dos gays, lá no longínquo ano de 2012. E tenho certeza que eles vão ficar espantados da mesma forma que nos assustamos hoje quando alguém conta sobre o apartheid ou que o casamento interracial já foi proibido um dia.