terça-feira, 4 de dezembro de 2012

ColunaZs – “MDNA, um show de diversidade”

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A tia foi ao primeiro show da MDNA Tour no Brasil. O palco chega a ser opressor de tão rande. Nossa entrada só foi liberada quando começou o soundcheck. Passa da roleta e TODOS CORRE, e lá está ela, linda, de boné, cantando e conversando com os fãs. O palco, antes gigante e opressor, fica pequeno com a presença da Rainha. Horas e horas depois do soundcheck o show começa, o atraso é instantaneamente perdoado e a emoção é gigante.

Desde de imagens nos backdrops ao discurso feito pela Rainha, os direitos humanos são
assunto constante. Não de um grupo específico, mas a humanidade como um todo. Quem acompanha Madonna sabe que ela já falou em nome de diversas causa, fez campanha, música, doou dinheiro. Durante Express Yourself/Born This way/She’s not me casais hetero e homossexuais são mostrados nos telões. Imagens de Guerra são mostradas ao lado das montagens com o rosto de Madonna durante o interlude de Nobody Knows Me, e as montagens também trazem diversas críticas. Ao fim imagens de pessoas que suicidaram passam os telões, acompanhadas de barulhos de tiro e a queda de um dos dançarinos no palco.

Na hora do discurso ela usa as Guerras como exemplo e completa “(...) nas favelas. Tem
pessoas morrendo perto de vocês, e sem motivo”. Diz ainda que para mudar o mundo
devemos mudar a nós mesmos, pede que comecemos naquele momento, sendo respeitosos com as pessoas ao nosso redor ali. "Quando dizem que não posso mudar o mundo, eu respondo: fuck you! Eu posso mudar a mim mesma. Quando você muda a si mesmo, você começa uma revolução. Estão prontos para a revolução? Em meu país, a gente responde 'fuck yeah'. Estão prontos? Não mintam para mim".

O “Periguete” nas costas de Madonna, acredite se quiser, também é um exemplo disso. Apesar não sabermos qual foi a explicação que Madonna recebeu para a palavra, é fácil arriscar que foi algo do tipo “mulher dona do próprio corpo”. Tal definição se encaixa no discurso que Madonna fez ao longo de sua carreira e do que falou no palco. “É preciso uma periguete para inspirar outro” e “Precisamos de mais periguetes no mundo”.

Faz muito sentido que Madonna use um discurso geral quando fala de respeito. Tendo passado por diversas narrativas, a Rainha hoje fala de todas de um vez só. Respeito é o fundamental para acabar com todos os preconceitos. Gentileza é necessária para acabar com violência. E mesmo com um discurso geral, não deixa de falar e mostrar casos específicos. Durante todo o show é possível perceber referências aos gays, mulheres, guerras e etc.

Para mim um dos momentos mais marcantes na luta de Madonna pelos direitos humanos, é também um dos mais marcantes do show. Vogue. Música não muito lembrada hoje pelos seus méritos sociais. Vogue, que era uma dança do gueto gay de NYC inspirada na revista, se tornou a base para um dos maiores sucessos da história da música. Madonna não só transformou algo que era ficava nos escoderijos dos gay e levou para o mundo mainstream, como também transformou aquilo no que almejavam os gays que dançavam nos guetos. A dança inspirada nas poses da ‘bíblia da moda’ buscava um pouco do glamour que era negado aos gays, por isso toda aquela produção para o clipe. E no show ela reproduz tal momento, de uma forma ainda mais genial acredito eu. Os dançarinos são versões completamente novas de homens, mulheres, travestis, transgêneros, andróginos. Preste atenção aos figurinos de Vogue no vídeo (fim dos post), e não se engane achando que vestidos são mulheres, ternos são homens, ou que os dançarinos retratam um modelo tão binário, pois também não são homens de vestido e mulheres de terno, são seres diversos. E toda a diversidade que retratam
os dançarinos continua em Erotica/Candy Shop, quando flertes e toques são trocados entre os seres indefinidos que ocupam o palco, as misturas que já eram grandes, se intensificam. Mais uma vez a Rainha retrata uma exploração da sexualidade humana de forma bem ampla, não só com insinuações sexuais, mas com diversidade de sexualidade, gênero.

Descrever o qual fantástico é o show é quase impossível, contar todos os discursos que podem ser tirados do mesmo é uma tarefa longa. Possivelmente continuarei com este tema semana que vem, aproveitarei o tempo para pensar a respeito de outros ponto. Afinal, o show foi domingo.

Se não foi ao show, vá! Ainda tem shows em São Paulo e Porto Alegre. A experiência é fora de série, Madonna é fora de série.


*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The bitch says: follow my ass!